Gabigol chegou aos 30 anos diante de uma situação que poucos imaginariam quando ele dominava o futebol brasileiro pelo Flamengo, quando foi chamado de “o Rei do Rio”, título que dois gigantes carregaram antes dele: Romário e Renato Gaúcho. O atacante voltou ao Santos neste ano como grande aposta do elenco ao lado de Neymar, mas já trabalha com a possibilidade de deixar a Vila no fim da temporada. Emprestado pelo Cruzeiro até dezembro, ele admite a possibilidade de retornar ao clube mineiro em 2027. Gabigol anda em círculo na carreira desde que deixou a Gávea.
O movimento é curioso porque, há poucos anos, Gabigol parecia escolher onde queria jogar. Saiu do Flamengo depois de uma passagem histórica, na qual disputou 308 partidas, marcou 161 gols, deu 43 assistências e conquistou 13 títulos. Quase foi para o Palmeiras. Mas acertou com o Cruzeiro com contrato longo e salário na casa dos R$ 2,5 milhões mensais. O problema é que o desempenho já não acompanhou o tamanho do investimento. Gabigol é caro e entrega pouco. O vínculo com o clube de Minas é até dezembro de 2028. Gabigol não sabe o que quer.

No Cruzeiro, o atacante perdeu espaço depois da chegada de Leonardo Jardim e terminou atrás de Kaio Jorge na hierarquia do ataque. A passagem, que deveria representar uma nova etapa de protagonismo, acabou abreviada. Ele pediu para sair, como já acena na Vila. Santos e Cruzeiro pagam o seu salário. O empréstimo para o Santos foi a solução encontrada para todos: o jogador seria titular, o clube ganharia um ídolo conhecido e o Cruzeiro reduziria a exposição de um dos contratos mais caros do elenco. Mas nada andou como o planejado depois de quase um ano.
Salário de R$ 2,5 milhões
Existe uma questão que acompanha Gabigol para qualquer negociação: o salário. O acordo entre Santos e Cruzeiro estabeleceu a divisão dos vencimentos, estimados em R$ 2,5 milhões por mês, com aproximadamente R$ 1,25 milhão para cada clube. Para um Santos que precisa controlar despesas e luta para se afastar da parte de baixo da tabela, manter esse custo exige que o atacante entregue desempenho compatível. Gabigol também vislumbra mais futuro no Cruzeiro, com Artur Jorge, que quer o jogador de volta.
Não depende de Gabigol
Gabigol está incomodado. Ele não entrega o que se espera dele e não consegue mais escolher o clube apenas pelo desejo pessoal. Precisa encontrar um lugar que aceite pagar por seu nome, por sua história e pelo jogador que ainda pode ser — não apenas pelo Gabigol que foi. Ou reduzir os vencimentos e recomeçar a construir o seu nome de onde parou. O mercado mudou, os clubes ficaram mais cautelosos e o jogador deixou de ser unanimidade.

No Santos, ele continua tendo importância. É artilheiro da equipe e soma participações decisivas nos jogos e gols, mas o próprio clube avalia o elenco e procura alternativas para o ataque. Gabigol não é mais temido e isso é o que de pior pode acontecer com um atacante com a sua história. É o cão que só late e não morde. Depois da eliminação na Copa do Brasil nesta quarta-feira, o Santos passou a buscar reforços e Gabigol não é o centroavante de referência que Cuca procura.
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A carreira de Gabigol, portanto, entrou em uma fase diferente. Ele precisa de um caminho. No Flamengo, tinha status de ídolo e poder de decisão. Jogava com confiança. No Cruzeiro, tornou-se um investimento caro que perdeu espaço. No Santos, voltou para casa, mas ainda não sabe se ficará. Vive de lampejos. Ele é novo e não é o fim da sua carreira — longe disso. Mas é o momento em que precisa provar que ainda consegue ser protagonista sem depender do passado. Sua carreira é grande demais para ser ignorada. O problema é que o futebol não paga pelo que um jogador fez. Paga pelo que acredita que ele ainda pode fazer. E essa talvez seja hoje a maior batalha do atacante: convencer o mercado de que o Gabigol decisivo ainda existe.





