O Athletico-PR começou o Campeonato Brasileiro com a cautela de quem havia acabado de deixar a Série B. Vinte jogos depois, já não existe motivo para tratá-lo apenas como uma equipe interessada em permanecer na elite. A vitória por 2 a 0 sobre o Internacional, na Arena da Baixada, colocou o time de Odair Hellmann em um território no qual poucos imaginavam encontrá-lo no início da temporada: o da disputa pelas primeiras posições.
Com 36 pontos, o Furacão ocupa o terceiro lugar e chegou à quarta vitória consecutiva. Está atrás do Palmeiras, líder com 44 pontos e uma partida a menos, e do Flamengo, que soma 38 pontos e ainda tem um jogo atrasado. A diferença de calendário recomenda prudência. A classificação, porém, exige outra régua. Não se trata mais de uma boa campanha para um recém-promovido. É um desempenho consistente o bastante para incomodar os dois elencos apontados como favoritos ao título.

Athletico-PR mostra força
O recorte histórico dimensiona o feito. Desde o Internacional de 2018 um clube que acabara de subir não chegava ao 20º jogo com pontuação superior à do Athletico-PR. Naquela temporada, o Colorado somou 38 pontos no primeiro turno e, ao vencer o Bahia na abertura do returno, alcançou 41. Terminou o campeonato na terceira colocação, com 69 pontos. Oito anos depois, o time paranaense é o promovido que mais se aproxima daquele ritmo.
Nem mesmo exemplos recentes de enorme sucesso começaram melhor. O Grêmio retornou da Série B e foi vice-campeão brasileiro em 2023. O Mirassol, promovido em 2024, chegou aos 20 jogos de 2025 com 35 pontos, então o melhor desempenho de um estreante na era dos pontos corridos, e encerrou a competição entre os quatro primeiros, classificado para a Libertadores. O Athletico tem um ponto a mais no mesmo estágio.
A reconstrução começou sob pressão. Rebaixado no ano do centenário, em 2024, o clube não passeou pela Série B. Teve um primeiro turno irregular, viu o acesso ficar ameaçado e precisou reagir sob o comando de Odair. Só garantiu o acesso, no sufoco, na última rodada. Em função de uma combinação de resultados, terminou a segunda divisão de 2025 como vice-campeão, com 65 pontos, sustentado por uma arrancada que também contou com Viveros, Benavídez e Terán.
Modelo de jogo definido
A equipe que voltou à elite preservou a principal virtude construída naquela recuperação: competir sem perder organização. O Athletico-PR não depende de atuações espetaculares. Sabe controlar momentos, proteger a área, pressionar erros e transformar oportunidades em vantagem. Contra o Internacional, Leozinho abriu o placar depois de uma perda de bola de Juninho, e Viveros ampliou ao antecipar um recuo ruim de Félix Torres. Os erros do adversário explicam a origem dos gols, mas não quatro vitórias seguidas, a terceira posição ou a regularidade de uma campanha inteira. Equipes organizadas também são aquelas preparadas para reconhecer e punir cada hesitação do rival.
Viveros simboliza a ascensão. O colombiano chegou durante a campanha do acesso e agora divide com Pedro, do Flamengo, a liderança da artilharia, com 12 gols. Ter um atacante capaz de decidir aproxima o Athletico dos concorrentes mais ricos. Ao redor dele, Odair montou uma equipe que reconhece seus limites, mas não joga como quem se considera inferior.

Pés no chão
“O Athletico está aparecendo porque está forte coletivamente, está humilde, competitivo e organizado e cada partida é uma final de Copa do Mundo”, afirmou o técnico Odair Hellmann. O discurso ainda parte da busca por uma campanha segura: com 36 pontos, o clube está perto da pontuação tradicionalmente associada à permanência. O campo, entretanto, empurra o objetivo para cima. Outro ponto é evitar qualquer sinal de euforia. “Em nenhum momento eu vou deixar ninguém relaxado. Seja no momento bom ou quando precisamos reagir, não existe espaço para acomodação. O próximo jogo é uma final de Copa do Mundo para nós. Precisamos buscar o máximo de pontos possível para fazer um campeonato seguro e equilibrado”, afirmou Odair.
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O Athletico-PR ainda precisa sustentar o ritmo quando a pressão aumentar, atravessar eventuais ausências e confirmar sua força longe de Curitiba. Palmeiras e Flamengo têm elencos mais profundos e maior margem para corrigir problemas. Mas pontos corridos também premiam continuidade, estabilidade e capacidade de aproveitar os tropeços alheios. O Furacão já mostrou as três coisas. Depois de voltar da Série B pensando em segurança, iniciou o segundo turno olhando para o topo. Ignorá-lo na disputa, a esta altura, seria continuar chamando de surpresa aquilo que a tabela transformou em realidade.





