Por Matheus Trunk

Era um jogo decisivo. O recém-contratado do Vasco recebeu um cruzamento com apenas um minuto em campo. Ele deu uma cabeçada e a bola entrou no cantinho. Com o empate, o time cruzmaltino foi para a decisão dos pênaltis no Estadual do Rio para decidir favoravelmente uma vaga para as semifinais. Na disputa, o mesmo centroavante chutou no canto e contribuiu para a classificação. Dessa maneira, o atacante Claudio Spinelli foi o nome do jogo. “Eçe entrou muito bem, fez o gol, mas não só o gol. Teve muita disposição, lutando e se apresentando para o jogo”, disse o técnico Fernando Diniz. O Vasco renovou a confiança com a sua torcida.

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Com longos cabelos loiros, o atacante argentino usa uma tiara para conseguir se destacar no jogo aéreo e não ser atrapalhado. Com 1,80m de altura, o pivô faz muitos gols de cabeça, uma de suas principais características. Claudio Spinelli foi o nome da classificação do Vasco no Cariocão. O seu gol foi contra o Volta Redonda, sábado, em São Januário. “Para mim, é uma apresentação para a torcida. Tenho de aprender e me adaptar a esse futebol. Estou aqui (no Brasil) há cinco dias apenas. É tudo muito rápido”, declarou o jogador. O cartão de chegada foi dado. A torcida animou.

Em cinco dias no Brasil, argentino Claudio Spinelli demonstrou faro de gol e oportunismo defendendo o Vasco / Vasco

O Vasco ainda não sabe qual será o adversário na semifinal do Cariocão. O time da Colina aguarda o vencedor de Fluminense e Bangu na segunda-feira, no Maracanã. Além de Spinelli, o time de Fernando Diniz também trouxe outros nomes para essa temporada, como o lateral-esquerdo Cuiabano, o ponta-direita Marino Hinestroza, o atacante Brenner e o meia Johan Rojas.

Nômade e pupilo de Maradona

Spinelli é um autêntico nômade da bola. Aos 31 anos, o jogador passou por dez clubes de sete países diferentes até chegar a São Januário. Claudio Spinelli veio para o Vasco como uma alternativa para o setor ofensivo após as vendas de Vegetti e Rayan. O jogador atua como centroavante e iniciou sua carreira no Tigre, time da região metropolitana de Buenos Aires. Passou pelo futebol italiano e por algumas equipes do segundo escalão do futebol argentino. No Gimnasia y Esgrima, foi treinado por Diego Armando Maradona (1960-2020).

O ídolo argentino foi uma espécie de mentor do atacante. Spinelli declarou em entrevistas que o ‘El Pibe de Oro” transmitiu confiança e dava treinos específicos de finalização. O novo reforço vascaíno também passou por times da Eslovênia e Ucrânia. Mas ganhou destaque no futebol uruguaio, onde atuou por dois times: Deportivo Maldonado e Defensor Sporting, chamando atenção pelo jogo físico e presença de área. Ele ganhou a Copa Uruguai, em 2024. Esse foi o único título da carreira do atacante. Spinelli também teve uma inusitada passagem pelo futebol de Israel, no Bnei Sakhnin.

Spinelli foi artilheiro do Independiente del Valle, do Equador, na temporada de 2025  / Independiente del Valle

Mas o melhor momento deste nômade do futebol foi mesmo no Independiente del Valle, do Equador. Sua performance chamou a atenção do mercado brasileiro, principalmente pelos gols em disputa da Libertadores e Sul-Americana. Foi o artilheiro do Del Valle na temporada de 2025 e vice-artilheiro do campeonato equatoriano, com 20 gols. O Vasco pagou US$ 2,4 milhões (R$ 12,6 milhões) para adquirir o atacante em definitivo. A negociação foi estruturada em cinco parcelas a serem quitadas ao longo de dois anos e meio.

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Parecido com Caniggia

Spinelli chama a atenção pelo visual inusitado, ganhando comparações com o atacante Caniggia, ídolo da seleção da Argentina na década de 1990. Foi Caniggia que marcou o único gol da Argentina, após passe de Maradona, contra o Brasil na Copa do Mundo de 1990. O time do volante Dunga estava eliminado. Na comemoração, Caniggia deu um beijo na boca de Maradona.

Spinelli recebeu inúmeros apelidos ao longo da sua carreira. Um deles é “el pájaro” (o pássaro) por causa da sua impulsão no jogo aéreo. Outro é “el rubio” (o loiro). Já Maradona o chamava de “hijo de Caniggia”. O eterno craque brincava que Spinelli era o herdeiro legítimo do visual e do futebol do antigo parceiro de Copa.

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