Por Matheus Trunk

O domingo não foi nada favorável para Hernán Crespo. Após a derrota acachapante sofrida pelo São Paulo por 3 a 0 para o Mirassol, o técnico chegou para a entrevista coletiva do Estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, visivelmente acanhado. O treinador suava dentro do paletó no calor do interior paulista. O argentino atendeu a todos os jornalistas com educação e serenidade. Mas estava arrasado com a estreia no Paulistão.

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Crespo ressaltou mais de uma vez a necessidade de reforçar o elenco são-paulino para a temporada. Ele também abordou de maneira sincera que ídolos do clube como Calleri e Lucas ainda vão demorar para se recuperar de lesões. “Precisam de tempo. O Calleri precisa de tempo ainda. O Lucas igual, Wendell igual. Temos de tentar utilizar, aos poucos, sem perdê-los.” Crespo tem o pé atrás com o seu DM.

Crespo abriu o jogo logo após a primeira partida da temporada, com derrota para o Mirassol: ‘vai ser um ano duro’ / SPFC

O treinador comentou sobre o momento difícil do clube, com o pedido de impeachment do presidente Júlio Casares, cuja votação será nesta semana. “Acredito na Justiça e ainda a Justiça está trabalhando, a polícia está trabalhando. Ainda não tem culpados.” Além disso, Crespo reclamou várias vezes do calendário do futebol brasileiro. Ele explicou que o número excessivo de partidas prejudica times como o São Paulo. Veja os principais momentos da entrevista.

Resultado da partida

“Jogar um jogo oficial e não ter jogadores lesionados já é uma coisa positiva para o São Paulo. Eles mereceram (Mirassol) a vitória. Acho que o resultado foi maior do que o jogo apresentou, mas eles mereceram… Eles mereceram a vitória.”

Momento político do São Paulo

No aspecto político, eu não quero entrar. É um momento muito sensível… eu tenho a obrigação de cuidar e proteger o time. Mas ao fim do dia, acho que o São Paulo é maior do que todos nós juntos. Então, meu trabalho é tentar proteger o time, tentar proteger o São Paulo, sabendo perfeitamente que falo com a diretoria. Falo que precisamos de reforços porque foram embora muitos jogadores (…) A situação é difícil e todo mundo sabe.”

Presidente Julio Casares pode sofrer pedido de impeachment nesta semana no Morumbis / SPFC

Blindar o elenco

“Como falei antes: é um momento delicado. Acredito na Justiça e ainda a Justiça está trabalhando, a polícia está trabalhando. Ainda não tem culpados. Então, eu acompanho com confiança pensando que até prova contrária todo mundo é inocente. Então, a situação, como falei, é muito sensível, é muito difícil. Mas aqui todo mundo está tentando ajudar, colocando a cara, trabalhando todo dia para melhorar a situação. O grupo de atletas tem de estar blindado, é um problema que fica fora. É difícil? Muito difícil.”

Calendário

“Não tem jeito. (…) Infelizmente, acho que estamos perdendo a possibilidade de ensinar, aprender com o tempo de treino. Todo mundo queria jogar a cada três dias e cada dia temos de jogar. O calendário é esse e temos de nos adaptar. Não é a minha opinião, na minha opinião eu acho que o momento geral do Brasil precisa de tempo para trabalhar, para ensinar, para aprender. Deveríamos criar uma cultura de trabalho que permita aprender. A escolha foi jogar a cada três dias e a cada três dias vamos jogar. E tentando fazer o melhor com erros durante o jogo… Aprender que erro faz parte (…) Mas se você me pergunta, eu acho que o calendário não ajuda. Não ajuda o movimento do futebol brasileiro.”

Crespo espera pelo atacante Calleri, mas sabe que o jogador ainda precisa de mais tempo para treinar / SPFC

Futuro

“Temos de ter confiança, ainda somos inocentes. Estamos querendo melhorar o grupo porque muitos atletas foram embora, não temos número para jogar em um certo nível. Nesse número que teremos, temos muitos lesionados que estão voltando e que precisam do tempo, que precisam de minutos. Estamos trabalhando para melhorar e acreditar. No mundo do futebol tudo pode acontecer, estamos aqui para desejar o melhor possível. E acho que podemos fazer, mas a janela estará aberta até 3 de março. O problema é qual? O problema é que temos muitos jogos. Então, não tem espaço. Não tem espaço para respirar, não tem espaço para criar, para construir. É muito difícil assim. Mas vamos jogar, vamos jogar e vamos saber.”

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Paulistão

Se vamos falar do Paulistão, ao final (da primeira fase), precisamos chegar entre os primeiros oito. Se chegar em primeiro, melhor. A ideia é tentar classificar, chegar nas quartas e nas quartas é um mata-mata e tudo pode acontecer. Talvez vamos estar fisicamente melhor, talvez notícias boas vão acontecer. Temos de acreditar e estar confiantes. Como eu falei: o São Paulo é melhor que todos nós. São Paulo não está abandonado, o São Paulo não morreu. É um momento sensível? Muito sensível, claro. É difícil? Muito difícil. Mas muita gente está aqui para colocar a cara e ajudar. Não é todo mundo ruim aqui. Temos gente honesta, sincera, que está fazendo o melhor para São Paulo voltar ao tempo que todo mundo lembra”.

Recuperação de Calleri e Lucas

“Precisam de tempo. O Calleri precisa de tempo ainda. O Lucas igual, Wendell igual. Temos de tentar utilizar, aos poucos, sem perder os resultados que nos permitam chegar às quartas de final tentando recuperar o Calleri. A ideia é que eles sejam os reforços, mas não colocar a esperança neles de que são os salvadores do São Paulo”.

Reforços

Temos de reforçar com cinco, seis jogadores, por números, porque precisamos. Por enquanto é trabalhar. O próximo jogo no Morumbis terá torcida. É difícil demais, mas estamos todos juntos, a ideia é ter o melhor ano possível, mas vai ser muito difícil”.

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Na próxima rodada do Paulistão, o São Paulo enfrenta o São Bernardo na quinta-feira, dia 15, às 21h45, no Morumbis. O Bernô vem embalado após vencer o Capivariano por 4 a 0 na primeira rodada.

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