A seleção brasileira encerrou, na tarde desta terça-feira, a temporada de 2025 — o último estágio antes da preparação efetiva para a Copa do Mundo de 2026, que terá início em junho. E a julgar pelo futebol exibido no empate por 1 a 1 com a Tunísia, em Lille, a derradeira impressão não poderia ter sido mais preocupante.
Depois do desempenho consistente e até animador no amistoso da semana passada contra Senegal, o time de Carlo Ancelotti regrediu de forma abrupta e entregou uma atuação desfigurada, lenta, sem imaginação e, em longos trechos, preguiçosa. Por vezes, quase indolente.

A Tunísia, correta e competitiva, fez justiça ao abrir o placar e poderia perfeitamente ter vencido o jogo. O Brasil só empatou graças a um pênalti daqueles típicos da era do VAR: um toque absolutamente involuntário na mão de um zagueiro tunisiano, o tipo de lance que só existe porque a tecnologia, por vezes, obriga o árbitro a enxergar infrações onde o futebol não vê intenção. Estêvão bateu com autoridade e empatou.
No segundo tempo, veio outro pênalti “mandrake”, marcado após um leve toque em Vitor Roque — que caiu de forma exagerada e conseguiu ludibriar o apitador francês. A cobrança virou castigo: Lucas Paquetá isolou a bola num lance que sintetiza, como poucos, o apagão técnico e emocional da equipe nesta partida sem alma.

Estêvão e mais 10
Se há algo a ser preservado desse amistoso insosso, é a confirmação definitiva de Estêvão como o protagonista da Seleção na era Ancelotti. O atacante revelado pelo Palmeiras voltou a mostrar tudo aquilo que tem feito o técnico italiano se render ao seu talento. Por mais que Ancelotti esconda convocações, feche treinamentos e proteja informações sobre a lista final para a Copa, uma certeza já se impõe: o Brasil que estreará no Mundial terá Estêvão e mais dez. Hoje, a Seleção é Estevão e mais dez.
A personalidade do menino — que, no meio de tanta cobra criada, pediu a bola no momento decisivo para bater o pênalti — diz muito sobre o tamanho que ele ocupa dentro do time. Converteu a cobrança com frieza, alcançou cinco gols desde a chegada de Ancelotti e se afirmou, de forma inequívoca, como titular e protagonista do próximo Mundial.
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Ainda há vagas em aberto
O problema está em torno dele. Os outros dez ainda precisam provar que podem render mais do que exibiram nesta tarde de Lille. A Seleção encerra 2025 deixando a sensação de que há um caminho claro — mas trilhado por apenas um jogador. Ancelotti ganhou uma joia; agora precisa de um time. A Copa não espera.






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