Luís Castro ganhou de presente de aniversário aquilo de que mais precisava no Grêmio: resultado, classificação e algum sossego para trabalhar. No dia em que completou 65 anos, o treinador português viu seu time vencer o Internacional por 3 a 1, nesta quinta-feira, na Arena do Grêmio, e garantir a última vaga nas semifinais da Copa do Brasil. Mais do que eliminar o maior rival, o triunfo fortalece um comandante que passou as últimas semanas convivendo com vaias, protestos e questionamentos sobre a continuidade do seu trabalho.

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Se havia um jogo capaz de virar o humor em torno de Castro, era este. Em julho, depois da eliminação para o Bolívar na Sul-Americana, o próprio técnico reconheceu que as vaias eram direcionadas a ele. Em agosto, mesmo respaldado pela direção, continuou sendo um dos principais alvos da Arena. A classificação não apaga uma temporada irregular nem elimina a preocupação com o Brasileirão, mas muda o ponto de partida da discussão: o Grêmio está entre os quatro melhores da Copa do Brasil e novamente pode sonhar com o sexto título.

Luís Castro, treinador do Grêmio
Aniversariante do dia, Luís Castro, 65 anos, se dá de presente a vaga do Grêmio à semifinal da Copa do Brasil / Grêmio

Artilheiro letal

Para isso, contou com o homem mais acostumado a resolver seus problemas ofensivos. O centroavante Carlos Vinícius precisou de apenas 21 minutos para decidir o clássico. Aos 13 minutos, o atacante aproveitou a sobra dentro da área e abriu o placar. Oito minutos depois, apareceu na segunda trave após jogada de Amuzu e anotou o segundo. O goleador havia chegado ao confronto como artilheiro gremista da temporada, mas vinha de jejum de cinco jogos sem marcar, o maior desde que desembarcou em Porto Alegre. Escolheu o Gre-Nal mais importante do ano para reencontrar o caminho das redes.

E a noite ainda entregou a Castro uma espécie de aval para uma de suas escolhas. No segundo tempo, Filip Krovinovic fez o terceiro. O croata chegou ao clube por indicação direta do treinador, com quem havia trabalhado no Rio Ave, em Portugal. Quando Castro mais precisava mostrar que suas decisões poderiam ajudar na reconstrução gremista, um jogador escolhido por ele apareceu em um clássico eliminatório. Vitinho ainda descontou para o Inter, mas já não havia margem para reação.

Arena volta a pesar no Gre-Nal

O resultado também ampliou a força gremista no clássico dentro de sua nova casa. Até março, haviam sido disputados 27 Gre-Nais na Arena, com dez vitórias do Grêmio, 14 empates e apenas três triunfos colorados. Com o 3 a 1 desta quinta, o recorte passa a ter 28 partidas e 11 vitórias tricolores.

No histórico geral, este foi o Gre-Nal 454. Antes da partida, eram 166 vitórias do Internacional, 143 do Grêmio e 144 empates. Portanto, o Tricolor chega agora ao triunfo de número 144 no maior clássico gaúcho. Mais importante do que diminuir a distância histórica, porém, foi finalmente superar o rival na Copa do Brasil. Na única eliminatória anterior entre eles, em 1992, o Inter havia avançado nos pênaltis e depois conquistado o torneio.

A derrota deixa o Colorado sem qualquer competição paralela para dividir suas atenções. O problema é que isso está longe de representar tranquilidade. O Inter ocupa a 18ª colocação do Brasileirão, com 25 pontos em 25 partidas, está no Z4 e não vence pela competição desde maio. Eliminado da Copa do Brasil, passa a ter uma missão única para o restante de 2026: evitar o segundo rebaixamento de sua história.

Luís Castro confia em Carlos Vinícius
Após cinco partidas sem marcar, Carlos Vinícius reencontra o caminho das redes com dois gols no Gre-Nal / Grêmio

Imortal recordista

Do outro lado, Castro ganha tempo e um objetivo grande para perseguir. O Grêmio alcança a semifinal da Copa do Brasil pela 17ª vez e iguala o recorde do Flamengo. O adversário será o Atlético-MG, que eliminou o Cruzeiro. As datas-base são 1º de novembro, para os jogos de ida, e 8 de novembro, para a volta, ainda com horários e mandos a serem definidos pela CBF. Palmeiras e Vasco fazem a outra semifinal.

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Para um treinador que há pouco mais de um mês ouvia pedidos para deixar o cargo, chegar a novembro vivo na luta por um título nacional é uma mudança e tanto. Luís Castro não resolveu todos os problemas do Grêmio em seu aniversário. Mas ganhou algo que, no futebol, às vezes vale quase tanto quanto uma classificação: tempo para tentar resolvê-los.

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