Nem sempre a seleção brasileira usou o uniforme canarinho. Entre as Copas de 1930 a 1950, o Brasil vestia uma camisa branca com gola polo e detalhes em azul, com meias pretas ou brancas. Após o “Maracanazzo”, quando a seleção perdeu em casa a final para o Uruguai, o uniforme branco foi considerado “azarado” e nunca mais foi utilizado. A famosa “amarelinha” surgiu após um concurso e começou a ser utilizado no Mundial da Suíça, em 1954. Pensando nesse assunto, o Museu do Futebol, em São Paulo, promove a exposição “Amarelinha” para contar a trajetória do uniforme do Brasil.

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A mostra reúne 18 camisas históricas utilizadas por craques de diversas gerações do futebol brasileiro, como Rivellino, Sócrates, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Vini Jr. Grande parte do acervo veio de cinco colecionadores. Um dos principais destaques é a camisa oficial usada por Pelé na final da Copa de 1970, contra a Itália, quando o Brasil conquistou o tricampeonato no México.

Exposição Amarelinha reúne 18 camisas utilizadas pelo Brasil em diferentes Copas do Mundo / Museu do Futebol

A diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas, detalha ao The Football que o valor da exposição está no seu conjunto. “São camisas de diferentes épocas, ligadas a grandes ídolos do futebol e a momentos marcantes da seleção masculina”, explica. O Museu do Futebol fica no Estádio do Pacaembu.

Interatividade

Um dos aspectos mais interessantes da exposição é a interatividade. A ideia é deixar a visita mais acessível ao grande público. Por meio de um totem, o visitante pode visualizar a ficha técnica de todas as seleções que já participaram das Copas, curiosidades e momentos marcantes da trajetória da equipe. É uma verdadeira aula sobre a seleção brasileira de 1930 até 2022. O Museu do Futebol (praça Charles Miller, s/n, Pacaembu, São Paulo) reunirá a exposição até o dia 7 de setembro. Para entender melhor a mostra, The Football conversou com a historiadora Marília Bonas, diretora técnica do Museu do Futebol e uma das responsáveis pelo trabalho.

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The Football: Como surgiu a ideia da exposição “A Amarelinha”?

Marília Bonas: “A Amarelinha” nasce de uma ideia muito clara: olhar para a camisa da seleção brasileira como um objeto de museu, um objeto que traz diferentes camadas de informação. Assim, para cada uma das 18 camisas em exposição, fizemos um trabalho de pesquisa e curadoria que se debruçou sobre sua materialidade (a evolução dos materiais, das tramas dos tecidos, da tecnologia envolvida), sobre a forma e o design das camisas (e como marcaram época e se relacionam com o mundo da moda) e, por fim, sobre seu uso e representatividade (por quem foi usada, em qual Copa, em qual jogo). Ao ampliar a interpretação dessas peças como patrimônio, o Museu convida o público a observar, aprender, rememorar e compreender porque é importante preservá-las.

Todas as camisas expostas são originais? Qual é o grande destaque da mostra?

Sim, todas as camisas são originais, e isso é um ponto central da exposição. São 18 peças históricas, que foram ou “preparadas” (ou seja, preparadas pelos roupeiros para uso em campo) ou “suadas” (que foram usadas em jogo). Mais do que um único destaque, o grande valor da mostra está no conjunto: são camisas de diferentes épocas, ligadas a grandes ídolos do futebol e a momentos marcantes da seleção masculina.

Detalhe da camisa utilizada por Ronaldinho Gaúcho na Copa de 2002 que está na exposição / Museu do Futebol

Qual foi a maior dificuldade em obter camisas originais?

Sem dúvida, o maior desafio foi reunir peças tão raras e garantir a autenticidade de todas elas. Esse é um universo muito específico, que depende de um diálogo próximo e de confiança com colecionadores e, acima de tudo, de um trabalho rigoroso de checagem de informações, materiais e trajetórias desses objetos. Além disso, ao trazer um acervo tão valioso, há toda a responsabilidade do Museu com a conservação, segurança, transporte e exposição dessas peças.

Na decisão da Copa de 1958, o Brasil jogou de azul já que o amarelo era a cor da Suécia. Existe algum uniforme azul na exposição?

Nem todas as camisas da exposição são amarelinhas! Na exposição, trazemos camisas azuis usadas por Rivellino (Copa de 1978), Ronaldinho Gaúcho (Copa de 2002) e Vini Júnior (Copa de 2022). Apresentamos também uma camisa cinza azulada, do goleiro Waldir Peres (Copa de 1982).

Como você acredita que a camisa amarela se tornou um sinônimo do futebol brasileiro?

A camisa amarela traduz uma ideia dos valores de brasilidade, vinculados ao futebol, mas que extrapolam o esporte (e diferentes interpretações e projeções desses valores). Elas representam, em especial para fãs de fora do país, a alegria, a garra e o jogo bonito apresentados para o mundo em nossas conquistas e celebrações, passando, em especial pelo ídolo Pelé e a conquista da Copa de 1970 — a primeira televisionada ao vivo ao mundo todo.

Com foco na seleção brasileira, exposição A Amarelinha estará no Museu do Futebol até setembro / Museu do Futebol

Qual é o principal objetivo da exposição?

O principal objetivo é convidar o público a ver a camisa como um objeto da história e da memória do Brasil, em suas múltiplas camadas de informação, história e memória. Num mundo tomado pelo digital e virtual, o encontro com objetos originais é uma possibilidade única de conexão com testemunhos de uma história que atravessa gerações e que tem um grande peso afetivo.

O Museu do Futebol terá outras exposições ou iniciativas durante a Copa do Mundo?

Durante o Mundial, o Museu do Futebol prepara uma grande festa para o público, com transmissões de jogos, atividades especiais e uma programação cultural variada.

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