Cuca tem problemas no Santos. Depois do empate por 2 a 2 com a Chapecoense, o treinador evitou os rodeios para explicar a má fase do time. As cobranças foram pesadas diante da ameaça de rebaixamento. Cuca admitiu que o risco de cair é uma realidade do clube. O técnico disse que a situação preocupa “e muito”. O Santos tem 22 pontos em 20 jogos.O Vasco terminou o sábado com 21 pontos e na zona de rebaixamento.
A situação do time liderado por Neymar e Gabigol não é simples. Metade do Brasileirão já ficou para trás e o Santos não consegue reagir. Cuca abriu o seu coração e revelou, nas entrelinhas, que o trabalho dele e do elenco não é bom. Nenhum técnico gosta de admitir tal condição. De modo que “rebaixamento” costuma ser um fantasma que os clubes grandes tentam afastar do discurso. Mas na Vila, o pedido de socorro já foi feito. Cuca não conseguiu mais “fingir” que o problema é apenas uma fase ruim.

O empate na Vila diante do lanterna teve gosto amargo. E era para o Santos ter perdido o jogo. A Chapecoense chegou à Vila como lanterna, com dez pontos. O time vinha de uma goleada sofrida por 4 a 0 para o Flamengo na Arena Condá. Era, nas palavras do próprio Cuca, um jogo para vencer. O Santos finalizou 21 vezes, criou volume, rondou a área rival, mas deixou escapar dois pontos que não poderia perder em casa. Neymar marcou os dois gols, um deles, no finalzinho, de pênalti que não foi.
Treinador pede socorro
“Não podia, de forma alguma, ter deixado escapar os pontos que escaparam”, disse o treinador, ainda tentando digerir um resultado que aumenta a pressão sobre o elenco e sobre o seu próprio trabalho. O Santos chegou a 22 pontos e perdeu a chance de melhorar sua posição na tabela. Pior: reforçou a sensação de que terá de brigar até o fim para não cair.
Mas o problema do Santos não é apenas o empate com a Chapecoense na Vila. É o contexto da competição e do grupo. Time que quer se afastar da zona de risco não pode deixar pontos em casa contra o último colocado do Brasileirão. Ainda mais diante de um adversário que só havia vencido uma vez na disputa. Por isso, os jogadores foram vaiados. A Vila Belmiro, que historicamente empurrou o Santos em grandes noites, virou palco de ansiedade.
Santos finalizou 21 vezes
Cuca sabe disso e pode levar o time para São Paulo mais vezes. Mas ao admitir o risco de queda para a Série B de 2027, o treinador também manda um recado ao elenco: a tabela já não permite distrações, como o cartão amarelo e a suspensão que Neymar sofreu. O atacante forçou o cartão. O Santos precisa parar de desperdiçar jogos possíveis, abusar das reclamações. Precisa ser mais frio diante do gol e transformar volume ofensivo em vitória. Finalizar 21 vezes e não vencer o lanterna é o tipo de dado que explica uma campanha desastrosa.

O Santos vive uma temporada em que qualquer tropeço ganha proporção gigantesca. O clube ainda carrega cicatrizes recentes, pressão da torcida e a obrigação de não repetir erros que já custaram caro no passado recente. Quando Cuca fala em rebaixamento, ele não está criando crise. Ele está reconhecendo a crise que o campo já mostrou. E isso tem muito a ver com Neymar, Gabigol e todos os jogadores do time. É preciso jogar mais e melhor. Neymar foi o melhor do time. O restante inexistiu.
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A reação precisa ser imediata agora. O Brasileirão não espera clube grande acordar na competição. A cada rodada, a distância para o fundo da tabela pode diminuir, e o peso da camisa passa a ajudar menos do que a pontuação. O Santos tem história, tradição e camisa. Mas, neste momento, precisa de vitórias. O empate contra a Chapecoense foi mais do que um resultado ruim. Foi um alerta. Cuca colocou o medo em palavras. Agora, o Santos terá de responder com futebol. Porque quando o rebaixamento deixa de ser ameaça distante e passa a ser tema de entrevista, é sinal de que o campeonato já entrou em modo de sobrevivência.





