O Palmeiras goleou o Vitória por 4 a 0 no Barradão e abriu oito pontos de vantagem na liderança em relação ao Flamengo (47 a 39 pontos) no Campeonato Brasileiro. O placar sugere uma atuação incontestável, uma noite de domínio absoluto e mais uma demonstração de força do melhor time da competição. Mas não foi exatamente isso que aconteceu.
Antes de ser atropelado numericamente, o Vitória fazia uma partida competitiva e, durante boa parte do primeiro tempo, superior à do líder. O time baiano ocupava o campo ofensivo, pressionava a saída palmeirense e encontrava espaços diante de um adversário desconfortável. O equilíbrio começou a desaparecer não por uma mudança tática ou por uma jogada individual, mas por uma sequência de decisões da arbitragem comandada por Alex Gomes Stefano.
O lance que estabeleceu o tom da noite envolveu justamente Mauricio, que mais tarde abriria o placar. Em uma disputa com Cacá, o meia do Palmeiras acertou o adversário com o braço na região do rosto. A imagem mostrou um movimento perigoso, com intensidade suficiente para levantar a discussão sobre conduta violenta e possível expulsão. Alex Gomes Stefano apresentou apenas o cartão amarelo. O VAR, comandado por Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, analisou a jogada e decidiu não recomendar a revisão no monitor.

Arbitragem estraga jogo
A partir dali, o problema deixou de ser apenas a interpretação de um lance isolado. Passou a ser o critério utilizado durante toda a partida. Pouco depois, Cacá entrou de carrinho em Jhon Arias. Inicialmente, o árbitro mandou o jogo seguir. Desta vez, porém, Fazekas Ferreira interveio, chamou Alex Gomes Stefano para rever a jogada e o zagueiro do Vitória recebeu o cartão vermelho. A expulsão de Cacá pode ser sustentada pelas imagens. O defensor chega atrasado, atinge o adversário e coloca em risco a integridade física de Arias.
O questionamento não está necessariamente na punição aplicada ao jogador rubro-negro, mas na diferença de tratamento entre dois lances fortes ocorridos em um curto intervalo.
Para Mauricio, amarelo e nenhuma recomendação de revisão. Para Cacá, intervenção do vídeo e expulsão. O VAR não existe para promover compensações, tampouco um erro anterior justificaria a manutenção de outro. Mas a credibilidade da arbitragem depende de coerência. Quando jogadas comparáveis recebem avaliações disciplinares tão diferentes, a tecnologia deixa de transmitir segurança e passa a ampliar a sensação de injustiça.
A situação ficou ainda pior durante a reclamação dos jogadores do Vitória. Luan Cândido fez com as mãos o conhecido gesto de “roubo”, em uma crítica explícita à atuação da arbitragem. O movimento foi captado pelas câmeras, comunicado pelo VAR e terminou em outra expulsão. O jogador foi irresponsável. Em um estádio cercado por equipamentos de transmissão, fazer um gesto ofensivo contra a equipe de arbitragem significa oferecer ao vídeo uma evidência impossível de ignorar. A atitude pode ser enquadrada como ofensiva e, portanto, passível de cartão vermelho.
Mais uma vez, entretanto, o debate está no conjunto da obra. O mesmo sistema que não enxergou razão para recomendar a revisão da cotovelada de Mauricio atuou de maneira rigorosa para localizar um gesto feito fora da disputa pela bola. Em poucos minutos, o Vitória passou de um time que incomodava o líder para uma equipe obrigada a enfrentar o Palmeiras com nove jogadores.
Palmeiras deslancha
A partida terminou ali. Com dois atletas a mais, o Palmeiras ganhou espaço, controle e tranquilidade. Mauricio, o jogador que poderia ter sido expulso no começo da confusão, apareceu para marcar o primeiro gol. A ironia do roteiro tornou ainda mais pesada a revolta no Barradão. Na sequência, Fabiano desviou contra a própria meta e ampliou a vantagem palmeirense. O Vitória, desmontado emocional e taticamente, já não tinha condições de proteger os lados do campo, pressionar a bola ou sustentar qualquer possibilidade de reação.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
No segundo tempo, o Palmeiras administrou a superioridade numérica e transformou a vitória em goleada. Jhon Arias marcou o terceiro, e Ramón Sosa completou o placar de 4 a 0. Nada disso retira os méritos do líder. O Palmeiras não é responsável pelas decisões da arbitragem e fez aquilo que se espera de uma equipe candidata ao título: explorou a vantagem, não permitiu a recuperação do adversário e construiu um resultado expressivo. Também seria desonesto afirmar que o Vitória certamente venceria se a partida permanecesse com onze jogadores para cada lado.
Futebol não permite esse tipo de conclusão. O que se pode afirmar é que o time baiano estava melhor quando o jogo foi profundamente alterado pelas decisões disciplinares.

Gordura ampliada
A rodada ainda aumentou o peso do resultado. Enquanto o Flamengo empatou por 1 a 1 com o Internacional no Beira-Rio, o Palmeiras chegou aos 47 pontos e abriu oito de vantagem sobre o principal perseguidor, embora tenha disputado uma partida a mais. A liderança palmeirense é construída por uma campanha consistente e não pode ser resumida a uma noite de arbitragem ruim. Mas a goleada no Barradão tampouco deve ser contada como se tivesse nascido apenas da superioridade técnica. O placar foi do Palmeiras. O controle da partida, depois das expulsões, também. O caminho para que a goleada acontecesse, porém, foi aberto por uma arbitragem incapaz de aplicar o mesmo rigor aos dois lados.





