Ainda não é possível dizer que Vitor Roque voltou a ser o jogador que o Palmeiras espera. Mas a vitória por 1 a 0 sobre a LDU, na primeira partida das quartas de final da Copa Libertadores, deixou o sinal mais animador desde que o atacante retornou da cirurgia no tornozelo esquerdo. Decisivo no gol de Giay, mais agressivo, participativo e disposto a atacar espaços, o camisa 9 respondeu em campo depois de Abel Ferreira aumentar, em entrevistas coletivas, o tom da cobrança.

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O gol não veio, mas a jogada decisiva passou por ele. Vitor Roque insistiu na disputa com Ade, recuperou a bola, finalizou e viu Giay aproveitar o rebote para marcar. Mais importante do que a participação direta no lance foi o conjunto da atuação. O atacante voltou a mostrar explosão, presença física e capacidade de incomodar a última linha adversária, características que haviam aparecido apenas de forma esporádica desde seu retorno.

Vitor Roque acompanha Giay na comemoração do gol do Palmeiras
Participantes no lance decisivo da partida, Vitor Roque (à esq.) e Giay celebram o gol da vitória sobre a LDU / Palmeiras

Vitor Roque enquadrado

Abel percebeu a mudança. “Hoje vimos um Vitor Roque já muito melhor, já muito mais parecido com aquilo que são as características dele”, afirmou o treinador. A frase ganha peso pelo contexto. Em entrevistas coletivas recentes, Abel havia deixado claro que esperava mais do atacante. Falou sobre forma física, linguagem corporal e chegou a pedir que o jogador recuperasse a alegria de treinar. Não era apenas uma cobrança por gols. O treinador exigia um Vitor Roque intenso, competitivo e emocionalmente conectado com o trabalho.

Diante da LDU, houve a primeira resposta mais consistente. Vitor Roque, porém, não tratou a atuação como ponto de chegada. Na curta entrevista depois do jogo, reconheceu que ainda está em processo de recuperação. “Venho tentando ajudar o Palmeiras ao máximo, buscando o meu 100% fisicamente e mentalmente também. Pouco a pouco, tenho certeza de que, continuando trabalhando com muita humildade, as coisas acontecem.” Questionado sobre as cobranças públicas de Abel, evitou qualquer sinal de conflito. “Faz parte do futebol. É continuar trabalhando para ajudar o Palmeiras da melhor forma.” Em vez de alimentar uma discussão sobre sua relação com o treinador, Vitor Roque escolheu devolver o assunto ao campo.

Recuperado não significa pronto

A situação física é fundamental para compreender a oscilação do atacante. Vitor Roque sofreu uma lesão em ligamentos do tornozelo esquerdo em 23 de abril na partida contra o Jacuipense, pela Copa do Brasil, e passou por cirurgia no dia 1º de maio. A recuperação clínica abriu caminho para o retorno aos jogos, mas recuperar ritmo, potência e confiança depois de uma operação é outro processo. Abel fez questão de estabelecer essa diferença. Segundo o treinador, mesmo depois de liberado pelo departamento médico, nenhum jogador recupera da noite para o dia a melhor performance competitiva. Há um tempo para que o corpo volte a responder às exigências de aceleração, contato, mudança de direção e repetição de esforços.

Para Vitor Roque, isso é ainda mais relevante. Seu futebol depende da intensidade. Ele precisa atacar profundidade, disputar com zagueiros, pressionar a saída rival e repetir movimentos de alta potência. Quando a condição física está abaixo do ideal, perde aquilo que o torna diferente. Contra a LDU, o Palmeiras voltou a enxergar parte desse repertório. Ao mesmo tempo, o fim do jogo mostrou que o processo não terminou. O atleta deixou o campo desgastado, com cãibras, sendo substituído por Heittor aos 33 minutos do segundo tempo.

Vitor Roque arrisca a finalização que termina no gol de Giay
Vitor Roque arrisca a finalização diante da marcação de Franco Allala; jogada termina com o gol de Giay / Palmeiras

Sequência decisiva coloca retomada à prova

E o calendário não oferece muito espaço para uma evolução gradual. O Palmeiras recebe o São Paulo no sábado, pelo Campeonato Brasileiro, e quatro dias depois vai a Quito decidir contra a LDU uma vaga na semifinal da Libertadores. É uma sequência que coloca Abel diante de uma equação delicada. Vitor Roque precisa de minutos para ganhar ritmo, mas também necessita de controle de carga para não transformar a busca pelo 100% em desgaste excessivo.

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O clássico pode exigir algum gerenciamento. Já no Equador, com a LDU obrigada a buscar o resultado e a altitude impondo outra demanda física, a capacidade de Vitor Roque de atacar espaços pode se tornar uma arma importante. Por isso, a atuação desta quarta-feira deve ser tratada pelo que representa: não a confirmação de que a crise acabou, mas o primeiro passo convincente para sair dela. O Palmeiras não precisa apenas que Vitor Roque volte a marcar. Precisa recuperar o atacante capaz de alterar o comportamento de uma defesa pela velocidade, força e insistência. Contra a LDU, esse jogador voltou a aparecer. Agora falta permanecer.

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