Mais do que um jogo de futebol, que definiu entre os ingleses do Manchester City e os sauditas do Al-Hilal qual das duas equipes avançaria para duelar com o Fluminense, pelas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes, o confronto em Orlando valia poder. Bancados por muito dinheiro de fundos de investimento ligados às famílias reais dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, os dois times são usados pelos patrões como uma ferramenta de prestígio para seus respectivos países.

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Segundo estimativas do Observatório de Futebol do Centro de Estudos Internacionais do Esporte, conhecido pela sigla CIES, em Inglês, na última década, sob gestão do xeque Mansour bin Zayed Al-Nahyan, membro da família real de Abu Dhabi, o Manchester City gastou 1,7 bilhão de euros no elenco como ferramenta de propaganda para o emirado.

Presidente do Al-Hilal, Fahd bin Nafel, recebe um presente de Gianni Infantino, da Fifa, antes do jogo com o City / Al-Hilal

O projeto dos sauditas do Al-Hilal é mais recente, mas também é milionário e ambicioso. Os investimentos para transformar o clube em uma das potências da Ásia fazem parte do plano ‘Visão 2030’, que pretende diversificar a economia do país árabe para além da produção do petróleo.

Copa de 2034 será na Arábia Saudita

Não por acaso os sauditas foram à luta – e ganharam o direito de organizar a Copa do Mundo da Fifa em 2034. Isso já está definido. Também estão investindo pesado para transformar o campeonato da primeira divisão de seu país em uma das ligas que mais investem na compra de craques renomados, como o português Cristiano Ronaldo, o brasileiro Neymar (já não está mais no país) e o francês Karim Benzema. Há muitos outros.

A chegada deles ao futebol saudita, a partir de 2023, fez parte de um plano do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman bin Abdulaziz Al Saud para colocar o país árabe com destaque no mapa esportivo. O futebol não é o único esporte levado ao país. Uma série de eventos esportivos fazem parte da agenda da Arábia Saudita.

Camisa do PSG, patrocinada por uma companhia aérea do Catar: time francês é candidato a ganhar o Mundial da Fifa / PSG

O braço executivo do plano saudita é um Fundo de Investimento Público (PIF, na sigla em Inglês). Ele é administrado por Yasir bin Othman Al Rumayyan, presidente do Newcastle e CEO da maior empresa petrolífera da Arábia Saudita. Naquele país, o PIF é o dono dos quatro grandes clubes de futebol: Al-Hilal, Al-Nassr, Al-Ittihad e Al-Ahly, que são em grande parte responsáveis ​​pelo investimento de mais de US$ 1 bilhão em transferências da Saudi Pro League nos últimos dois anos.

Messi, Neymar e Mbappé

Um terceiro vértice deste bilionário e emergente mercado do futebol mundial é o Catar. O país organizou a Copa do Mundo de 2022, investindo pelo menos US$ 220 bilhões para fazer o evento acontecer, de acordo com estudo da Universidade de Michigan. É uma soma cerca de quinze vezes maior do que foi desembolsado pela Rússia em 2018, segundo os autores do estudo.

Em busca de superar a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, a partir de 2011, o QSI, principal fundo soberano do país, tornou-se investidor do PSG. Desde então, injetou cerca de US$ 5,5 bilhões para comprar e manter um dos elencos mais caros da Europa. De modo que chegou a ter três dos mais renomados e caros jogadores do planeta: o argentino Lionel Messi, o brasileiro Neymar e o francês Kylian Mbappé.

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Curiosamente, o PSG chegou ao auge quando o trio foi vendido. Há algumas semanas, em julho, o PSG sagrou-se campeão da Liga dos Campeões, o principal campeonato de futebol do planeta. E é um dos favoritos para vencer a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos. Portanto, se para muitos torcedores, o futebol é uma emocionante diversão, para os dirigentes dos três países árabes, ele rima com bons negócios. Por Fernando Valeika de Barros, de Orlando

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