Dos 53 países que disputaram as Eliminatórias Africanas, seis têm o português como idioma oficial. Cabo Verde foi o único país lusófono que conseguiu a inédita classificação para a Copa do Mundo. Contudo, Moçambique chegou perto e bateu na trave para conseguir a classificação. A seleção desse país é conhecida como “mambas”, em referência a uma serpente venenosa que habitam diversas regiões da África subsaariana.
Mas durante muito tempo a seleção moçambicana foi conhecida pela alcunha pejorativa de “paracetamol”, em referência ao comprimido de dor de cabeça. Isso porque a equipe era um verdadeiro saco-de-pancadas do continente. Entretanto, no último torneio qualificatório, Moçambique terminou na terceira posição no seu grupo, com uma campanha razoável com seis vitórias e quatro derrotas. O problema foram os confrontos contra a Argélia, primeira colocada da chave que chegou ao Mundial.

O principal destaque ofensivo da seleção moçambicana é o atacante Geny Catamo, que atua no Sporting, de Portugal. Aos 25 anos, o atleta atua como ponta-direita e tem liberdade para atuar em diferentes posições dentro do ataque. O atacante Stanley Ratifo, que atua no BSG Chemie Leipzg, da Alemanha, foi o artilheiro da equipe na qualificatória africana com três gols. Um dos pilares defensivos é o lateral-esquerdo Reinildo Mandava. Com passagem marcante pelo Atlético de Madrid, o jogador de 32 anos é titular da equipe “mamba” desde 2013 e é uma espécie de referência para os demais jogadores do selecionado.
Mudança de mentalidade
Longe de ser uma potência no futebol africano, o país está em evolução e quer disputar sua primeira Copa do Mundo em 2030. O técnico Chiquinho Conde assumiu a equipe em 2021 e desde então mudou a mentalidade do país. Ele conseguiu unir jogadores que não se entendiam dentro de campo. Alguns atuam no futebol europeu e outros no local. Dessa maneira, sob seu comando a equipe avançou pela primeira vez para a segunda fase da Copa Africana de Nações.

Com experiência internacional, o treinador foi atacante e atuou em diversos times portugueses como Sporting, Belenenses e Braga. Ao se tornar técnico, atuou em equipes moçambicanas, ele declarou que seu maior orgulho sempre foi defender a seleção. “Quando havia jogos da seleção nacional, eu tinha que me deslocar e tinha muito orgulho em jogar já que eu era o capitão. O povo olhava para mim como uma referência importante”, disse.
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A próxima meta de Chiquinho Conde é garantir a vaga na próxima Copa Africana de Nações. Contudo, no mês passado, Moçambique foi até a Ásia disputar dois amistosos internacionais e teve duas derrotas. Primeiro para a Omã (4 a 1) e depois para a Indonésia (1 a 0). São resultados que demonstram que o futebol local ainda precisa evoluir muito para chegar ao nível de Cabo Verde.





