“Precisamos pedir desculpa para a torcida. Foi uma vergonha. Um golpe duro. Jogamos com medo. Ninguém queria a bola. Hoje foi uma vergonha. Somos um time grande. Todos temos de ter a dignidade para reconhecer que isso não pode acontecer.”

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A declaração é de Piquerez, um dos jogadores mais experientes do elenco do Palmeiras, ainda na saída de campo. Cabeça baixa, semblante abatido, discurso curto e direto. Não havia muito mais a dizer depois de uma noite que entrará para a história do clube — e não pelos motivos que o torcedor se acostumou a celebrar nos últimos anos.

Palmeiras sofre derrota de 4 a 0 para o Novorizontino fora de casa: três fols foram marcados por Robson / Agência Paulistão

Novorizontino 4, Palmeiras 0. Sim, é isso mesmo. Uma goleada impiedosa, inesperada, que se configura como a pior derrota do Palmeiras na era Abel Ferreira, já em sua sexta temporada à frente do time, justamente na partida de número 400 da comissão técnica lusitana. É também a maior goleada sofrida pelo Verdão nos últimos dez anos. E, acreditem, esta é apenas a segunda derrota em 60 jogos de fases classificatórias do Campeonato Paulista. A curiosidade cruel: a outra também havia sido para o Novorizontino.

Derrota que derruba treinador

Se não fosse início de temporada, se não fosse o Palmeiras de Abel — um técnico com crédito imenso, histórico vencedor e respaldo interno —, o impacto desse resultado poderia ser devastador. O contexto ameniza, mas não absolve. Há derrotas que pedem compreensão. Outras exigem reflexão profunda. A de Novo Horizonte se encaixa na segunda categoria.

É possível — e até razoável — que o torcedor mais fanático jogue o resultado na conta dos testes, do calendário apertado, das experiências típicas de janeiro… Mas o que se viu em campo foi mais do que um time em formação. Foi um Palmeiras desajustado, apático, distante de suas próprias características, irreconhecível até mesmo para um elenco que havia iniciado o Paulistão com três vitórias em três jogos e nenhum gol sofrido.

Robson, o dono da festa

O jogo começou travado, com poucas chances claras e excesso de faltas. Mas quando a partida destravou, o Novorizontino foi cirúrgico. Aos 19 minutos, Mayk cobrou escanteio fechado e Robson, completamente livre, abriu o placar de cabeça. O Palmeiras até tentou reagir, mas o jogo não fluía. A noite era mesmo do time da casa. Aos 41, Mayk avançou sem oposição pela esquerda, cruzou na área e Robson apareceu novamente para fazer 2 a 0.

O placar do primeiro tempo já refletia com fidelidade o que se via em campo: um Novorizontino intenso, organizado e faminto. E um Palmeiras passivo, inseguro, com medo de errar — como o próprio Piquerez admitiria depois.

Robson deu seu cartão de visita ao técnico Abel: três gol contra o Palmeiras e artilahria do Paulistão / Agência Paulistão

O segundo tempo, que poderia ser de reação, trouxe constrangimento. Robson completou o hat-trick aproveitando mais uma falha defensiva, e Hélio Borges fechou a conta em 4 a 0. Um passeio. Um choque de realidade. Um resultado que não permite explicações periféricas. Não dá para falar de gramado, arbitragem ou falta de tempo para treinar. O placar foi justo e refletiu o que o Palmeiras não jogou.

 Essa vitória é fruto de muito trabalho. Competir, botar o pé na bola, sufocar e aproveitar as oportunidades com calma. Pé no chão, não ganhamos nada ainda. Robson, autor do hat-trick

Para o Palmeiras, a goleada precisa ser tratada como ponto de inflexão. Um alerta alto, incômodo, impossível de ignorar. Os meninos da base estão realmente prontos para assumir mais responsabilidades? Os reforços contratados são suficientes? As variações táticas de Abel ainda encontram respostas dentro do elenco? A ausência de títulos no ano passado mexeu com o emocional de um grupo acostumado a ganhar?

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Não se trata de colocar tudo em xeque nem de ignorar o tamanho do trabalho construído nos últimos anos. Mas também não dá para normalizar uma derrota por 4 a 0 e fingir que nada aconteceu. O Palmeiras é grande demais para isso. Talvez o maior valor dessa noite esteja no desconforto que ela provoca. Porque times grandes também tropeçam. Mas aprendem rápido. E, se quiser seguir sendo o Palmeiras de Abel, o Verdão precisará transformar a vergonha assumida por Piquerez em resposta — dentro de campo. E rápido.

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