O Egito precisou de quase um século, quatro participações e nove partidas para, enfim, descobrir o gosto de vencer uma Copa do Mundo. E fez isso da forma mais dramática possível: saiu em desvantagem no placar, sofreu no primeiro tempo, aumentou o ritmo depois do intervalo e derrubou a Nova Zelândia por 3 a 1, de virada, no BC Place, em Vancouver.
A vitória tem peso de feito histórico, mas também carrega valor prático imediato. Depois do empate por 1 a 1 contra a Bélgica na estreia, o Egito chega a quatro pontos, assume a liderança do Grupo G e fica a um empate, diante do Irã, na última rodada, de carimbar a vaga entre os dois primeiros colocados. Para uma seleção que chegou ao Mundial ainda perseguida pelo incômodo jejum em Copas, a campanha mudou de patamar em apenas uma noite.

Egito se reinventa
O início, porém, não indicava festa egípcia. A Nova Zelândia, também em busca de sua primeira vitória na história dos Mundiais, entendeu melhor o jogo nos primeiros minutos. Direta, física e perigosa nas bolas paradas, a equipe da Oceania abriu o placar aos 15 minutos. Tim Payne cobrou escanteio, a marcação egípcia falhou, e Finn Surman apareceu para cabecear e fazer 1 a 0.
Por alguns minutos, os ‘All Whites’ puderam acreditar que aquela seria a noite de sua própria libertação. Depois de três derrotas em 1982, três empates em 2010 e o empate por 2 a 2 com o Irã na estreia desta Copa, a Nova Zelândia parecia pronta para transformar competitividade em resultado. O problema é que o jogo mudou completamente depois do intervalo.
O Egito voltou mais acelerado, mais agressivo e mais disposto a colocar seus jogadores de talento perto da área. Salah passou a participar mais, Marmoush puxou marcações, e Ziko encontrou espaço para ser mais do que um coadjuvante. Aos 13 minutos do segundo tempo, veio o empate: Mohamed Hany cruzou, Zico atacou a bola com precisão e cabeceou para fazer 1 a 1.
Com brilho de Salah
O gol quebrou a resistência neozelandesa e abriu o caminho para o personagem principal da noite. Aos 22 minutos, Salah apareceu como Salah. Recebeu de Ziko, teve frieza para escolher a finalização e marcou o gol da virada. Em um jogo que precisava de alguém capaz de transformar pressão em controle emocional, o craque egípcio fez exatamente isso.
A partir dali, a Nova Zelândia perdeu campo, força e confiança. O que antes parecia um plano possível virou uma tentativa cada vez mais desesperada de resistir. O Egito, ao contrário, passou a jogar com a autoridade de quem havia esperado demais por aquele momento.
A confirmação veio aos 37 minutos. Salah cobrou escanteio, Trezeguet apareceu na área e completou para o terceiro gol. Foi o selo de uma virada construída por três peças ofensivas importantes: Zico, autor do empate; Salah, dono do gol que mudou a história; e Trezeguet, responsável por fechar a conta.

Matemática para vagas
A Nova Zelândia sai com a frustração de quem chegou a imaginar que poderia finalmente vencer em Copa, mas terminou de novo sem o prêmio. Agora são oito partidas em Mundiais, com quatro empates e quatro derrotas, em três participações. O sonho ainda não acabou, mas ficou mais difícil: para seguir viva, a equipe terá de derrotar a Bélgica na última rodada.
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O Grupo G chega ao capítulo final completamente aberto, mas com o Egito em posição privilegiada. A seleção africana lidera com quatro pontos. Irã e Bélgica aparecem com dois. A Nova Zelândia tem um. Na última rodada, Egito x Irã e Bélgica x Nova Zelândia decidem tudo. Para o Egito, basta um empate. Mas, depois de tanto tempo esperando por uma vitória, talvez o maior salto já tenha sido dado. O Egito chegou lá. E, agora, quer ir além.





