Aos 38 anos, após duas décadas como atleta profissional de alto nível, Ángel Di María poderia estar curtindo uma merecida aposentadoria. Como pouquíssimos, já foi campeão Mundial e Olímpico pela Argentina. Pelos clubes onde passou, ao longo dos dezoito anos em que jogou na Europa, ele conquistou 31 títulos. É uma lista de respeito: inclui uma Liga dos Campeões, com o Real Madrid, sem falar nas 19 taças levantadas pelo Paris Saint-Germain, na França, e nos seis troféus ganhos com o Benfica, em Portugal.
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Di María faz parte daquele tipo de jogador que gosta dos grandes jogos, muitas vezes fazendo a diferença neles. Ao lado de Lionel Messi, ele foi autor de um dos gols da conquista da Copa do Mundo do Catar, na final contra a França, em 2022. Dezoito meses antes, Di María tinha sido o herói da conquista da Copa América, diante do Brasil, no Maracanã. Foi esperto ao aproveitar o espaço deixado pelo lateral-esquerdo, Renan Lodi, e letal para encobrir o goleiro Ederson. O resultado no Rio encerrou um jejum de 38 anos sem títulos da Argentina.

Lodi foi apenas um dos muitos brasileiros que ele enfrentou durante a sua carreira, muitas vezes em duelos mano a mano. Ficaram famosos, os confrontos entre Di María, quando atuava no Real Madrid, e Daniel Alves, do Barcelona. Os dois se cruzaram diversas vezes nos “El Clásicos” entre 2010 e 2014, além de confrontos entre Argentina e Brasil. Em 25 jogos travados, o brasileiro saiu vitorioso em onze e o argentino triunfou em oito. Mas, nem sempre deu bom para Daniel Alves. Na final da Copa do Rei, de 2011, o argentino acertou um cruzamento que resultou no gol decisivo, de Cristiano Ronaldo. Três anos depois, o gol que definiu o título saiu dos seus pés.
Tinha 6 anos quando começou
Di María realizou um antigo desejo depois de conquistar tudo na Europa: decidiu encerrar a carreira na cidade de Rosário, às margens do Rio Paraná, onde nasceu. Mais especificamente no Rosário Central, clube que conheceu aos seis anos de idade, em 1994. “Sonhei muito em voltar ao Rosário Central, desde que me fui”, disse ele, ao ser apresentado com a camisa listrada de amarelo e azul do time, em julho do ano passado.
Contra o Corinthians
Com talento precoce, Di María chegou ao Rosário com seis anos de idade em troca de 26 bolas de futebol prometidas ao Torito, a equipe amadora na qual deu seus primeiros chutes em sua cidade natal. Foi nos tempos em que era um garoto magricela que se tornou conhecido como “Fideo”. É como os argentinos chamam um tipo de macarrão fino.
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Foi no estádio Gigante del Arroyito, o caldeirão com capacidade para cerca de 47 mil pessoas, que os dribles, passes e cruzamentos precisos que saíam da perna esquerda de Di María começaram a chamar a atenção dos torcedores – e dos olheiros a serviço dos grandes clubes europeus. Pelo equivalente a R$ 72 milhões, o Benfica comprou o seu passe. Ele tinha 19 anos e era considerado mais uma promessa. Ao lado dos também perigosos atacantes Campaz e Copetti, Di María está motivado para continuar a fazer histórias. Desta vez na Copa Libertadores, contra o Corinthians, no estádio onde tudo começou para ele.





