Dessa vez pode até ter faltado o gol e a alegria da vitória, que faria o time dar uma subida na tabela. Mas não faltou energia, empenho e competitividade. O Corinthians, enfim, voltou a se parecer com o Corinthians. Pressionado por uma sequência de resultados ruins, envolto numa atmosfera de crise permanente e exposto por atuações apáticas, o time reagiu diante do forte e merecido líder do Brasileirão.

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O empate sem gols com o Cruzeiro, na Neo Química Arena, nesta quarta-feira, foi um resultado que, em situações normais, soaria frustrante. Mas, dentro do contexto, foi recebido quase como um sopro de alívio — e até com uma ponta de orgulho. Isso porque o time mostrou a alma e o espírito guerreiro que faltaram no clássico com o São Paulo: derrota por 2 a 0.

Garro ajuda o Corinthians a parar o líder do Brasileirão, o Cruzeiro, dentro da Neo Química Arena / Corinthians

O time foi valente, intenso, comprometido. Encarou o Cruzeiro de igual pra igual, sem medo, sem se encolher. E isso, no Corinthians, às vezes vale tanto quanto uma vitória. A Fiel entende como poucos o peso da entrega, da luta e do suor. É parte do DNA do clube essa coisa de jogar com o coração no bico da chuteira, com sangue nos olhos — como diz um dos refrões mais entoados nas arquibancadas. Desta vez, ninguém saiu devendo esforço.

Garro e Memphis

Tecnicamente poderia se esperar mais dos talentosos Garro e Memphis, por exemplo. Mas não foi um jogo fácil. Pelo contrário, o encontro foi um duelo tenso, travado, marcado pela disputa física e pelo bloqueio constante das jogadas de ataque. Faltou espaço, sobrou combate. Os dois times encontraram enormes dificuldades para articular lances de perigo e, quando criaram alguma coisa, pararam nos erros de finalização e nas boas defesas dos goleiros.

E aí entra uma das ironias da noite: no gol do Cruzeiro estava Cássio, ídolo eterno, lenda viva do Corinthians, enfrentando o clube pela primeira vez após 12 anos e tantos títulos. E foi justamente ele quem, aos 43 do segundo tempo, evitou a vitória corintiana. Memphis Depay, que teve uma atuação regular, soltou uma bomba de fora da área. Cássio voou no ângulo e salvou com uma defesa espetacular, de mão trocada, daquelas que por muito tempo fizeram parte da rotina da casa.

Cássio de volta

Não à toa, antes do jogo, o Timão fez questão de homenagear o goleiro com um vídeo celebrando suas grandes defesas com a camisa alvinegra. Ao final da partida, ele retribuiu com classe: “Sei como é difícil jogar aqui e acho que ganhamos um ponto importante nessa caminhada pela liderança. Fico feliz de ter sido bem recebido.”

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O Corinthians ainda está longe de ser confiável. Tem problemas técnicos, limitações táticas e uma instabilidade institucional que mina qualquer planejamento. Mas a atuação desta quarta-feira oferece um ponto de partida para uma retomada. Porque se há algo que não se negocia no futebol — ainda mais no Corinthians — é o compromisso com a camisa. E, desta vez, ninguém se escondeu.

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