Dá para imaginar o que o técnico italiano Carlo Ancelotti sentiu ali, sentado num dos camarotes da Neo Química Arena, vendo um jogo como este 0 a 0 entre Corinthians e Vitória. Acostumado com anos de glória à frente do Real Madrid, o novo comandante da seleção brasileira deve ter voltado para casa chocado, ao dar de cara com o abismo técnico entre o futebol que se joga no Brasil e o esporte que se pratica lá fora.
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Ruim pra ele, pior para a torcida do Corinthians, que viveu mais um domingo de drama e decepção. O resultado frustrante é mais um duro golpe na rapsódia de desencantos da Fiel — um roteiro que se repete, exaustivo, previsível e frustrante.

Entra ano, sai ano e entra técnico, sai técnico e o corintiano continua sendo iludido, quase enganado, por um time sem alma. Um time que não agride, não propõe e não evolui. E que parece determinado a transformar o sofrimento em rotina. Humilhada com as cenas dantescas de uma política que expõe o clube à beira da vergonha, a torcida já perdeu a paciência também na arquibancada.
Dorival insiste com três volantes
Impaciente, traduziu em coro o que o campo não conseguiu entregar: “Não é mole não, tem que ser homem pra jogar no Coringão”, gritou em coro, quase em desespero por uma mudança de chave que não acontece.
O primeiro tempo foi uma ode ao tédio. Um exercício coletivo de estagnação, travado por um esquema rudimentar, antiquado e covarde. Três volantes. Sempre três. Uma fixação doentia de Dorival por essa formação. Uma convicção que beira a teimosia irracional. O treinador parece disposto a morrer abraçado com ela — e, se deixar, leva junto o time e a paciência de quem assiste.

Sem Yuri Alberto como ponto de referência no ataque, o problema da falta de agressividade se escancara ainda mais. A tática do caranguejo — toque de lado, toque para trás, volta no zagueiro, recomeça — virou o DNA do Corinthians. Maycon e Bidon foram os protagonistas desse teatro do previsível: incapazes de furar linhas, de arriscar um passe mais agudo, de enxergar o jogo para frente.
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A única finalização veio num chute de Memphis Depay, quase por acidente, que não virou gol porque encontrou o rosto do goleiro do Vitória no caminho. E só. Repito: só.
Garro e Memphis
Veio o segundo tempo — e, enfim, algum sopro de vida. A entrada de Rodrigo Garro deu ao meio-campo o que ele não tinha: criatividade, mobilidade e coragem. Mesmo travado pelos volantes que se negam a jogar para frente, Garro conseguiu costurar algumas boas combinações, especialmente com Memphis e Talles Magno. Mas o time, ainda assim, produziu pouco. Muito pouco.
A rigor, a melhor (ou única) chance real saiu dos pés do próprio Garro, numa cobrança de falta aos 39 minutos. A bola beijou a trave, raspou a esperança e saiu pela linha de fundo. O 0 a 0 foi até o fim. Mais uma decepção pintada em preto e branco. Um empate com sabor de derrota, servido diante de 45 mil torcedores e dos olhos atentos do novo técnico da seleção. A verdade? Ninguém merecia esse espetáculo. Nem a torcida. Nem Ancelotti.





