O Flamengo deixou o gramado do Maracanã com a sensação de ter desperdiçado uma oportunidade importante. Pouco mais de uma hora depois, porém, encerrou o domingo entendendo que o empate por 1 a 1 com o São Paulo não havia sido tão prejudicial quanto parecia. A derrota do Palmeiras para o Atlético-MG por 2 a 1, em casa, mudou o ambiente da rodada, reduziu em um ponto a distância entre os dois principais candidatos ao título e deu ao Rubro-Negro mais motivação para seguir na perseguição. Agora são 44 contra 38.
O resultado contra o São Paulo não pode ser tratado como satisfatório. O Flamengo jogava diante de sua torcida, enfrentava um adversário distante das primeiras colocações e sabia que precisava aproveitar a sequência do calendário para pressionar o líder. O próprio técnico Leonardo Jardim reconheceu que a equipe teve uma construção lenta no primeiro tempo e demorou para apresentar a intensidade necessária. A reação depois do intervalo e o gol de Léo Pereira não bastaram para garantir a vitória, afinal, Calleri empatou para o Tricolor paulista.

Dos males, o menor
O que parecia ser uma noite de frustração absoluta, no entanto, ganhou outro significado ao longo do segundo tempo em São Paulo. Caso vencesse o Atlético-MG, o Palmeiras chegaria a nove pontos de vantagem e colocaria sobre o Flamengo uma pressão ainda maior. A derrota alviverde impediu a abertura dessa gordura e manteve o líder com 44 pontos. O Flamengo, agora com 38 pontos, diminuiu a diferença de sete para seis pontos e ainda possui uma partida a menos.
Isso significa que o empate não aproximou o time carioca por méritos próprios, mas a combinação dos resultados evitou que o prejuízo fosse maior e manteve a disputa aberta. Antes da rodada, o Palmeiras tinha sete pontos de vantagem e aparecia como favorito ao título, enquanto o Flamengo era apontado como seu principal perseguidor.
Se vencer essa partida a menos, a diferença poderá cair para três pontos. Não é uma vantagem irrelevante, mas tampouco representa uma situação capaz de permitir acomodação ao Palmeiras. A perseguição rubro-negra continua dependendo de regularidade, aproveitamento nos jogos em casa e capacidade de transformar a superioridade técnica do elenco em vitórias.
Flamengo mostra fibra
Leonardo Jardim preferiu destacar o crescimento da equipe no segundo tempo e classificou a partida como um “jogo de detalhes”. O treinador citou o gol anulado de Samuel Lino, por impedimento de três centímetros, e o fato de o São Paulo ter marcado em sua única finalização certa. A análise ajuda a explicar o sentimento de injustiça esportiva, mas não elimina a necessidade de correção. Um candidato ao título não pode precisar sempre de um segundo tempo de reação para assumir o controle das partidas.
O desafio do Flamengo será transformar a frustração em urgência, sem permitir que ela produza ansiedade. A equipe vinha de uma vitória contundente sobre a Chapecoense por 4 a 0 e buscava construir uma sequência capaz de reduzir de maneira significativa a distância para o Palmeiras. O clube havia estabelecido as rodadas seguintes à pausa da Copa do Mundo como um período decisivo na caça ao primeiro colocado. A meta interna era retirar ao menos quatro dos sete pontos que separavam os dois times.
O calendário não oferece muito tempo para comemorar o tropeço alheio nem para lamentar o resultado no Maracanã. O próximo compromisso será contra o Internacional, na quarta-feira, às 19h30, novamente pelo Brasileiro. É nesse jogo que o Flamengo precisará demonstrar se a derrota do líder serviu realmente de motivação ou apenas amenizou momentaneamente o impacto do empate.

Bustos para Arrascaeta e BH
Antes de a bola rolar no Maracanã, o Flamengo reservou espaço para celebrar dois dos principais símbolos de sua geração mais vitoriosa. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, anunciou que Arrascaeta se juntará a Bruno Henrique entre os jogadores homenageados com bustos de bronze na sede da Gávea. Mais do que reconhecer a coleção de taças construída desde a chegada da dupla, em 2019, o dirigente destacou a decisão do clube de rever uma tradição que costuma reservar esse tipo de homenagem apenas para personagens do passado. “A ideia é que a gente homenageie ambos em vida e em atividade no Flamengo”, afirmou.
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As esculturas serão confeccionadas a partir de um processo de escaneamento em três dimensões, utilizado para reproduzir com maior fidelidade os traços dos jogadores. Arrascaeta e Bruno Henrique já participaram das sessões de medição e escolheram aparecer nos bustos com a camisa utilizada pelo Fla em 2025. A produção terá participação financeira de torcedores: os 27 maiores colaboradores da obra dedicada ao camisa 27 terão os nomes registrados em sua base, enquanto os dez principais apoiadores do busto do camisa 10 receberão a mesma distinção. A inauguração está prevista para 15 de novembro de 2026, data do aniversário do Flamengo, na sede social da Gávea.





