Neymar está relacionado, treinou nesta terça-feira, mas não deve ser titular do Santos contra o Palmeiras, na quarta, às 21h30, no Nubank Parque, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. Mas, independentemente da presença do camisa 10, talvez a peça mais importante para o time equilibrar um confronto em que entra como azarão esteja fora das quatro linhas. Cuca já enfrentou este problema antes — e sabe que existe um caminho para incomodar a equipe de Abel Ferreira.
A referência mais recente está fresca na memória. Em 2 de maio, também no estádio palmeirense, o Santos arrancou um empate por 1 a 1 pelo Brasileirão sem Neymar. Mais do que o ponto conquistado, ficou a sensação de que poderia ter saído com uma vitória. Rollheiser abriu o placar, o Santos encontrou espaços para atacar e desperdiçou oportunidades antes de Flaco López empatar na reta final. Nos acréscimos, o Palmeiras ainda teve um gol anulado por causa do toque de mão de Arias.

Naquela noite, Cuca precisou adaptar o ataque por não ter uma referência fixa. A solução foi apostar em jogadores mais leves, mobilidade e aproximações rápidas. Funcionou durante boa parte do clássico. O próprio treinador reconheceu depois que o Santos sentiu o desgaste no segundo tempo e lamentou as chances desperdiçadas. A leitura é importante para a decisão de agora: o plano não precisa ser inventado, mas sustentado por mais tempo.
Cuca x Abel: equilíbrio
Há uma diferença relevante. Abel não estava no banco naquela partida porque cumpria suspensão. O Palmeiras foi comandado por sua comissão técnica, com João Martins dando as ordens. Desta vez, o português estará presente. Isso aumenta o peso do duelo estratégico e também exige que Cuca encontre respostas durante o jogo caso o rival altere estrutura, pressão ou posicionamento. O histórico entre os dois ajuda a explicar por que a experiência do santista pode ser um ativo.
Desde que Abel chegou ao Palmeiras, equipes comandadas por Cuca enfrentaram o rival 12 vezes. O equilíbrio chama atenção: são três vitórias palmeirenses, uma delas na final da Libertadores de 2020, duas do treinador brasileiro e sete empates. Em três desses encontros, porém, o português estava suspenso e João Martins dirigiu o time à beira do campo.
Um dos melhores exemplos ocorreu em maio de 2024. No comando do Athletico-PR, Cuca venceu o Palmeiras por 2 a 0, na Arena Barueri. O Furacão explorou contra-ataques, atacou os espaços deixados pelo rival e mostrou disciplina para executar a estratégia. Não ficou restrito à defesa: mesmo em situação adversa, continuou buscando maneiras de machucar o Palmeiras. É aí que aparece a conexão com o Santos atual. Enfrentar o líder do Brasileiro fora de casa tentando disputar posse por posse ou transformar o clássico em trocação pode ser um convite ao risco.
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Cuca tem mostrado outra preferência em jogos deste perfil: compactação defensiva, saída rápida e aproveitamento dos espaços. A vitória por 3 a 0 sobre o Vasco, em São Januário, é um exemplo recente de uma equipe mais confortável sem precisar controlar a bola durante todo o tempo.
Cuca sabe como ligar com sintético
Outro elemento que costuma pesar para visitantes parece ter menos importância para o treinador do Santos: o gramado sintético. Após o 1 a 1 de maio, Cuca surpreendeu ao elogiar o piso do estádio palmeirense. Disse que o campo era “muito bom” e “tão ou mais macio” que gramados naturais. A declaração ganha relevância agora não apenas pelo jogo, mas por Neymar, crítico conhecido desse tipo de superfície. Cuca tratou de deslocar a pressão antes do jogo. Chamou o Palmeiras de favorito, lembrou que o adversário lidera o Brasileiro, joga em casa e possui um elenco numeroso.
Não significa abdicar da ambição. É uma forma de definir papéis: ao Santos cabe sobreviver aos momentos de pressão, evitar que o rival acelere o jogo e escolher a hora de atacar.

O desafio, portanto, não é descobrir como frear o Palmeiras. Cuca já encontrou respostas em maio e, antes disso, conseguiu derrotar Abel com uma estratégia desenhada para retirar o conforto do rival. A questão é fazer o Santos repetir essas virtudes durante 90 minutos, agora em uma eliminatória. Neymar pode decidir uma partida em uma jogada. Cuca, porém, terá de preparar o cenário para que o talento individual tenha importância. Com ou sem o camisa 10 entre os titulares, o Santos precisa primeiro transformar o jogo que interessa ao Palmeiras no jogo que interessa ao seu treinador. Se conseguir, a maior arma santista no Nubank talvez esteja mesmo no banco.





