Leonardo de Sá

O Corinthians comunicou nesta terça-feira, dia 23, a saída de Fabinho Soldado do cargo de executivo de futebol. A decisão, segundo nota oficial divulgada pelo clube, foi tomada em comum acordo, encerrando uma passagem marcada por respaldo interno do elenco e forte desgaste político nos bastidores do Parque São Jorge. O desligamento acontece dois dias após a conquista da Copa do Brasil, em um período de renovação feito pela direção alvinegra.

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A permanência de Fabinho já era considerada incerta há algum tempo. O dirigente possuía proposta do Internacional e vinha sendo alvo de pressão de conselheiros ligados à política interna do Corinthians. Mesmo com o apoio público dos jogadores, a situação se tornou insustentável nos bastidores, especialmente diante da tentativa da diretoria de reorganizar o comando do futebol após meses de instabilidade institucional. A saída de Fabinho deve puxar uma fila de jogadores que podem deixar o clube.

Fabinho Soldado deixa o Corinthians em meio ao desgaste político no Parque São Jorge e dois títulos no ano / Corinthians

O presidente Osmar Stábile vinha sendo pressionado por conselheiros para promover mudanças no departamento de futebol, e Fabinho Soldado passou a ser um dos principais alvos. Internamente, o executivo era visto como um nome técnico e profissional, enquanto setores da política do clube defendiam uma condução diferente do futebol. A divergência de visões acabou pesando para o desfecho.

Fabinho sabia da pressão

Ainda no gramado do Maracanã, logo após a vitória sobre o Vasco que garantiu o tetracampeonato da Copa do Brasil, Fabinho falou em tom de despedida e deixou claro seu incômodo com o ambiente político do Corinthians. O discurso, interpretado como um recado direto à cúpula alvinegra, expôs o conflito entre profissionalização e interesses internos. Stábile não teve coragem para segurá-lo.

Fabinho Soldado, Yuri Alberto e Osmar Stábile: presidente sofria pressão para demitir executivo / Corinthians

Apesar da saída, Soldado deixou o clube com forte respaldo do elenco. Durante a festa do título da Copa do Brasil, jogadores exaltaram publicamente o trabalho do dirigente. No trio elétrico da comemoração, o meia Rodrigo Garro pediu que Fabinho pegasse o microfone, enquanto Gustavo Henrique puxou o coro de “fica, Soldado”, acompanhado por torcedores presentes na Neo Química Arena.

Apoio de Memphis Depay

Memphis Depay, uma das principais contratações da última temporada, também demonstrou apoio ao executivo. O holandês chegou a afirmar que Fabinho era vítima de pressão política, além de destacar a importância do dirigente no processo que culminou em sua chegada ao clube. Foi Fabinho, inclusive, que conduziu as negociações e chegou a viajar à Holanda para fechar o acordo em 2024. O técnico Dorival Júnior mantinha relação próxima com o executivo e elogiava seu trabalho. 

Memphis Depay foi uma das principais contratações comandadas por Fabinho Soldado no Corinthians / Corinthians

A saída de Fabinho Soldado gera impacto direto na rotina do departamento de futebol. Ele era o responsável por negociações de renovações contratuais, conversas com estafes de atletas emprestados e pelo mapeamento do mercado da bola. Também mantinha reuniões frequentes com a comissão técnica e com o gerente de análise de mercado, Renan Bloise, seu braço-direito no clube.

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Com a mudança, as conversas por reforços e definições contratuais tendem a ficar temporariamente congeladas. Em sete dias, se encerram os contratos de Fabrizio Angileri, Ángel Romero e Talles Magno. O argentino negocia há meses para permanecer, enquanto os outros dois não estão nos planos para 2026. A reapresentação do elenco está marcada para o dia 3 de janeiro, quando a diretoria deve se reunir com os jogadores para explicar os próximos passos no comando do futebol.

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