O brasileiro Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, e o italiano Enzo Maresca, de 45 anos, que comanda o Chelsea, são dois treinadores obcecados por ter a posse de bola. E essa será a primeira batalha da partida semifinal, que definirá um dos finalistas da Copa do Mundo da Fifa. O jogo será nesta terça-feira, no MetLife Stadium, às 16 horas de Brasília. “Quem tem o controle da bola sofre menos desgaste físico, o que pode ser uma grande vantagem em uma partida que será disputada em um forte calor”, disse Maresca. Além disso, segundo o treinador italiano do Chelsea, controlar a bola é fundamental para reduzir a exposição de um time de futebol.
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Uma coisa é certa: Renato Gaúcho terá de ser criativo para driblar a estratégia do seu rival. Desde que jogava na Juventus de Turim, entre 2000 e 2004, Maresca foi treinado por criativos magos dos esquemas táticos, como os italianos Carlo Ancelotti e Marcello Lippi e já demonstrava interesse em conhecer e estudar o movimento dos jogadores pelos espaços em campo.

Quando se aposentou, estava preparado para buscar o seu próprio estilo de trabalhar e montar seus times. Portanto, desde que treinou o Sevilha, da Espanha, o Parma, da Itália, o Olympiacos, da Grécia, e o Leicester, da Inglaterra, Enzo Maresca ficou conhecido no futebol europeu por ter astúcia para posicionar bem seus jogadores. Aprimorou suas ideias quando o espanhol Pep Guardiola o chamou para trabalhar na equipe B do Manchester City.
O Chelsea de Maresca
Nesta época foram revelados craques como Cole Palmer, Roméo Lavia e Tommy Doyle.
Uma das características do plano de jogo de Enzo Maresca é valorizar a construção de jogadas em profundidade, com passes curtos da linha de fundo para evitar uma pressão alta. O goleiro Robert Sánchez desempenha um papel importante nessa estratégia, frequentemente se juntando à linha de zagueiros, aumentando a pressão nos adversários.
De modo que foi uma das formas que o Chelsea utilizou para pressionar o Palmeiras, recuperar o controle da bola e mantê-la sob o domínio do seu time.
Quando o Chelsea se lança ao ataque, seus laterais e um dos meias avançam, em uma formação 2-3-5, com a intenção de sufocar os rivais e fazer com que provoquem erros, que podem ser fatais. Contra o Palmeiras, isso aconteceu, no segundo gol. Ele nasceu de um chute do lateral Malo Gusto, que desviou em Giay, dificultando a defesa de Weverton.
O gelado Palmer
O cérebro do time é o polivalente meia inglês, Cole Palmer, que pode atuar pelo centro e pelos dois lados do campo e tem habilidade e boa visão de jogo enormes. Ele é frio como gelo. Nos três primeiros jogos de Palmer no Mundial, Maresca o escalou em três posições diferentes: meia-armador, ponta direita e ponta esquerda – e ele deu conta do recado nas três.

Maresca o conheceu jovem na equipe aspirante do Manchester City e pediu para que os dirigentes do Chelsea trouxessem o jogador, hoje com 23 anos. Segundo a definição do técnico italiano, “Palmer é um jogador que pode criar jogadas perigosas do nada, a qualquer momento, e desequilibrar situações.”
Autor de um gol contra o Palmeiras e de uma assistência diante do Benfica, na goleada dos ingleses por 4 a 1, conquistada na prorrogação, o jovem talento demonstrou estar em forma. É bem assistido pelo meia Enzo Fernández, da seleção da Argentina, que marca e ajuda a ditar o ritmo no meio-campo inglês. Normalmente, eles atuam ao lado do belga Roméo Lavia, que ficou fora do jogo contra o Palmeiras (foi substituído pelo brasileiro Andrey Santos).
Brasileiro João Pedro
Outro brasileiro com boas chances de estar em campo é o atacante João Pedro, cotado para entrar no lugar de Liam Delap, suspenso por ter levado o segundo cartão amarelo. Na vaga do lateral-esquerdo Levi Colwill, também fora pelo acúmulo de advertências, deverá jogar o inglês Nicholas Jackson.
Na fase de construção baixa de seu time, Maresca posiciona o Chelsea em um 4-2-2-3. O goleiro Sánchez se posiciona na linha de três zagueiros, formando um quarteto. Portanto, isso ajuda a equipe de Londres a se defender da pressão adversária, essencialmente dando ao time um jogador de linha extra.

À frente da linha de quatro zagueiros, há dois pivôs no meio-campo. De modo que os quatro zagueiros e os dois pivôs procuram sustentar a linha defensiva e permitem que os dois pontas agridam, com mais espaço para construir, sem se tornarem vulneráveis na transição após perderem a posse de bola.
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Assim, quando a sua equipe está em fase de construção alta, Maresca posiciona o Chelsea em um esquema 3-2-5. Uma das únicas diferenças é que Robert Sánchez não está mais entre os zagueiros. Isso deixa de ocorrer quando o Chelsea enfrenta adversários mais agressivos e com pressão alta. Quando tem o domínio da bola, o jogo ofensivo é feito com toques e passes rápidos, enquanto o time se projeta para o ataque em velocidade.
Respeito ao Fluminense
Apesar de ser um dos técnicos da moda na Europa, Maresca não acha que o Chelsea seja o favorito no duelo com o Fluminense. “Nesta fase do torneio, não há favoritos”, disse o italiano. “O Fluminense tem um ótimo técnico, jogadores experientes e de qualidade como (Jhon) Arias e (Germán) Cano, e a essa altura do torneio qualquer partida vai ser muito difícil”, disse.
“Equipes com orçamentos maiores não vencem seus jogos na véspera: é preciso muito mais”, afirmou. “Sempre respeito times brasileiros e com o Fluminense não será diferente: é uma equipe com muito talento, bem dirigida e que exigirá muita atenção da nossa parte.” Por Fernando Valeika de Barros, de East Rutherford





