O Fluminense que há menos de um mês atravessava uma sequência de oito partidas sem vitória agora está a 90 minutos de voltar à semifinal da Copa Libertadores. A transformação tem nome, números e uma consequência cada vez mais evidente: com Marcão, o time reencontrou confiança, voltou a competir em alto nível e passou a tirar novamente rendimento de jogadores importantes. Hulk talvez seja o retrato mais acabado dessa mudança.
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Nesta terça-feira, no Maracanã, o Tricolor venceu o Platense por 2 a 0 no primeiro jogo das quartas de final e construiu uma vantagem considerável para a volta, marcada para a próxima terça, dia 15, às 19h (horário de Brasília), no Estádio Ciudad de Vicente López, na Argentina. Pode até perder por um gol de diferença que estará classificado. Um triunfo argentino por dois leva a decisão para os pênaltis.

Fluminense ganha corpo e alma
Mais relevante que a vantagem, porém, é entender como o Fluminense chegou até ela. Marcão assumiu o comando depois da demissão de Luis Zubeldía, em 13 de agosto, com uma equipe pressionada pela falta de resultados e sobretudo pelo rendimento ofensivo. Naquele momento, o Fluminense acumulava oito jogos sem vencer e havia marcado somente quatro gols nas sete primeiras partidas depois da pausa para a Copa do Mundo.
Menos de um mês depois, o cenário é outro. A vitória sobre o Platense levou Marcão a seis jogos de invencibilidade, com quatro vitórias e dois empates. Antes mesmo das quartas de final, aquele já era o melhor início do treinador em suas diferentes passagens pelo comando tricolor: três triunfos e duas igualdades nas primeiras cinco partidas. Não significa que o Fluminense tenha se transformado em um time perfeito. Significa algo talvez mais importante para uma competição eliminatória: voltou a ser confiável.
Contra o Platense, essa confiança apareceu cedo. Nonato abriu o placar aos 20 minutos do primeiro tempo e Hulk ampliou aos 29 minutos. Em menos de meia hora, o Tricolor havia construído exatamente o tipo de vantagem que precisava para evitar que uma eliminatória contra um adversário disposto a sobreviver se transformasse em armadilha. O contexto valorizava ainda mais a necessidade de fazer o dever de casa.
O Platense chegou ao Maracanã disputando sua primeira Libertadores e havia avançado nas oitavas depois de dois jogos sem vitória sobre o Coquimbo Unido — 1 a 1 na Argentina e 0 a 0 no Chile — antes de se classificar nos pênaltis. Além disso, trazia apenas duas vitórias nos 11 jogos anteriores no tempo normal. O Fluminense fez aquilo que um candidato ao título precisa fazer diante desse tipo de adversário: não deixou a decisão permanecer equilibrada por mais uma semana.
Hulk é o símbolo da mudança
Se existe um jogador capaz de personificar a transformação promovida desde a chegada de Marcão, ele veste a camisa 7. Hulk chegou ao Fluminense em maio carregando o peso do nome e da expectativa. A adaptação, porém, foi complicada. Antes de Marcão assumir, havia disputado sete partidas pelo clube e marcado apenas uma vez, contra o Grêmio, em 26 de julho. Chegou inclusive a perder espaço na disputa pela titularidade para John Kennedy.
A troca de comando mudou a curva. Hulk marcou contra o Palmeiras, na estreia de Marcão, voltou a balançar a rede diante do Remo e fez outro contra o Athletico-PR. Eram três gols nos cinco primeiros jogos do treinador. Nesta terça-feira, contra o Platense, veio o quarto em seis partidas. Ou seja: antes de Marcão, Hulk tinha um gol em sete jogos pelo Fluminense. Com Marcão, são quatro em seis.
Não é apenas uma recuperação estatística. O atacante passou a assumir protagonismo em partidas importantes. Contra o Palmeiras, abriu caminho para a vitória de virada por 3 a 2. Contra o Remo, iniciou outra reação. Diante do Athletico-PR, além de marcar de falta, participou de outro gol. Na ocasião, o próprio Marcão destacou que Hulk havia superado um período de adaptação e estava cada vez mais integrado aos treinamentos, às conversas e ao grupo. Agora apareceu de novo como protagonista, desta vez em uma noite de Libertadores.
De sobrevivente a candidato
Há também uma diferença importante na relação do Fluminense com a própria Libertadores. Nas oitavas, o time sobreviveu. Depois de empatar por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia no Maracanã, foi à Argentina, ficou com dez jogadores, arrancou o 1 a 1 e precisou das mãos de Fábio na disputa de pênaltis para avançar. Foi uma classificação construída muito mais na resistência do que na superioridade.
Contra o Platense, o comportamento foi outro. O Fluminense não precisou esperar uma situação extrema para reagir. Aproveitou o mando, abriu vantagem e colocou a responsabilidade da próxima semana inteiramente sobre o adversário. Há simbolismo nisso tudo. O triunfo ocorreu na centésima partida do clube na história da Libertadores. Campeão em 2023, o Fluminense tenta encontrar novamente um caminho longo no torneio em uma temporada que, poucas semanas atrás, parecia escorregar perigosamente para a instabilidade.

Caso confirme a classificação na Argentina, enfrentará Palmeiras ou LDU na semifinal. Os dois times abrem o confronto, nesta quarta-feira, às 19h (horário de Brasília), no Nubank Parque. Ainda falta um jogo. A Libertadores não costuma permitir euforia antecipada, ainda mais fora de casa. Mas os dois gols construíram muito mais do que uma margem no placar. Construíram uma prova concreta de que o Fluminense mudou de direção.
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Marcão pegou um time que havia perdido confiança, devolveu competitividade, recuperou jogadores e ainda não sabe o que é derrota no cargo. Hulk saiu de um gol em sete partidas para quatro em seis sob seu comando. O Fluminense ainda não está na semifinal. Mas voltou a parecer um time capaz de chegar lá.





