Só faltou mesmo um gol. Porque, de resto, o empate por 0 a 0 entre Corinthians e Palmeiras, na Neo Química Arena, neste domingo, entregou quase tudo o que se espera de um dérbi — tensão, nervosismo, provocações, expulsões e um ambiente carregado do início ao fim. Tecnicamente pobre, emocionalmente transbordante.
No fim, o placar foi mais comemorado pelo Corinthians. E com razão. Mesmo chegando ao oitavo jogo sem vitória, o time conseguiu sobreviver a uma situação extrema: atuou boa parte da partida com dois jogadores a menos, após as expulsões de André e Matheuzinho. Já o Palmeiras deixa o estádio com uma sensação inevitável de frustração. Faltaram soluções, repertório e agressividade para transformar a superioridade numérica em vitória. Ainda assim, o consolo está na manutenção da invencibilidade em clássicos na temporada e na liderança preservada, agora com 26 pontos.

O Corinthians confundiu espírito de luta com desequilíbrio emocional. Embalados pelas cobranças por “raça”, alguns jogadores passaram do ponto e transformaram o clássico em um cenário de guerra — prejudicial, antes de tudo, a eles próprios. Errar é humano; repetir o erro, no futebol, é obsceno. No caso do Corinthians, soa como irresponsabilidade coletiva. Aos 34 minutos do primeiro tempo, o volante André foi expulso por mostrar a genitália para Andreas Pereira. Um ato que não apenas comprometeu o jogo, mas jogou no lixo qualquer planejamento traçado por Fernando Diniz para o clássico.
Gesto obsceno grave
O episódio ganha contornos ainda mais graves porque não é isolado. Duas rodadas antes, contra o Fluminense, Allan já havia protagonizado situação semelhante, também sendo expulso e posteriormente multado pela diretoria corintiana. Nem a punição nem o constrangimento público foram suficientes para servir de exemplo. André repetiu o erro — e agravou o problema.

Num ambiente profissional, não há espaço para esse tipo de comportamento. É falta de educação, desrespeito e, sobretudo, um atentado contra o próprio time. Nem mesmo um dérbi contaminado por rivalidade histórica justifica tamanho descontrole. A expulsão desmontou o Corinthians. Sem muitas alternativas, Diniz precisou redesenhar a equipe. Bidon recuou para compor o meio ao lado de Raniele, Garro foi deslocado para o lado e Yuri Alberto ficou isolado na frente. Um efeito dominó que esvaziou o time ofensivamente e entregou o controle da partida ao Palmeiras, com 68% de posse de bola.
Fracasso do Palmeiras
Se antes o Corinthians ao menos equilibrava as ações, ainda que sem grande produção ofensiva, a partir dali o jogo passou a ter um dono. O Palmeiras encontrou o cenário ideal: campo aberto, liberdade para circular a bola e paciência para esperar o momento certo. O gol parecia questão de tempo. Mas o clássico, como tantas vezes, se afastou da lógica. Em vez de organização, o que se viu foi um jogo picotado, nervoso, marcado por catimba, discussões e pouca bola rolando. A expulsão de André foi apenas o retrato mais evidente de um primeiro tempo tecnicamente pobre.
Matheuzinho desequilibrado
O segundo tempo herdou esse ambiente. O Corinthians se fechou com duas linhas de quatro e Yuri isolado à frente, apostando na sobrevivência. O Palmeiras tentou alargar o campo, girar a bola de um lado ao outro, buscando a brecha para decidir. Aos 23 minutos, mais um capítulo do descontrole corintiano: Matheusinho foi expulso após acertar um tapa no rosto de Flaco López. Com dois a menos, o jogo passou a ser, definitivamente, um exercício de resistência.
Carlos Miguel deu o troco às vaias
Do lado palmeirense, Abel Ferreira, mesmo suspenso, interveio via comunicação com o banco e promoveu mudanças claras de intenção: Luighi, Arthur e Felipe Anderson entraram para aumentar a pressão e resolver o jogo. Ironicamente, no entanto, como essas coisas que só acontecem no dérbi, a chance mais clara de gol foi do Corinthians. Aos 29, Yuri Alberto escapou em contra-ataque e saiu cara a cara com Carlos Miguel. O goleiro, ex-Corinthians, salvou com o braço esquerdo e evitou um desfecho improvável. A “lei do ex” apareceu, desta vez, para impedir o gol.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
O roteiro final foi previsível: o Palmeiras com a bola, o Corinthians entrincheirado, defendendo o que, nas circunstâncias, já era um resultado valioso. Se não veio a vitória, ao menos o Corinthians entregou o que a torcida cobrava: luta, entrega, resistência. Por ora, foi o que deu. Ainda há um longo caminho na briga para se afastar da zona de rebaixamento. O Palmeiras, por sua vez, sai com a liderança reforçada e a sensação clara de que está, hoje, um degrau acima do rival — mesmo quando não consegue transformar isso em vitória.




