Nova Jersey — Ferran Torres não começou a final da Copa do Mundo em campo, mas terminou a noite como o nome que a Espanha jamais vai esquecer. O atacante entrou no lugar de Oyarzabal e, no começo do segundo tempo da prorrogação, fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Argentina no MetLife Stadium. Foi o chute que derrubou Messi, coroou a melhor seleção da Copa e colocou a La Roja de volta ao topo do mundo.

A Espanha voltou a ser campeã mundial com justiça. O time de Rodri, Lamine Yamal, Pedri, Dani Olmo e do técnico Luis de la Fuente engoliu a Argentina durante 120 minutos de bola rolando. A final teve drama, tensão, cansaço, expulsão argentina e um gol tardio. Mas nunca deixou de ter um dono. A bola foi espanhola do começo ao fim.

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Espanha apaga Messi

O gol de Ferran consagrou uma seleção paciente, insistente e, para muitos adversários, irritante. A La Roja não tem pressa. Toca, roda, espera, chama o rival para correr atrás da bola e vai minando o adversário como quem aplica socos no fígado em uma luta de boxe. Foi assim durante a Copa. Foi assim também na final em New Jersey.

espanha Ferran Torres explode de alegria e é perseguido pelos companheiros após marcar o gol do título
Ferran Torres explode de alegria e é seguido pelos companheiros após marcar o gol do título da Espanha / Sefutbol

A Argentina resistiu enquanto pôde. Resistiu mais do que jogou. Perdeu sem acertar um chute no gol. Tentou duas vezes para fora. Foi presa fácil para uma Espanha que controlou todos os caminhos da decisão. Messi, aos 39 anos, foi até onde o corpo permitiu. E foi longe demais para alguém em sua sexta Copa do Mundo. Nesta final, porém, esteve distante do seu melhor. O camisa 10 se despede dos Mundiais com brilho, recordes, oito gols nesta edição e mais uma final na conta, mas sem o bicampeonato que transformaria sua história em algo ainda mais inacreditável. A derrota não diminui Messi em nada. Ele continua sendo o que é: um gênio. A Copa foi dele. Mas o troféu foi da Espanha.

Nem mesmo Messi vence sozinho para sempre. A Argentina teve alma, torcida, camisa e orgulho, mas não teve bola. Enzo Fernández foi expulso após receber o segundo cartão amarelo e deixou a equipe ainda mais frágil diante de uma Espanha que já mandava no jogo. A partir dali, a final passou a ter apenas uma pergunta: quando a bola espanhola encontraria o caminho do gol?

Ferran Torres iluminado

Demorou mais do que todos imaginaram. Mas o time encontrou o gol com Ferran Torres. O atacante entrou para mudar a história de uma final que parecia caminhar para os pênaltis. Fez o gol do título, consagrou a geração espanhola e confirmou uma seleção que chegou à Copa como candidata forte, atrás apenas da França, de Mbappé. Cresceu no torneio até se tornar a melhor equipe da competição.

A decisão deste domingo sempre esteve nos pés da Espanha, e dessa forma entrará para a história. Luis de la Fuente recuperou o espírito da La Roja que encantou o mundo em 2010, na África do Sul, mas atualizou o modelo com mais intensidade, juventude e agressividade. Ele conhece os jogadores muito bem, desde a base. Também apresentou ao mundo Lamine Yamal. O menino de 19 anos não precisou fazer o gol da final para ser símbolo da conquista. Ele é a imagem de uma Espanha que joga como adulta, mas ainda tem futuro de sobra.

Nas tribunas de honra, Donald Trump acompanhou a decisão ao lado da primeira-dama e de Gianni Infantino. Talvez sem entender totalmente o que via, assistiu a uma aula de posse, paciência e controle. O MetLife teve festa argentina, presença maciça sul-americana e emoção até o fim. Mas a bola nunca foi da Argentina. A torcida empurrou, cantou, acreditou e jamais abandonou o time. Só que a Espanha não emprestou o jogo.

Espanha Messi desolado
‘Messidependência’ não funciona na partida mais importante da Copa, e Argentina é engolida pela Espanha / Afaseleccion

Fim do ciclo de Messi

Messi deixa a Copa com oito gols, atrás apenas de Mbappé, artilheiro da edição com dez. Também viu o francês assumir a liderança histórica dos goleadores dos Mundiais, com 22 gols. Ainda assim, o argentino saiu maior do que entrou. Jogou sua última Copa como protagonista, levou a Argentina a mais uma final e encerra duas décadas de Mundiais como uma lenda absoluta. Nada mudará a imagem de Messi em 2026. Nem as barbaridades de seus companheiros, como Paredes, que apelaram para brigas e socos com os espanhóis porque são maus perdedores e nunca estarão à altura do seu líder em campo.

Mas a taça ficou com a Espanha. E ficou com justiça. Mais do que vencer a Copa de 2026, a seleção espanhola espalhou pelo mundo uma ideia de futebol. Uma escola que privilegia a bola, o passe, o meio-campo, a paciência e a inteligência coletiva. É uma lição para quem acha que identidade se compra ou se importa. O Brasil, por exemplo, não precisa abrir mão do seu DNA para tentar fazer o que não sabe.

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A Espanha mostra o contrário. Ganha porque acredita no que é. Ganha porque gosta da bola e não a entrega por nada. Ganha porque entende que controlar o jogo ainda é uma forma poderosa de atacar e de jogar futebol. Em uma Copa de shows, anéis, ingressos caríssimos e espetáculo à moda americana, o título ficou com quem fez do futebol a sua maior atração. A Espanha é campeã do mundo. E Ferran Torres entrou para sempre na história das Copas.

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