Renato Gaúcho está de volta ao Grêmio. A contratação anunciada nesta segunda-feira abre a quinta passagem do maior ídolo recente do clube como treinador e reforça uma relação que parece nunca encontrar um ponto final. É um número expressivo, mas não inédito. E também não é o recorde de trabalhos de técnicos entre os 20 clubes que disputam a edição da Série A do Campeonato Brasileiro Com direito a uma comemoração discreta pelos 123 anos do Grêmio, Renato Gaúcho foi apresentado ao elenco, nesta terça-feira, no hotel na concentração no Rio de Janeiro. O técnico não comanda a equipe no duelo com o Botafogo, nesta quarta-feira, às 19h30, no Nilton Santos, em jogo adiado da 21ª rodada do Nacional. Luiz Felipe Scolari, o Felipão, será o interino.

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Levantamento do The Football mostra treinadores que não apenas atingiram cinco ciclos diferentes no mesmo clube, como ultrapassaram a marca. O recordista é Abel Braga, com oito passagens pelo Internacional. Depois aparecem o próprio Renato no Fluminense, oficialmente com sete contratos, e Marcelo Veiga, que chegou a seis trabalhos no Bragantino. Tem ainda Geninho, à frente do Vitória.

Renato Gaúcho, presidente Odorico Roman e Felipão seguram a camisa do Grêmio na festa de 123 anos do clube / Grêmio

No Grêmio, a história de Renato à beira do campo começou em 12 de agosto de 2010. Ele retornou em 2013, novamente em 2016, depois em 2022 e agora, em setembro de 2026. São cinco trabalhos separados por saídas e recontratações em pouco mais de 16 anos. O novo contrato vai até o fim da temporada e começa com o Tricolor na luta contra o rebaixamento do Brasileiro e classificado para a semifinal da Copa do Brasil. A recorrência impressiona. Mas basta olhar para o outro lado de Porto Alegre para encontrar uma relação ainda mais extrema.

Abelão no Inter

Abel Braga, o Abelão, comandou o Internacional pela primeira vez em 1988. A relação atravessou décadas, diferentes administrações e gerações de jogadores até chegar, em novembro de 2025, à oitava passagem. O clube recorreu ao treinador para as rodadas finais do Brasileiro daquele ano. Poucas semanas depois, ele deixou a função de treinador e passou a exercer o cargo de diretor técnico.

Renato voltou ao Flu em abril de 2025, o Tricolor anunciou como sendo a sua sétima passagem como treinador. A contagem do Flu inclui 1996, quando Renato acumulou funções de jogador e técnico, além dos trabalhos de 2002, 2003, 2007/08, 2009 e 2014. Ou seja: antes de chegar pela quinta vez ao Grêmio, Renato já havia ultrapassado essa marca em outro clube.

Na sequência aparece Marcelo Veiga (7 de outubro de 1964 a 14 de dezembro de 2020), nome ligado à história do Bragantino, hoje Red Bull Bragantino. Contratado novamente em agosto de 2017, iniciou sua sexta passagem. As anteriores ocorreram entre 2004/05, 2006/07, 2007/12, 2013/14 e 2016. Somados os seis trabalhos, Veiga ultrapassou a barreira dos 500 jogos pelo clube. Geninho a mesma quantidade à frente do Vitória, em 1994, 1995, 1998, 2011 e 2019/20 e 2022.

Outros com cinco passagens

A quinta passagem também aparece em diferentes pontos da atual Série A. Vanderlei Luxemburgo chegou pela quinta vez ao Palmeiras em 2020, tanto que recebeu uma camisa de número cinco na apresentação. Antônio Lopes comandou cinco trabalhos no Athletico-PR em 2000, 2005, 2007, 2009 e 2011 Levir Culpi atingiu a marca de cinco passagens pelo Atlético-MG, em ciclos iniciados em 1994, 2001, 2006, 2014 e 2018 — trabalhos que se estenderam, respectivamente, por 1994/95, 2001/02, 2006/07, 2014/15 e 2018/19. Givanildo Oliveira chegou à quinta passagem pelo Remo em 2018, após comandar o clube em 1993, 1994, 2003 e 2011. Joel Santana conseguiu o feito em dois clubes: no Flamengo, trabalhou em 1996, 1998, 2005, 2007/08 e 2012; e no Vasco, as cinco passagens começaram em 1986, 1992, 2000, 2004 e 2014.

Técnicos recordistas em passagens pelos clubes da Série A do Brasileirão

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Portanto, o retorno de Renato ao Grêmio não configura recorde nem mesmo quando o critério é a velocidade com que as cinco passagens foram acumuladas.

Ainda assim, poucos exemplos simbolizam tão bem a dificuldade de romper uma ligação. Desde que iniciou sua terceira passagem, em setembro de 2016, Renato passou quase sete dos últimos dez anos trabalhando no Grêmio. Ficou até abril de 2021, voltou em setembro de 2022, saiu no encerramento de 2024 e, menos de dois anos depois, recebe mais uma vez o chamado. Há, portanto, algo maior que o número cinco.

Renato virou uma solução recorrente do Grêmio. Mudam presidentes, dirigentes, jogadores, adversários e circunstâncias. O clube inicia outros projetos, tenta caminhos diferentes e, quando novamente precisa procurar respostas, acaba voltando a um nome conhecido.

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