O Palmeiras entra em campo para enfrentar o Santos nesta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), no Nubank Parque, pelas quartas de final da Copa do Brasil, com a ausência de Allan, um jogador com um retrospecto de protagonista nos últimos dois clássicos. A última vitória alviverde sobre o rival teve a assinatura do garoto negociado com o Manchester City. E, no encontro seguinte, o cria da Academia esteve a um braço de Arias de decidir de novo. Agora, Abel Ferreira terá de encontrar outra maneira de produzir o combo de movimentações táticas que seu camisa 40 oferecia: velocidade, drible, agressividade e capacidade para percorrer todo o corredor direito.
Em 14 de janeiro, pelo Paulista, Allan marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Santos. Aos 40 do primeiro tempo, apareceu para definir o clássico e iniciar uma temporada na qual deixaria de ser apenas uma promessa da Academia. Quase quatro meses depois, no empate por 1 a 1 pelo Brasileirão, esteve perto de repetir a história. Allan voltou com o time após o intervalo e mudou o ímpeto ofensivo. Nos acréscimos, finalizou para o gol. Do clima de festa à frustração. A bola desviou no braço de Jhon Arias antes de entrar. Após revisão do VAR, Raphael Claus anulou corretamente o lance que teria dado a virada ao Palmeiras.

Fator de desequilíbrio
Duas partidas contra o Santos em 2026, portanto, e duas intervenções diretas de Allan em lances que poderiam determinar seis pontos ao Palmeiras. É por isso que, diante deste adversário, a sua falta começa a ser colocada à prova. A saída não elimina apenas um titular. Retira de Abel um jogador que permitia ao treinador modificar o funcionamento da equipe sem alterar toda a estrutura tática. Allan podia jogar como ponta, meia aberto, ala e lateral.
Poderia receber por dentro ou permanecer grudado à linha lateral. Sobretudo, tinha uma característica cada vez mais valorizada por Abel: capacidade de atacar e defender o mesmo corredor. “Essas equipes querem um jogador como Allan porque ele faz o que 90% dos pontas aqui não conseguem, que é atacar e defender no corredor todo”, afirmou Abel, após a vitória sobre o Vasco no domingo, no Nubank Parque.
Não é por acaso que o Manchester City decidiu investir 37,5 milhões de euros fixos (R$ 227 milhões), além de outros 2,5 milhões de euros (R$ 15 milhões) previstos em bônus, para tirá-lo do Palmeiras. Aos 22 anos, Allan encerra sua passagem pelo profissional com 96 partidas, nove gols e 12 assistências. Somente em 2026 foram 42 jogos, seis gols e seis passes decisivos.
Allan cresce nos grandes jogos
Mais importante do que os números, porém, foram algumas das noites escolhidas para aparecer. A semifinal da Libertadores do ano passado talvez seja o retrato definitivo. Depois da derrota por 3 a 0 para a LDU em Quito, o Palmeiras precisava de uma atuação perfeita na volta. Goleou por 4 a 0. Allan foi um dos grandes responsáveis pela virada: deu a assistência para Sosa abrir o placar e, no segundo tempo, arrancou pela direita, passou pelos marcadores e sofreu o pênalti convertido por Raphael Veiga.
Nesta temporada, apareceu em um dos jogos mais pesados do calendário. Na vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo, no Maracanã, pelo Brasileirão, deu a assistência para o primeiro gol, anotado por Flaco López, marcou o segundo gol e ajudou a construir um resultado crucial na disputa pelas primeiras posições.

Foi esse gosto pelo enfrentamento que tornou Allan diferente dentro do elenco. Quando o Palmeiras precisava partir para cima, romper uma marcação individual ou empurrar a defesa rival alguns metros para trás, o camisa 40 oferecia uma solução direta: recebia, encarava e tentava passar.
Agora, Abel precisa encontrar esse comportamento em outros jogadores. Jhon Arias é uma das alternativas naturais para ocupar o corredor. Tem força física, intensidade defensiva e experiência partindo da direita. Khellven e Giay podem oferecer maior equilíbrio no setor defensivo, enquanto Felipe Anderson acrescentaria qualidade técnica mais adiantado. Nenhum deles, porém, reproduz o pacote entregue por Allan. O próprio Palmeiras, neste momento, não trabalha com a necessidade de buscar uma reposição imediata no mercado.
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Abel já antecipou o tamanho do desafio ao admitir que o time perde qualidade, embora tenha prometido preservar a competitividade. A primeira resposta virá imediatamente. Nesta quarta-feira, quando o Palmeiras precisar encontrar espaços em mais um clássico decisivo, a ausência daquele jogador que recebia a bola e partia para cima poderá ser percebida antes mesmo de qualquer saudade.





