O técnico Fernando Diniz não precisou elevar o tom de voz para deixar evidente que o Corinthians ainda está longe do ideal que ele imagina. A vitória por 3 a 0 sobre o Remo, construída com autoridade ainda no primeiro tempo, levou o time à sétima colocação do Campeonato Brasileiro e consolidou uma sequência positiva. Ainda assim, o treinador fez questão de frear qualquer euforia. “Gostei muito do primeiro tempo, foi um dos melhores desde que cheguei. Mas no segundo a gente caiu demais. Isso não pode acontecer de jeito nenhum se a gente quiser brigar por coisas maiores”, afirmou Diniz.
A fala resume bem o novo momento do Corinthians. A equipe que há poucos meses fazia contas para escapar da zona de rebaixamento agora passa a ser cobrada por regularidade, intensidade e protagonismo durante os 90 minutos. Quando Diniz assumiu o comando, em abril, encontrou um time fragilizado, que chegou a frequentar o Z-4 e tinha dificuldades claras para controlar o jogo, propor ações ofensivas e sustentar um padrão coletivo. Nove partidas depois, o cenário é outro: são 17 pontos conquistados em 27 possíveis no Brasileirão, três vitórias consecutivas e uma posição confortável na tabela, a apenas três pontos da zona de classificação para a Libertadores.

Corinthians com identidade
A transformação ficou evidente na primeira etapa na Neo Química Arena. O Corinthians pressionou alto, recuperou a bola com rapidez e atacou com organização e proximidade entre os jogadores. Yuri Alberto abriu o placar com oportunismo e participou diretamente da construção do segundo gol, marcado por Kaio César após uma jogada coletiva bem trabalhada. Antes do intervalo, o camisa 9 voltou a balançar as redes, alcançando pela primeira vez na temporada dois gols em uma mesma partida.
Kaio César também foi destaque. O atacante mostrou mobilidade, participou das combinações ofensivas e foi recompensado com um gol que simbolizou o bom momento coletivo da equipe. Foi justamente por ter visto esse nível de atuação que Diniz se mostrou incomodado com o que aconteceu depois. “Quando a gente joga daquele jeito no primeiro tempo, não pode achar que está resolvido. Futebol não permite isso. A gente precisa manter a intensidade, continuar pressionando, continuar jogando. Relaxar é um erro grave”, disse o treinador.
Diniz na bronca
Na etapa final, o Corinthians diminuiu o ritmo, passou a trocar passes com menos agressividade e criou poucas oportunidades. O Remo praticamente não ameaçou, e o goleiro Hugo Souza teve uma atuação tranquila, mas isso não foi suficiente para satisfazer o comandante. “Não é só ganhar o jogo. Ganhar é importante, claro, mas a forma como a gente joga também importa muito. Se a gente quer crescer de verdade, precisa jogar bem o tempo inteiro, não só quando está confortável”, completou Diniz.
O discurso reforça a mudança de mentalidade dentro do clube. O Corinthians deixou de ser apenas um time preocupado em sobreviver na competição e começa a ser cobrado por desempenho e consistência. Mesmo com a evolução evidente, Diniz evitou qualquer tipo de empolgação exagerada e destacou que o processo ainda está em construção. “A gente está melhorando, isso é claro, mas ainda tem muita coisa para ajustar. Não dá para achar que está tudo certo. O caminho é longo e exige muita concentração e trabalho”, afirmou.

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A vitória sobre o Remo traz tranquilidade ao elenco e confiança para a sequência do campeonato, mas também eleva o nível de exigência. O Corinthians encerra o primeiro turno entre os dez primeiros colocados e passa a olhar para a parte de cima da tabela com mais ambição. Se antes o objetivo era apenas se afastar do perigo, agora o desafio é outro: sustentar o desempenho, manter a intensidade e provar, jogo após jogo, que pode competir por algo maior.





