Abel Ferreira está no Palmeiras desde 30 de outubro de 2020. Isso dá quase cinco anos e nove meses. É muito tempo de posicionamentos e reflexões profundas sobre futebol, calendário, família e lições de vida que movimentaram as entrevistas do treinador ao longo desse período. Durante a parada para a Copa do Mundo, o clube resolveu fazer uma homenagem ao treinador por sua vitoriosa trajetória, com direito a um espaço exclusivo na sala de troféus.

Houve um evento especial, e nele a presidente Leila Pereira exaltou o trabalho e a pessoa do português, como faz costumeiramente. A parceria com a mandatária é pedra fundamental da permanência até o final de 2027, que coincide com o fim da gestão de Leila. Por isso, Abel estará no banco de reservas até o fim do ano que vem, independente da ala que insiste em pedir sua cabeça.

Abel Ferreira foi homenageado com um espaço especial na sala de troféus do clube e ficou emocionado / Palmeiras

Quando pegou o microfone para iniciar seu discurso, muitos poderiam apostar que as palavras direcionariam um dos seus temas prediletos. Existe até uma parte da torcida que brinca que há um “bingo do Abel” nas suas entrevistas, tamanha a recorrência dos temas. Mas não. Ele olhou para frente, para as novas disputas. Se reconectou com boa parte da torcida, a representou como há algum tempo não fazia.

Tenho o sonho de voltar a ganhar a Libertadores.
Abel Ferreira

“Esse é meu sonho nesse momento. Ano passado bateu na trave e sabemos porque. Esse ano vamos mais uma vez tentar. Não posso prometer títulos. Gosto de sentir esse prazer esse sabor e isso que nos move, em busca dos títulos, e isso que nos move.”, completou, supondo que a derrota para o Flamengo na final tenha tido fatores outros além da bola.

Aquele Abel do início

Entre o “Fora, Abel” e os “Abelizados”, há uma outra turma que quer apoiar o treinador, mas tem ressalvas com essa faceta que reclama bastante e, muitas vezes, até fica policiando como o palmeirense deve ou não torcer. Ela quer o Abel lá do início, ou, como dizem, o “Abel do Velho Testamento”.

E o discurso do treinador, declarando o sonho de vencer a Libertadores pela terceira vez, vai ao encontro do “antigo Abel. A história segue sólida, imortalizada. São 11 títulos, que o deixa no topo da lista dos técnicos mais vitoriosos do clube. Em outro determinado momento, ainda com o microfone em mãos e emocionado, o português declarou que parecia “que estava sendo apresentado no Palmeiras outra vez”. E isso não aconteceu por acaso.

Agrado calculado

O elenco palmeirense voltou aos trabalhos em 24 de junho e o evento de homenagem não aconteceu lá no início do Mundial. Nem no meio. Foi em 17 de julho, dois dias antes da final da Copa, que celebraria a conquista da Espanha. Abel já demonstrou outras vezes que precisa sentir essa “gratidão”, que a tem como combustível. Não esquece determinados momentos de tensão com parte da torcida. Vaidade ou não, correto ou não, está no pacote.

E, claro, Leila Pereira sabe disso. Inclusive divide o sonho de ir ao topo da América antes de seguir seus novos desafios, por assim dizer. Preparar uma homenagem a Abel às vésperas da retomada pós-Copa foi justo, mas também estratégico. Reacende o fogo e coloca o foco na lente de aumento para quando a bola volta a rolar, nesta quarta-feira, dia 22. Pelas postura e pelas palavras de Abel, o objetivo foi alcançado.

O grupo de jogadores já sabe disso. Não apenas pelas palavras do discurso aberto, mas pela cobrança que há intramuros e sem meias palavras. Abel insiste pela contratação de Danilo, como também deixou claro em reunião antes da Copa que fazia questão que a diretoria segurasse Allan e Flaco López após o Mundial. Os dois ficaram. A cúpula se desdobra para concluir o retorno do volante. Abel tem moral. E, ao que parece, está com fome.

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