O que é mais importante para o Santos hoje: levar força máxima para um clássico com o Palmeiras, em pleno momento de luta contra o rebaixamento, ou preservar seu principal jogador para uma partida contra o desconhecido Recoleta, por uma competição em que a vitória pode nem sequer ser determinante para a classificação na Copa Sul-Americana? A resposta parece óbvia. E justamente por isso escancara a fragilidade da relação profissional entre Neymar e o Santos.
A perplexidade pela ausência no clássico deste sábado ganha ainda mais força diante da sensação — cada vez menos disfarçada — de que o próprio jogador, ou seu staff particular, escolhe os jogos que quer disputar. Oficialmente, a ausência no clássico se justifica pelo tal “controle de carga”, esse conceito moderno que regula a minutagem de atletas com histórico recente de lesões.

Mesmo que o controle físico seja real, e necessário, não se pode normalizar que um jogador — Neymar ou qualquer outro — determine, na prática, em quais partidas estará disponível. Esse tipo de privilégio não cabe em um ambiente profissional. E se torna ainda mais pernicioso quando diz respeito a um time que agoniza na zona de rebaixamento e acumula sinais evidentes de fragilidade dentro de campo.
A discussão é sobre critérios
Não se trata de exigir que Neymar atue acima de suas condições físicas, tampouco de expô-lo ao risco de uma nova lesão — algo que, dependendo da gravidade, pode até antecipar o fim de sua carreira. A discussão é outra: é sobre critério, prioridade e responsabilidade competitiva. Hoje, para o Santos, é infinitamente mais relevante somar pontos no Brasileiro do que alimentar um cenário hipotético na Sul-Americana. A lógica esportiva é clara. O comportamento recente, nem tanto.

Parte da decisão passa pela resistência de Neymar em atuar em gramados sintéticos. O jogador, inclusive, liderou no ano passado um movimento de atletas contra esse tipo de piso. Mas até hoje não há comprovação científica sólida de que a grama artificial aumente, de forma consistente, o risco de lesões. O que existe é uma percepção — legítima, mas subjetiva — de desconforto. Preferências devem ser respeitadas. Escolhas individuais, quando impactam diretamente o coletivo, precisam ser discutidas.
Projetos pessoais de Neymar
Neymar faz parte de um grupo — e, mais do que isso, é o principal pilar técnico dele. O Santos depende de sua presença para competir em nível minimamente aceitável. E esse contexto torna ainda mais delicada qualquer decisão que o afaste de jogos decisivos. Há também um pano de fundo evidente: a Copa do Mundo. Ao gerir sua participação, Neymar parece priorizar chegar inteiro à convocação da seleção brasileira, dia 18. É compreensível do ponto de vista individual. Mas levanta um questionamento inevitável: até que ponto os projetos pessoais podem se sobrepor às necessidades imediatas do clube que paga seu salário?
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O Allianz Parque não é um caso isolado. Outros estádios da Série A também utilizam gramado sintético. Ao longo do campeonato, isso representa uma fatia considerável dos jogos. Se a lógica for mantida, quantas partidas o Santos disputará sem seu principal jogador? A escolha deste sábado parece menos circunstancial e mais estratégica: preservar agora para garantir sequência até a próxima convocação. O problema é que, no futebol, planejamento não garante resultado. O que se pode afirmar com segurança é mais simples — e mais preocupante: cada ausência de Neymar pesa. E, no caso do Santos, pode custar caro demais.





