A matemática fria dirá que o Corinthians saiu do Estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu, podendo festejar o empate por 1 a 1 diante do Peñarol e a classificação garantida em primeiro lugar do grupo da Libertadores com uma rodada de antecedência. E, olhando apenas para a tabela, realmente não há muito do que reclamar.

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O Corinthians chegou aos 11 pontos, manteve a invencibilidade na competição continental e ainda ganhou a possibilidade de transformar a última rodada contra o Platense, na Neo Química Arena, em uma oportunidade de buscar a melhor campanha geral do torneio para decidir todos os mata-matas em casa. Tudo isso dando-se ao luxo de preservar quase todos seus titulares. Mas o fato é que a sensação que fica é até de uma certa frustração, porque dava para ganhar, diante da fragilidade do Peñarol.

Corinthians, o marroquino Zakaria Labyad corre para festejar o seu primeiro gol com camisa do Corinthians
Marroquino Zakaria Labyad desencanta e corre para festejar o seu primeiro gol com camisa do Corinthians / Corinthians

Risco calculado

Fernando Diniz já havia deixado claro antes da bola rolar qual era a prioridade do momento. Com o time mergulhado na zona de rebaixamento do Brasileirão e tendo pela frente um confronto pesado com o Atlético-MG, em Itaquera, o treinador preservou praticamente todos os titulares — só Hugo, Gabriel Paulista e Gustavo Henrique começaram a partida no Uruguai. A classificação já garantida permitia isso. “Difícil jogar aqui, sempre é duro. Sabíamos que iríamos encontrar um jogo duro”, resumiu Diniz. Na prática, porém, o Corinthians encontrou menos um caldeirão uruguaio e mais um adversário limitado, que sobreviveu quase exclusivamente à bola parada.

O primeiro tempo mostrou um Corinthians até organizado com a bola e relativamente confortável no campo ofensivo, especialmente pelo lado direito, onde Kaio César foi disparado o jogador mais lúcido da equipe. O problema é que tomou um gol inesperado. Aos 18 minutos, Trindade cobrou escanteio na primeira trave e Maxi Oliveira apareceu entre defensores corintianos para cabecear para o gol. Animado, o time da casa inflamou a torcida e quase ampliou ainda antes do intervalo, quando Hugo Souza aceitou chute de Umpiérrez — a sorte é que, na origem da jogada, Arezo estava impedido e o lance foi anulado.

Atacante em má fase 

Do outro lado, o Timão rondava a área uruguaia sem conseguir transformar domínio em contundência. Ironicamente, na melhor chance que teve, Pedro Raul jogou de zagueiro e impediu o gol num chute de André, aos 44 minutos. Incrível como Pedro Raul não consegue se achar no Corinthians. O centroavante participa bastante do jogo. Corre, disputa, se apresenta. Mas impressiona pela capacidade de transformar jogadas promissoras em cenas de desespero coletivo. Em vários momentos, parecia jogar contra o próprio raciocínio ofensivo do Corinthians.

No segundo tempo, o Peñarol abandonou qualquer constrangimento competitivo e estacionou os 11 jogadores atrás da linha da bola para defender a vantagem do primeiro tempo.

Marroquino desencanta 

Diniz já preparava a entrada de três titulares para transformar a posse de bola em gol: Rodrigo Garro, Yuri Alberto e Jesse Lingard estavam prontos para entrar quando achou o gol de empate. Kaio César cruzou na medida. Pedro Raul, já dentro da pequena área, conseguiu finalizar em cima do goleiro — algo que parece quase impossível de explicar — mas o rebote caiu nos pés de Zakaria Labyad, que desencantou após nove meses de clube e marcou seu primeiro gol com a camisa alvinegra. Na comemoração, imitou o gestual de Memphis Depay, o cara que bancou sua contratação no ano passado — o chefe!

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O empate mudou imediatamente o comportamento de Diniz. O treinador adiou as entradas dos titulares. Achou prudente não correr riscos desnecessários. E, honestamente, fazia sentido. O Corinthians já tinha o primeiro lugar praticamente nas mãos. Ainda assim, o jogo deixou a sensação de que a vitória continuava disponível, esperando apenas um pouco mais de precisão e capricho nos arremates. O que faltou até mesmo para os titulares que, enfim, acabaram entrando.

Corinthians Kaio César faz grande jogada pela direita do ataque e é um dos responsáveis pelo empate no Uruguai
Kaio César faz grande jogada pela direita do ataque e é um dos responsáveis pelo empate no Uruguai / Corinthians

Os titulares acabaram entrando faltando 18 minutos numa tentativa final de buscar os três pontos. Com Yuri Alberto, Garro e Lingard em campo, nos 20 minutos finais, o roteiro da virada parecia escrito. E ela só não veio porque Yuri perdeu dois gols inacreditáveis, para a ira da torcida, que anda na bronca com o atacante desde o dia em que ele admitiu que queria puxar o carro para a Europa.O resumo do jogo é claro. Na classificação, missão cumprida. No campo, ficou a sensação de que havia espaço para mais.

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