Madrugada de 21 de janeiro. Guarde esta data. Ela pode ser um divisor de águas no trabalho de Abel Ferreira. Começo de temporada. A entrada principal do Palmeiras foi pichada na madrugada após a derrota do time no Paulistão por 4 a 0 para o Novorizontino. Abel Ferreira foi o principal alvo dos torcedores. Ninguém viu quem fez as pichações. Mas o dia amanheceu com elas lá.
Foi mais do que uma derrota. O que está em jogo é a aprovação do treinador português. O torcedor não confia mais no técnico que mudou a história do clube e empilhou conquistas desde que desembarcou no país. Mas Abel é questionado pelo seu trabalho como se tivesse chegado ontem ao Brasil. Há um sentimento esquisito nesse relacionamento. Mas não é apenas isso. O português é marrento e há quem não goste disso pra valer.

Os muros do clube não precisavam ser pichados. Essa técnica de reclamar do time deteriorando o patrimônio do Palmeiras é antiga e não traz resultados efetivos, nunca trouxe, sem falar que isso é crime. Mas o futebol do Palmeiras é fechado, uma comunidade em que o torcedor não é convidado a participar. Há, como todos sabem, a rixa entre a presidente Leila Pereira e a Mancha Verde. Isso só atrapalha o time. O clima era de paz até então. Mas mudou. Por quê?
Paciência com Abel acabou
Porque não há mais paciência com Abel. Esse caldeirão está sempre quente. Desta vez, a fervura começou nos primeiros dias do ano, numa competição em que todos os times se valem dela para treinar e se preparar para a temporada. Todos entendem, mas ninguém aceita. Mesmo assim, a paciência parece curta com o elenco, com a direção e, principalmente, com o treinador. Leila segura Abel e vai segurar até o fim.
Abel tem mais dois anos de contrato, assim como o mandato de Leila no clube. Ela vai ficar até o fim. Mas não dá para ter a mesma certeza em relação ao treinador. Abel já se mostrou incomodado com as cobranças de parte da torcida. Sua renovação demorou a acontecer. Ele pesou muitas coisas, inclusive o elenco que tem.
Mas Abel tem razão quando lembra que o time havia vencido as três primeiras partidas do Paulistão e encaminhava de forma tranquila a sua classificação, mesmo rodando o elenco e preservando os principais jogadores, como sempre faz em começo de temporada. Nada de novo, portanto. Ocorre que a derrota por 4 a 0 para o Novorizontino mudou o cenário. Fez transbordar o que já estava cheio. A forma como o time jogou, sem comprometimento, garra, vontade… O próprio Piquerez disse isso com todas as letras. Pediu desculpas envergonhado que estava.
SIGA THE FOOTBALL
Instagram
Facebook
Linkedin
TikTok
Facebook
Abel reclamou da falta de jogadores, dos jogadores machucados, mas também disse que o Palmeiras não foi competitivo. Ele não suporta isso. A responsabilidade é do treinador, mas também chegou a hora de dividi-la com jogadores mais experientes do clube. Ele pode se fartar do Palmeiras, do torcedor e do Brasil. Como disse o treinador, é preciso saber o tamanho do Palmeiras e o que é jogar nesse time. Alguns dizem que ele perdeu o comando e o encanto. O torcedor está certo em não aceitar uma derrota desse tamanho. Mas é preciso também esperar um pouco mais.





