O Corinthians voltou a ser notícia fora de campo — e, mais uma vez, pelos piores motivos. Segundo apuração do ge.com, o clube acumula mais uma condenação na Fifa: deixou de pagar ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, o valor acordado pela contratação do venezuelano José Martínez, em agosto de 2024. Dos US$ 1,7 milhão combinados, apenas US$ 200 mil foram quitados. Todo o restante venceu de uma só vez após o primeiro calote, em dezembro do ano passado. O Union recorreu à Fifa, que puniu o Timão, e agora o caso está no Tribunal Arbitral do Esportes (CAS), onde o clube brasileiro já sabe que não terá êxito.

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Este é o quinto episódio recente de inadimplência que expõe o Corinthians a riscos crescentes de transfer ban e a uma degradação de imagem sem precedentes. Um clube que fatura mais de R$ 1 bilhão por ano, hoje tornou-se sinônimo de mau pagador. É vergonhoso e incompreensível como a marca Corinthians, uma das mais valiosas do país, foi arrastada a esse patamar.

Augusto Melo, presidente afastado do Corinthians, deixou o clube com dívidas credores cobrando o clube / Corinthians

A lista de pendências é constrangedora:
•   R$ 40 milhões ao Santos Laguna, do México, por Félix Torres;
•   R$ 41,3 milhões ao paraguaio Matías Rojas, em processo no CAS, sob risco de novo transfer ban;
•   R$ 23,3 milhões ao Talleres, da Argentina, por Rodrigo Garro;
•   R$ 6,7 milhões ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, pelo empréstimo de Maycon;
•   R$ 8 milhões ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, por José Martínez.

Deixou de pagar R$ 120 milhões

Somando, é um rombo que ultrapassa os R$ 120 milhões — sem contar outras dívidas históricas. A diretoria eleita após o impeachment de Augusto Melo se vê obrigada a gerir o caos “vendendo o almoço para comprar o jantar”.

Nesta semana, por exemplo, comemorou-se apenas o pagamento dos prêmios pelo título paulista, quitados meses depois da conquista. Um alívio pontual, que nada resolve diante da bola de neve que continua rolando. O Corinthians vive, portanto, uma contradição cruel: ainda movimenta multidões, enche estádios, ostenta faturamento bilionário, mas perdeu o respeito e a credibilidade no mercado.

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Sem crédito, sem confiança e sem capacidade de investimento, o risco de apequenamento esportivo é real. Dentro de campo, resta ao elenco transformar em combustível a própria humilhação fora dele, como se verá no próximo domingo contra o poderoso Flamengo em Itaquera. O problema, no entanto, não cabe mais apenas aos jogadores. É estrutural, institucional e ético. O Corinthians não pode seguir brincando de clube gigante com práticas de caloteiro.

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