Os treinadores do futebol brasileiro passam o ano reclamando do calendário, do excesso de jogos e da falta de tempo para recuperar os atletas e dar mais ênfase aos treinamentos técnicos e táticos. Usam essa lamúria como receita padrão para justificar nove de cada dez derrotas, fazendo disso o escudo perfeito para desviar o foco dos próprios erros. Quando aparece uma janela de quase duas semanas sem jogos, porém, quase nunca se notam efeitos práticos desse intervalo para treinar, treinar e treinar.

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Foi justamente isso que o Corinthians mostrou na patética derrota por 2 a 0 para o Coritiba na noite desta quarta-feira, em plena Neo Química Arena. O que era para ser uma noite de festa, com a apresentação do craque inglês Jesse Lingard à torcida, acabou se transformando em mais uma daquelas decepções típicas dos piores momentos corintianos em campeonatos brasileiros recentes.

Corinthians: alvinegro decepciona em campo e sofre derrota para o Coritiba em casa / Corinthians

Inoperância ofensiva

Até parece que Dorival Júnior usou as duas semanas de treinos apenas para ensaiar chuveirinhos para a área adversária. Nenhuma jogada ensaiada. Nenhuma combinação. Nenhuma aproximação de jogadores. Nenhuma triangulação. Nenhuma infiltração. Nenhuma chegada à linha de fundo. Nenhum chute a gol que exigisse uma defesa digna de nota do goleiro do Coritiba. Uma vergonha absoluta, como há tempos não se via em Itaquera.

O resultado reafirma aquela velha ideia de que o Corinthians, muitas vezes competitivo em jogos de mata-mata, se arrasta nos torneios de pontos corridos justamente por tropeços como esse. Já havia perdido para o Bahia na estreia e agora deixa mais três pontos pelo caminho em um jogo que a torcida tratava como vitória certa.

Falhas defensivas

O Coritiba fez o jogo estratégico perfeito. Entregou a bola ao Corinthians confiando na tese de que o adversário não saberia o que fazer com ela. Bem fechado na defesa, mostrou disposição para atacar apenas em contra-ataques e bolas paradas. E assim, sem fazer grande esforço, encontrou dois gols em erros bisonhos de posicionamento do sistema defensivo corintiano.

No primeiro tempo, um escanteio encontrou o zagueiro Jacy livre de marcação para cabecear. No início da segunda etapa, em uma jogada iniciada em cobrança de lateral, o meia Josué inverteu a bola para o outro lado do ataque e Ronier apareceu nas costas de Matheus Bidu para ampliar, também de cabeça.

Desespero tático e tabu quebrado

A partir do segundo gol, o Corinthians potencializou seus próprios defeitos. Com Lucas Silvestre — filho de Dorival — à beira do campo, a equipe virou um catado depois que quatro alterações foram feitas ao mesmo tempo, num gesto claro de desespero. Nada fazia supor que aquilo pudesse dar certo, porque a formação remendada certamente não havia sido treinada.

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Foi mais uma demonstração cristalina de que o Corinthians jogou no lixo duas semanas de trabalho — justamente o tempo que os treinadores brasileiros passam o ano inteiro dizendo que não têm. No fim das contas, quem aproveitou a oportunidade foi o Coritiba. O clube paranaense não vencia o Corinthians em São Paulo havia mais de vinte anos e voltou para casa comemorando um resultado que talvez nem ele mesmo acreditasse ser possível. A se lamentar apenas a contusão na cabeça do zagueiro Jacy, que precisou ser levado para o hospital de ambulância para exames médicos mais apurados. Na maca, ele nem pode viver a alegria de receber o troféu de melhor jogador da partida.

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