Com a demissão do técnico Filipe Luís e a iminente saída do diretor de futebol José Boto, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, retoma o comando total do futebol no Flamengo. Pelo menos por enquanto. Ele assume o comando do trem desgovernado e coloca para fora dois “maquinistas” que estavam saindo dos trilhos. Boto vai ficar um pouco mais de tempo. Com essa manobra, o presidente se exime da responsabilidade das derrotas, dos fracassos, das estratégias furadas, da perda de títulos e das “mentiras” do vestiário. Há muitas. Bap falhou em não conseguir uma harmonia do seu diretor de futebol com a comissão técnica e elenco. As rusgas sempre existiram.
Havia muitas mentiras no vestiário. Filipe Luís sabe disso. Ele não confiava em Boto. Boto não conseguiu ter o comando do elenco. O elenco respeitava e acreditava mais em Filipe Luís. Bap deixou que essa guerra de vaidades, intrigas e disputas internas de poder dividisse o futebol. A gota d’água foi mandar os jogadores entrarem em campo para salvar o time no Estadual. O Fla disputa neste domingo a decisão com o Flu em jogo único. Pode festejar o seu primeiro título no ano. Não há clima para isso.

Boto não interrompeu as férias dos jogadores nem da comissão técnica, mas pediu para que os atletas entrassem em campo no Estadual fora de forma, sem treinar suficientemente para isso. Expôs o elenco para evitar o pior ao Flamengo. Até aí, tudo bem. Qualquer dirigente faria isso e qualquer grupo ajudaria na hora difícil. Mas Boto tem métodos que o vestiário do Fla não aprova. Boto não pede, ele manda. O futebol ainda não está preparado para isso sem melindres, principalmente quando as coisas não dão certo, como os títulos perdidos para Corinthians e Lanús.
É justo que Boto caia?
É justo que o diretor de futebol caia também? Sim. Pelos resultados, pela estratégia equivocada do começo do ano e pela crise no vestiário. O Flamengo me parece um elenco esfacelado e que não dura mais de uma temporada.
Leonardo Jardim foi contratado antes mesmo de Filipe Luís ser demitido. O grupo, fechado com o treinador, não aceitou essa manobra. A diretoria do Fla não fez qualquer questão de esconder isso. Jardim é um ótimo treinador, mas ele está mais para o jeito de trabalhar de Boto do que de Filipe Luís. E aceitou numa boa toda a manobra na calada da noite.
Há dúvidas se o elenco vai aceitar o novo treinador, português como Boto. O futebol resolve muitos de seus problemas de gestão e de vestiário com as vitórias. Mas se o time começar a ficar para trás na corrida do Brasileirão, não ganhar o Estadual diante do Flu e se complicar na Libertadores, a debandada vai ser geral. Bap terá de ser mais próximo do futebol e dos atletas. Ele ainda não oficializou a demissão de Boto nem a contratação de um novo diretor executivo.
Bap e Boto
Bap e Boto decidiram juntos a demissão de Filipe Luís. Os problemas do treinador e do elenco apresentados pelo executivo ao presidente, ironicamente, condenam também o seu próprio trabalho. Ou Boto não fazia nada na Gávea? Onde ele estava quando o pau comia. A decisão de trocar o diretor de futebol é do Bap.
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Além da decisão contra o Fluminense, o Flamengo encara o Cruzeiro, de Tite, na quinta rodada do Brasileirão. O time da Gávea ocupa a 11ª posição, com quatro pontos, mas tem uma partida a menos. O Fla fez apenas três jogos.




