Um time praticamente perfeito. O Brasil da Copa de 1982 ficou na história como sinônimo de futebol-arte que priorizava um futebol ofensivo e de qualidade técnica reunindo craques como Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo. Todos atuavam em clubes brasileiros e tinham como comandante a personalidade forte de Telê Santana. A Escócia foi o segundo adversário daquela seleção no Mundial da Espanha. O time britânico tinha tido um excelente desempenho nas Eliminatórias Europeias.
A Escócia teve apenas uma derrota no mesmo grupo de Irlanda do Norte, Portugal, Suécia e Israel. O maior mérito do time escocês foi sofrer apenas três gols em oito jogos na fase qualificatória. Aos 31 anos, o goleiro Alan Rough era remanescente da Copa de 1978 e um dos líderes do grupo. Referência do Liverpool, o atacante Kenny Dalglish era o principal nome da seleção escocesa. Camisa 10 clássico, tinha na finalização ambidestra e no giro rápido algumas das suas marcas registradas.

Na estreia da Copa da Espanha, a Escócia encarou a Nova Zelândia, que tinha um time semi-profissional. A partida disputada no Estádio La Rosaleda, em Málaga, contou com 36 mil espectadores. Os escoceses impuseram seu favoritismo e abriram 3 a 0 no primeiro tempo com gols de Dalglish e dois do meio-campista John Warck, que atuava no Ipswich Town, da primeira divisão inglesa. Contudo, na segunda etapa os neozelandeses conseguiram marcar dois gols. Mas o time britânico retomou o controle da partida com gols de John Robertson e Steve Archibald e fechou a vitória por 5 a 2.
Virada brasileira
Já o Brasil venceu na estreia contra o forte time da União Soviética por 2 a 1, com gols de Sócrates e Éder Aleixo. Após a vitória contra a “máquina vermelha”, Telê Santana declarou que os escoceses eram um adversário ainda mais complicado. “Tem jogadores audaciosos, faz uma marcação cerrada e tem um bom esquema de jogo. Um ataque que vive à base de cruzamentos, aproveitando-se de bons cabeceadores. Não podemos deixá-los cruzar”, confidenciou o treinador à imprensa.

Apesar do favoritismo, a Escócia saiu na frente do Brasil no Estádio Benito Villamarín, em Sevilha. Após um cruzamento, o lateral-direito David Narey acertou um chutaço no ângulo superior esquerdo de Valdir Peres. Mas a seleção brasileira permaneceu calma e conseguiu empatar ainda na primeira etapa. Zico fez uma cobrança de falta perfeita encobrindo a barreira e o goleiro. No intervalo, Telê cobrou seus jogadores. “Estivamos lentos, não soubemos marcar a saída de jogo do adversário”, opinou.
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Com um raciocínio diferente, a técnica daquela seleção explodiu no segundo tempo. No início daquela etapa, o lateral Júnior cobrou um escanteio pelo lado esquerdo do ataque brasileiro. O zagueiro Oscar subiu mais alto no meio da defesa e desempatou. Logo depois, Éder aumentou a contagem com um gol de cobertura após passe de Serginho. Já no finalzinho Falcão marcou o tento final num chute de fora da área. Após a partida, o técnico escocês Jock Stein reconheceu a superioridade brasileira: “O Brasil está dando à Copa uma dignidade que ela não teria sem a sua presença”.





