Leonardo de Sá

A crise institucional do São Paulo ganhou um novo e gravíssimo capítulo nesta semana. Áudios divulgados pelo ge revelaram um esquema de comercialização clandestina de ingressos de camarote do Morumbis em dias de shows envolvendo dirigentes do clube. O caso resultou no pedido de licença de Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto do futebol de base, e de Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos e ex-mulher do presidente Julio Casares.

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A denúncia provocou forte reação política interna. O clube está rachado. Um grupo de conselheiros protocolou pedido de afastamento cautelar de Casares da presidência, alegando que o episódio compromete diretamente a imagem do São Paulo. O argumento central é que o camarote em questão está localizado em frente à sala onde trabalham diariamente o mandatário e integrantes da alta cúpula Tricolor, o que, segundo os cardeais, torna “praticamente impossível afastar a hipótese de ciência” sobre os fatos. O caso já está sendo investigado.

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O caso envolve o camarote 3A do Morumbis, no setor leste do estádio, classificado internamente como espaço institucional do clube. Durante o show da cantora Shakira, em fevereiro, o local foi destinado à diretoria feminina, cultural e de eventos, e acabou sendo usado para a comercialização irregular de ingressos para ganho próprio.

Como funcionava o esquema

De acordo com os áudios, o camarote foi repassado de forma informal para uma intermediária, Rita de Cássia Adriana Prado, que ficou responsável por explorar comercialmente o espaço. Os ingressos, que deveriam ser destinados a ações institucionais e de hospitalidade, acabaram sendo vendidos a empresas e terceiros, com valores que chegaram a R$ 2,1 mil por pessoa. Apenas neste evento, o faturamento teria alcançado cerca de R$ 132 mil, de acordo com a reportagem.

Em um dos trechos mais contundentes da gravação, Douglas Schwartzmann admite que houve ganho financeiro no processo. “Teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança.” Os áudios indicam ainda a preocupação dos envolvidos com o avanço de uma ação judicial, que expõe o caráter irregular da operação.

Licenças, pressão e afastamento

Douglas Schwartzmann e Mara Casares solicitaram licença de seus respectivos cargos. Em nota oficial, o São Paulo afirmou que tomou conhecimento do conteúdo pela imprensa e que realizará a “devida apuração dos fatos”, adotando as medidas cabíveis após a análise. Mas o caso já estava sendo investigado no clube.

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A repercussão, porém, foi além da resposta administrativa. O grupo de conselheiros denominado “Movimento Salve o Tricolor Paulista” protocolou um pedido formal de afastamento de Casares. O estatuto social do São Paulo prevê punições que vão de advertência à perda de mandato em casos de dano à imagem da instituição — argumento citado pelos conselheiros para sustentar a necessidade de um afastamento cautelar enquanto o caso é apurado. Casares vai entrar em seu último ano de mandato.

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O pedido também cita Marcio Carlomagno, superintendente geral do clube, apontado nos áudios como responsável por ceder o espaço, e defende o afastamento cautelar dos dirigentes até a completa apuração dos fatos.

Crise e sem Libertadores

O episódio surge em um momento sensível para o São Paulo. Fora de campo, o clube já lida com questionamentos sobre o departamento médico. Dentro das quatro linhas, o cenário também é negativo: com Vasco e Corinthians classificados para a final da Copa do Brasil, as chances tricolores de vaga na Libertadores de 2026 foram descartadas. Mas vai disputar a Sul-Americana. Entre crise política, desgaste institucional e frustração esportiva, o São Paulo entra em um período decisivo pressionado por mais transparência, respostas rápidas e estabilidade — exigências que ecoam tanto nos bastidores quanto nas arquibancadas.

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