O Corinthians liberou Breno Bidon para ouvir e negociar uma proposta do Besiktas, da Turquia. O clube turco oferece 18 milhões de euros pela contratação definitiva do meio-campista de 21 anos, valor que corresponde a cerca de R$ 106 milhões. O Corinthians é dono de 90% dos direitos econômicos do jogador. A negociação ainda precisa avançar para que o atleta defina o seu salário e as demais condições do contrato, mas a autorização dada pelo presidente Osmar Stabile mostra que o clube paulista está disposto a fazer o negócio.

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A situação foi confirmada pelo The Football com pessoas ligadas ao jogador. A proposta prevê um contrato mínimo de três temporadas e chega em um momento em que o Corinthians precisa aumentar suas receitas. Internamente, o clube gostaria de chegar aos 20 milhões de euros, seja em valor fixo ou com metas estabelecidas no contrato. A diferença, porém, não deve ser suficiente para impedir a negociação. O mais importante para o Corinthians é transformar a oferta em dinheiro no caixa.

Breno Bidon foi formado na base do Corinthians e ganhou espaço no time principal de Fernando Diniz / Corinthians

Existe ainda uma tentativa de encontrar uma solução que atenda aos dois lados. O Corinthians pretende negociar com o Besiktas para receber os valores da transferência imediatamente e entregar Breno apenas em dezembro. A ideia permitiria ao clube paulista reforçar suas receitas sem perder o jogador no restante da temporada. Os turcos, porém, querem contar com o meio-campista agora, justamente para fortalecer o elenco na disputa do Campeonato Turco. Depois de três rodadas, o Besiktas aparece na terceira colocação.

Besiktas ocupa a terceira colocação

A pressa também tem relação com o calendário. A janela de transferências europeia fecha neste mês, e a negociação precisa avançar rapidamente para que o Besiktas possa registrar o jogador. Caso Breno aceite a proposta salarial e as condições oferecidas pelos turcos, a tendência é que o Corinthians dê sequência ao negócio. Antes disso, porém, o jogador ainda deve conversar com os pais e analisar a mudança de país, em um processo que deve acontecer nos próximos dias.

Para Breno Bidon, a transferência representa uma mudança importante de patamar financeiro e profissional, ainda mais agora que forma sua própria família. O jogador sabe que poderá receber um salário superior ao que ganha no Corinthians, além das luvas previstas em uma transferência desse tamanho. Aos 21 anos, ele enxerga a Turquia como uma porta de entrada para mercados maiores na Europa. O futebol turco pode não ser o destino que imaginou para o início da carreira internacional, mas estar na Europa pode ampliar as possibilidades de uma futura transferência para um dos principais mercados do continente.

Breno Bidon não queria deixar o Corinthians antes de ser campeão: essa condição ele já tem no clube / Corinthians

Existe ainda um componente esportivo. Jogando na Europa, Breno acredita que poderá aumentar sua exposição e entrar no radar da seleção brasileira. Carlo Ancelotti acompanha jogadores brasileiros espalhados pelo futebol europeu, e o meio-campista entende que uma boa passagem pelo futebol turco pode funcionar como uma vitrine para dar passos maiores nesse sentido. O Brasil retoma neste mês a sua programação para a Copa do Mundo de 2030.

Clube tem 90% dos direitos

Para o Corinthians, porém, a questão é financeira. E nada além disso. A previsão de receitas com a venda de jogadores nesta temporada é de R$ 150 milhões. Uma negociação de R$ 106 milhões por Breno Bidon resolveria boa parte dessa meta. É dinheiro de que o clube precisa — e muito. Por isso, a necessidade de caixa fala mais alto do que a avaliação de que o jogador poderia valer ainda mais no futuro.

Breno Bidon sempre foi tratado como uma das joias formadas no Terrão. Foi eleito o melhor jogador da Copinha e passou a ser visto dentro do clube como um atleta com potencial para gerar receita num curto período. A hora é agora. A chegada de uma proposta desse tamanho confirma essa avaliação, ainda que o Corinthians possa considerar que os 18 milhões de euros não representem todo o potencial de mercado do jogador.

Diniz terá de se virar

Fernando Diniz perde um titular no meio-campo, mas a possibilidade de saída de Bidon não é uma surpresa para ele. O jogador sempre foi considerado um dos principais ativos do elenco e uma venda era tratada como possibilidade desde antes da chegada do técnico. Agora, Diniz terá de encontrar uma solução para substituir um dos jogadores mais importantes de seu time. E regular.

A negociação com o Besiktas mostra, mais uma vez, o dilema do Corinthians. O clube precisa formar jogadores, valorizá-los e vendê-los para equilibrar as contas. Ao mesmo tempo, cada venda enfraquece o time dentro de campo. Breno Bidon é o retrato desse problema: é um jogador que o Corinthians gostaria de manter, mas um dinheiro que o Corinthians não pode recusar. A questão, portanto, não é quanto Bidon vale. É quanto o Corinthians precisa dele — e quanto precisa dos milhões de euros que sua saída pode gerar ao caixa.

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