A pergunta era sobre Cuca. A resposta foi sobre o Santos. Pressionado depois da derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR, neste domingo, na Vila Belmiro, o treinador foi questionado se ainda tinha condições de recuperar uma equipe novamente mergulhada na zona de rebaixamento. Não titubeou. Garantiu que pretende permanecer no cargo e, principalmente, deixou claro que considera os problemas do clube maiores do que uma simples mudança de comando.
“De coração, acho que se trocar o comando técnico no Santos não resolverá os problemas dentro e fora do campo. Não é isso que vai resolver”, afirmou Cuca, na entrevista coletiva. A declaração ajuda a dimensionar a situação. O Santos perdeu novamente pelo Campeonato Brasileiro, voltou ao Z-4 e ouviu fortes protestos de seus torcedores na Vila Belmiro. Ao mesmo tempo, continua vivo nas duas competições eliminatórias que disputa: está nas quartas de final da Copa do Brasil e tem pela frente o Macará, quinta-feira, pelas oitavas da Sul-Americana.

Cuca se acha o cara
É justamente aí que está uma das contradições desta temporada. O Santos foi competente para sobreviver aos mata-matas, mas ainda não conseguiu encontrar estabilidade na competição que exige regularidade durante meses. A preocupação com o Brasileiro, aliás, não nasceu neste domingo. Depois do empate com a Chapecoense, Cuca já havia admitido publicamente o receio com a possibilidade de rebaixamento.
Agora, o treinador volta a apontar também para as limitações de um elenco obrigado a suportar três competições simultaneamente. A quantidade de desfalques contra o Athletico-PR ajuda a explicar parte do problema. Neymar estava suspenso, enquanto Igor Vinícius, Moisés, Vinícius Lira, Gustavo Henrique, Pepê Fermino e Lucas Veríssimo também apareciam entre as baixas antes da partida.
A ausência de Neymar, especificamente, ganhou peso na análise de Cuca depois da derrota. “O Neymar faz muita falta, em todos os sentidos, técnica e emocionalmente para a equipe. É um jogador que faz diferença para nós”, reconheceu o treinador. Mas é justamente nesse ponto que também começa a responsabilidade de Cuca. Um time que luta contra o rebaixamento precisa encontrar soluções quando seu principal jogador não está disponível. Contra o Athletico-PR, o Santos não conseguiu. Foi derrotado por 2 a 0 dentro de casa e terminou a noite diante de uma torcida que já demonstrava irritação antes mesmo do apito final.
Respeito ao torcedor
Cuca não tentou minimizar a reação das arquibancadas. Pelo contrário, colocou-se no lugar do santista. “Não vou pedir compreensão ao torcedor. Se eu estivesse na arquibancada, faria igualzinho a eles. Ia achar ruim, e com toda razão”, disse, que acrescentou. “Dia dos Pais, trabalhando e ter um dia assim é horrível para nós. Eu sair do Santos não é bom negócio para o Santos, nem pra mim, nem pra ninguém. Vou buscar dentro das forças que tenho tirar o máximo possível.
É uma mudança significativa de ambiente para um clube que, poucos dias atrás, comemorava a classificação às quartas de final da Copa do Brasil. Naquela ocasião, o treinador valorizava justamente a capacidade do grupo de permanecer competitivo apesar das dificuldades. Agora, o Brasileiro devolveu ao Santos uma realidade muito menos confortável.
O discurso de Cuca também guarda uma coerência com aquilo que ele dizia antes da pausa para a Copa do Mundo. Em maio, quando o Santos também entrou no Z-4 após perder para o Grêmio, o treinador recusou qualquer possibilidade de abandonar o trabalho. Eu não vou largar o boné. Mas de jeito nenhum. Nós vamos virar isso aqui”, afirmou naquela ocasião.

Ambiente perigoso
Quase três meses depois, o problema continua aberto. Isso não significa que a troca de treinador seja necessariamente a solução, como Cuca argumenta. Mas também não permite retirar o técnico da equação. Se o elenco é curto, cabe à direção responder pelo planejamento. Se existem dificuldades fora de campo, elas precisam ser administradas pelo clube. Mas a falta de respostas dentro das quatro linhas também pertence a quem comanda o time.
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E o calendário não oferecerá muito espaço para explicações. Quinta-feira, o Santos volta à Vila para enfrentar o Macará pela Sul-Americana. Poucos dias depois, o Brasileiro reaparece. O Santos chegou a agosto com o privilégio de ainda poder sonhar com duas taças. Agora precisa impedir que justamente essa temporada termine marcada por uma terceira luta contra o rebaixamento. Cuca aposta que trocar o homem no banco não resolverá tudo. A questão, a partir daqui, é descobrir se ele próprio conseguirá encontrar parte das soluções.





