Em meio à disputa dos campeonatos estaduais — uma inovação que, dependendo do ponto de vista, flerta perigosamente com a aberração —, a Série A larga pressionada por um calendário comprimido, imposto pela parada para a Copa do Mundo entre junho e julho. Não é apenas mais uma distorção do futebol brasileiro: é um cenário que promete cobrar um preço alto, especialmente dos clubes menos preparados.

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Com competições encavaladas e pouco espaço para correções de rota ao longo do ano, o Brasileirão deste ano tende a ser mais exigente do que nunca. Física, técnica e financeiramente. E, sobretudo, mais cruel. A tendência é que ele escancare como poucas vezes antes a disparidade econômica e esportiva entre os 20 integrantes da elite.

Samir Xaud, presidente da CBF: mudanças no calendário do futebol brasileiro e riscos para os times no Brasileirão / CBF

Um dado da semana já funciona como amostra do abismo. Enquanto o Flamengo se dispõe a investir 41 milhões de euros (R$ 260 milhões) para contratar Lucas Paquetá, o Corinthians não consegue sequer levantar R$ 1 milhão em caixa para formalizar o empréstimo de Alisson junto ao São Paulo. Se essa diferença se manifesta entre duas potências do tamanho de Flamengo e Corinthians — os clubes de maior torcida e, portanto, maior potencial de receita do país —, o que esperar daqueles que largam a temporada com orçamento curto, elenco limitado e margem de erro praticamente inexistente?

Calendário da CBF

A antecipação do calendário pode se transformar numa armadilha silenciosa para muitos clubes. Especialmente para os que iniciaram o ano longe de um planejamento minimamente sólido. O São Paulo é um exemplo emblemático. Em meio a uma crise institucional ainda mal resolvida, o clube vive um inferno astral com pouco mais de 20 dias de bola rolando na temporada. Já corre riscos no Campeonato Paulista e expõe fragilidades que, em um cenário normal, teriam mais tempo para serem administradas. Mas 2026 não oferece esse luxo. Diante desse quadro, o que a torcida pode realisticamente esperar no Brasileiro?

Em um campeonato de 38 rodadas, começar bem nunca foi detalhe. Neste ano atípico, torna-se quase uma exigência de sobrevivência. A história recente mostra que muitos dos clubes rebaixados são justamente aqueles que desprezaram o peso das primeiras rodadas, sempre se escorando no velho mantra de que “ainda há muito campeonato pela frente”. Em 2026, essa ilusão pode custar caro demais.

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O Brasileirão começa nesta quarta-feira. E começa sem rede de proteção. O desafio está lançado, o calendário não perdoa e o tempo para ajustes é mínimo. Corrigir o plano de voo com o avião em curso sempre foi arriscado. Em um ano como este, pode ser fatal. Aguenta, coração!

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