A tarde na Neo Química Arena terminou como tantas outras em Itaquera neste Brasileirão: com frustração. O empate por 1 a 1 com o Fortaleza manteve o Corinthians estagnado na zona intermediária da tabela — nem tão perto do pelotão da frente nem tão longe da zona de rebaixamento. Foi mais uma derrapada em casa, agravado pelo histórico: o time cearense jamais havia vencido em Itaquera, e chega à 18ª rodada mergulhado em instabilidade, ainda tentando se reencontrar após a saída de Juan Pablo Vojvoda.

Parecia, pois, o adversário ideal para uma boa vitória que pudesse embalar o time e a confiança da torcida num momento de decisão.

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Mas o plano não deu certo. O que alivia, ainda que minimamente, a decepção da Fiel é o contexto. Dorival Júnior decidiu poupar os titulares pensando no duelo decisivo com o Palmeiras, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Foi a única cartada possível para reduzir o impacto do empate. E a arquibancada aceitou, mas mandou um recado direto e reto: “É quarta-feira! É quarta-feira!”, gritou em coro ao fim da partida, deixando claro que o empate só será perdoado se for seguido de uma classificação no clássico.

Era para Depay ter sido poupado contra o Fortaleza para o jogo com o Palmeiras, mas Dorival preciso dele / Corinthians

Fosse outro o cenário — se não houvesse o mata-mata à vista —, Dorival certamente estaria mais uma vez na berlinda. A escalação inicial foi fraca, desconexa, um onze recheado de reservas que já provaram outras vezes que não estão à altura do desafio. O desequilíbrio do elenco é flagrante nesses momentos. Foi um primeiro tempo jogado no lixo. Exatamente como havia acontecido contra o Botafogo: apatia, lentidão e erros básicos.

Corinthians empata com os titulares

Só com a entrada dos titulares na segunda etapa o Corinthians assumiu o controle e passou a jogar com a autoridade que a situação exigia. Mesmo assim, com o nervosismo de fazer as coisas acontecerem, o time sofreu para achar o gol.

Muita gente já tinha ido embora sem esperança. O time perdia desde os cinco minutos de jogo, em mais um erro de posicionamento da defesa. Precisou correr mais do que devia para buscar o empate, que só veio aos 49 do segundo tempo, com Carrillo aproveitando rebote do goleiro cearense. O gol deu alívio, mas não apagou a sensação de que o Corinthians desperdiçou mais uma chance de se impor em casa contra um adversário inferior.

Dorival nem venceu nem poupou

E mais: vale discutir o real valor da estratégia de poupar os titulares. Garro, Memphis, Yuri Alberto e Matheuzinho jogaram todo o segundo tempo, enquanto Carrillo entrou nos 30 minutos finais — todos sob a pressão de um placar adverso e da obrigação de mudar a história do jogo. Isso, por si só, eleva o nível de desgaste físico e mental, tornando questionável a ideia de preservação. Na prática, Dorival nem venceu nem poupou. O plano falhou.

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Agora, passou. O que havia para ser feito contra o Fortaleza ficou para trás. O próximo passo é decisivo, e o recado já foi dado pelas arquibancadas: o torcedor aceitou o empate porque entende a prioridade. Mas espera, em troca, a classificação contra o maior rival. Na quarta-feira, não há desculpas. A obrigação é corresponder. “É quarta-feira!”

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