O Corinthians deve confirmar nesta terça-feira a renovação de contrato com Memphis Depay por dois anos, até junho de 2028, depois de uma das maiores reviravoltas da atual temporada do clube. O Conselho de Orientação (CORI) do clube deu parecer favorável ao novo acordo e o presidente Osmar Stabile sinalizou que vai seguir a recomendação e assinar o novo vínculo. O holandês é esperado no CT Joaquim Grava para participar dos últimos detalhes da negociação. Depois, ainda precisará regularizar o visto de trabalho para voltar a jogar.

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Para chegar nisso, o caminho foi turbulento. Há cerca de uma semana, o próprio Corinthians anunciou que havia desistido da renovação para preservar a saúde financeira do clube. A decisão provocou reação imediata da torcida, que não entendeu como um contrato encaminhado poderia ser abandonado tão perto da assinatura. Memphis também reagiu e avisou que a mudança de postura não ficaria sem consequências. E isso balançou as estruturas do Parque São Jorge.

Memphis Depay está pronto para renovar o seu contrato com o Corinthians por mais dois anos / Corinthians

O problema financeiro ficou ainda maior com a dívida que o Corinthians mantém com o jogador. O clube deve cerca de R$ 77 milhões a Memphis, e a conta poderia chegar a R$ 180 milhões caso sejam considerados os valores indenizatórios relacionados à desistência da renovação depois da aprovação dos exames e da troca das minutas contratuais. A permanência do atacante passou, portanto, a ser também uma maneira de tentar controlar um passivo que poderia crescer.

Salário menor e ajuda de marcas

O novo acordo será diferente daquele que havia sido discutido anteriormente. A proposta original previa salário de R$ 1,9 milhão por mês, valor já inferior aos cerca de R$ 3,5 milhões que Memphis recebia. Agora, o Corinthians trabalha com uma nova redução salarial e também conta com a participação de duas empresas para ajudar a viabilizar a operação. Foi essa nova configuração que levou o CORI a aprovar a contratação. O órgão não tem poder definitivo para aprovar a renovação, mas seu parecer tem peso. O presidente do conselho, Miguel Marques e Silva, explicou que a recomendação favorável ocorreu porque os valores foram reduzidos e houve a entrada de empresas para auxiliar no negócio. A avaliação foi de que, nas condições anteriores, a renovação não seria recomendável.

Stabile havia colocado o Corinthians diante de uma escolha complicada ao desistir do acordo. De um lado, estava a necessidade de controlar uma situação financeira delicada, com salários, dívidas e transfer bans pressionando o clube. Do outro, estava Memphis, um dos principais jogadores do elenco e também um ativo importante dentro e fora de campo. A pressão da torcida e o risco de uma disputa financeira com o atacante fizeram o presidente reabrir as conversas. E também a possibilidade de ele concorrer às próximas eleições com algum apoio.

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Fernando Diniz entrou na discussão. O treinador já havia manifestado o desejo de contar com Memphis e voltou a defender a permanência do holandês depois da derrota para o Cruzeiro em casa. Para ele, a presença do atacante representa uma possibilidade de aumentar a qualidade ofensiva do time em um momento em que o Corinthians precisa reagir no Campeonato Brasileiro e reorganizar seu futebol.

Quem vai pagar a conta?

Se a assinatura acontecer nesta terça-feira, o Corinthians encerra uma novela que o próprio clube criou e depois precisou reescrever o capítulo final. Memphis deve continuar sendo um dos jogadores mais importantes do elenco, mas a renovação também deixa uma pergunta para a diretoria: como pagar o que deve e, ao mesmo tempo, sustentar um contrato desse tamanho? O acordo pode devolver tranquilidade ao vestiário e à torcida, mas não elimina a crise financeira que colocou a permanência do holandês em risco.

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