Por 106 votos a 68, o Conselho Deliberativo do Corinthians deu sinal verde a um balanço que escancara o tamanho do rombo financeiro no clube: R$ 2,72 bilhões em dívidas e um déficit de R$ 143,4 milhões em 2025. A conta fecha no papel, mas está longe de ser engolida pela torcida e profissionais sérios do futebol brasileiro. O número que mais importa não é o da aprovação. É o da dependência.

Saiba tudo sobre o Corinthians 

O Corinthians arrecadou R$ 810 milhões na temporada passada e gastou R$ 885 milhões. Mas somando a depreciação, amortização e resultados não operacionais, chegou-se ao déficit de R$ 143,441 milhões. Esse é o tamanho do novo rombo das contas corintianas. O clube vive uma rotina de antecipações, renegociações de boletos e ajustes emergenciais para manter o fluxo de caixa. A dívida da Neo Química Arena, sozinha, representa R$ 723 milhões — um peso estrutural que atravessa gestões.

Osmar Stábile, presidente do Corinthians: contas de 2025 aprovadas com dívida acumulada de R$ 2,7 bi / Reprodução

A auditoria independente feita no clube recomendou a aprovação das contas com ressalvas, como se mandasse um recado para os mesmos dirigentes que há anos gastam mais do que arrecadam no Parque São Jorge. Aprovar as contas nessas condições é fazer vistas grossas para os mandos e desmandos no clube.

Ninguém sabe o que foi aprovado

Há uma dependência clara de acordos financeiros para manter a operação em pé. A fragilidade no controle interno é gigantesca. Há ainda dúvidas sobre lançamentos no balanço — como o acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que reduziu uma dívida bilionária de R$ 200 milhões. Ocorre que a manobra foi firmada neste ano, mas ela aparece na conta de 2025. A bagunça é generalizada, portanto. A verdade é que ninguém sabe ao certo o que foi aprovado.

No futebol, costuma-se dizer que o resultado mascara o desempenho. No Corinthians, a aprovação mascara o risco. Internamente, o processo também carrega marcas políticas assustadoras. O exercício atravessa duas gestões: começa com Augusto Melo, que sofre um impeachment e termina com o ano Osmar Stábile.

Casa da mãe Joana

A aprovação teve peso decisivo dos conselheiros vitalícios — um detalhe que ajuda a entender o placar, mas não resolve o problema. Na verdade, só abre caminho para que tudo permaneça como está: uma casa da mãe Joana, com a sujeira levada para debaixo do tapete sem remorso.

R$ 76 milhões da Nike

Porque o problema da aprovação das contas não é apenas de votação. É de modelo de gestão e governança. O Corinthians opera no limite. Antecipou R$ 76 milhões em receitas recentes para respirar no caixa. Viu sua dívida com o sistema financeiro crescer em questão de semanas. Os boletos voam de todos os lados. O cenário deste promete ser ainda pior nas finanças.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Tik Tok

O Corinthians não está quebrado no discurso nem na tradição e força de sua camisa. Mas está pressionado na prática. Sem rumo. Navega para onde os ventos sopram sem saber onde esse movimento o levará. E isso cobra um preço que não aparece no balanço: planejamento curto, decisões reativas e um futebol que, muitas vezes, precisa resolver o que a gestão não consegue controlar. A conta foi aprovada. Mas a realidade é de reprovação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui