Na semifinal da Libertadores de 2025, o Palmeiras viveu uma “noite mágica” diante da LDU no então Allianz Parque. Assim foi profetizada por Abel Ferreira e concretizada, posteriormente, no jogo que terminou em goleada por 4 a 0 sobre os equatorianos. Não havia sido apenas um placar elástico. Mais do que isso, foi uma apresentação impecável que resgatou a confiança da equipe naquele momento agudo da temporada.
Para o contexto fazer sentido, é preciso voltar ao jogo de ida, lá em 23 de outubro, quando a bola rolou no gramado do Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito. A 2.800 metros do nível do mar, o Palmeiras apanhou da altitude, da LDU e da bola. Levou na bagagem uma doída derrota por 3 a 0.

Ali mesmo, na coletiva de imprensa pós-jogo, ainda com a cabeça inchada, Abel não apenas fez sua profecia de uma noite mágica na volta, como também diria a frase que hoje em dia estampa faixas vendidas por ambulantes nos arredores da casa palmeirense – e que muitos torcedores exibem quando querem se orgulhar de viradas épicas, como essa diante da LDU do ano passado: “90 minutos no Allianz Parque é muito tempo”.
Palmeiras modificado
No salto para 2026, as equipes estão novamente no caminho uma da outra na mesma competição, a Libertadores. Desta vez, no entanto, nas quartas de final e com a segunda partida feita fora do estádio do Palmeiras. O pareamento inverteu a ordem do confronto, com o primeiro encontro em São Paulo e o segundo em Quito, portanto. No rebatizado Nubank Parque, os comandados de Abel fizeram 1 a 0, placar que deixa a definição em aberto – e boa parte da torcida com a pulga atrás da orelha pelo que aconteceu no ano passado, os 3 a 0 na ida.
Para o novo compromisso diante da LDU, no entanto, o cenário interno do Verdão passou por uma reformulação considerável no grupo de jogadores. Seis dos 18 atletas relacionados para aquele jogo no Equador já deixaram o clube: Facundo Torres, Aníbal Moreno, Micael, Bruno Rodrigues, Allan e Raphael Veiga. Destes, apenas Veiga foi titular, adaptado numa tentativa do técnico português em aproveitá-lo como volante.
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Carlos Miguel; Khellven, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Raphael Veiga, Emiliano Martínez, Andreas Pereira e Felipe Anderson; Vitor Roque e Flaco López. Esta foi a escalação inicial. Além de Raphael Veiga, que está no América, do México, quem também não estará no repeteco do jogo é Gustavo Gómez, suspenso. Piquerez sofreu uma pancada na vitória por 1 a 0 no clássico com o São Paulo e, até este momento, é tratado como dúvida.
O triunfo no Choque-Rei do sábado acalma, mas está longe de silenciar a crítica de boa parte dos torcedores, ressabiada com o desempenho recente da equipe e na Libertadores. Apesar de ter avançado na Copa do Brasil, o placar mínimo contra a LDU e a perda da liderança do Brasileirão para o Flamengo esquentaram o caldeirão. Por isso, a retomada na temporada passa, obrigatoriamente, pela classificação em Quito. Em 90 minutos, na prorrogação, nos pênaltis… como for. O torcedor espera a vaga.
LDU cai de produção
Se o Palmeiras chega com alguma desconfiança, os números mostram que a própria LDU também não tem tido lá um ano dos mais empolgantes em casa. Em 2025, os equatorianos registraram um aproveitamento de 71,2% jogando no Estádio Rodrigo Paz Delgado e, neste ano, viram os números desabarem. O rendimento caiu para 61,9%, o que mostra que o time encontra dificuldades para impor seu ritmo como mandante.

No próprio Campeonato Equatoriano, a LDU tem patinado. Depois de 30 rodadas, ostenta apenas a 5ª colocação, e vem de um empate por 1 a 1 em casa com o Deportivo Cuenca no sábado. O gol, por sinal, foi anotado pelo ex-palmeirense Deyverson, que iniciou entre os reservas contra o Palmeiras no Nubank Parque no jogo da ida. O Palmeiras viaja nesta segunda-feira para Quito.





