A CBF trabalha para reassumir a criação de uma liga de clubes no Brasil. Em uma iniciativa inédita nos últimos anos, a Confederação Brasileira de Futebol reuniu presidentes de clubes e de federações estaduais nesta segunda-feira em um hotel no Rio para dar o primeiro passo em direção a um novo modelo de gestão do Campeonato Brasileiro. O encontro marcou o início formal do processo conduzido pela entidade — com uma diferença importante: sem a presença de intermediários e agentes privados. Empresas que participaram das discussões recentes sobre a criação da liga não foram convidadas.

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Nos últimos anos, o debate sobre a liga ganhou força a partir da divisão dos clubes em dois blocos: Libra e Forte Futebol União. Cada grupo seguiu caminhos próprios na tentativa de estruturar um novo modelo comercial e de governança para o futebol nacional. O que era para unir, separou. Agora, a proposta da CBF é reunir os clubes das Séries A e B em torno de um projeto único e comum a todos. Até aí, a iniciativa vai bem. O problema é na hora da divisão do dinheiro. Todos querem mais.

CBF trabalha para retomar a organização de uma liga para o futebol brasileiro: reunião com clubes no Rio / CBF

Durante a apresentação nesta segunda-feira, a entidade exibiu estudos comparativos com ligas europeias consolidadas, como a Premier League e a La Liga, destacando o potencial de crescimento de receitas caso o futebol brasileiro adote um modelo semelhante de organização. Isso já foi feito no passado. E os números eram ótimos. A CBF dá passos para trás nesse sentido. A condução do encontro ficou a cargo do vice-presidente da CBF, Gustavo Dias, que reforçou a ideia de que a futura liga, ainda sem nome, deve nascer com protagonismo dos clubes. O discurso é o mesmo de sempre.

Como o Clube dos 13

Segundo ele, a entidade pretende atuar como mediadora e facilitadora do processo, mas sem centralizar as decisões. A CBF já teve um modelo parecido, liderado pelo Clube dos 13. Não deu certo pelo mesmo motivo. Clubes como Flamengo e Corinthians queriam ganhar mais dinheiro. A nova proposta é que os próprios clubes definam o formato da liga, seu estatuto e o modelo comercial que será adotado. Também há um problema aqui. Porque os clubes não sabem fazer isso nem vão chegar a um acordo total. É exatamente o que ocorre. O futebol brasileiro precisa de um comando. Os dirigentes brasileiros não estão preparados para abrir mão de nada.

O ex-presidente Ednaldo Rodrigues entregou aos clubes a prerrogativa de organizar uma liga. Em troca, todos votariam em sua reeleição na CBF. As duas coisas aconteceram. Nenhuma delas deu certo.

Nos bastidores, a exclusão de intermediários foi interpretada como um movimento estratégico da CBF para retomar o controle das negociações e reduzir a influência de grupos empresariais que já possuem contratos vinculados à exploração comercial do campeonato. No caso do Forte Futebol União, por exemplo, há acordos firmados com investidores para a exploração de direitos comerciais por um período de até 50 anos. Se o jogo mudar, os clubes podem ter de devolver receitas e pagar multas.

Há um cronograma de ações

A CBF estabeleceu um cronograma inicial para avançar na discussão. Entre maio e julho, os dirigentes devem trabalhar na elaboração de uma proposta de unificação entre os blocos de clubes. Entre agosto e setembro, o projeto será apresentado e ajustado antes de uma eventual aprovação. A etapa final, entre outubro e dezembro, prevê a redação do estatuto da futura liga e o início das negociações comerciais.

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Temas estruturais como padronização de estádios, regras financeiras e modelo de distribuição de receitas também fazem parte do pacote de discussões — embora ainda não tenham sido aprofundados nesta primeira reunião. Depois de anos de disputas internas entre os próprios clubes, o futebol brasileiro volta a tentar dar um passo em direção a um modelo mais organizado de gestão. A criação de uma liga independente é vista por dirigentes como uma possibilidade de modernizar o campeonato e ampliar o valor comercial do Brasileirão. Mas, como mostrou a história recente, o caminho até esse consenso ainda promete ser longo. Nada se falou ainda dos direitos de transmissão e de seus detentores. Há contratos assinados até 2030.

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