A Fifa não pode se comportar como uma mera expectadora do caso de racismo contra o jogador brasileiro Vinícius Jr, como fez o presidente Gianni Infantino, na partida do Real Madrid contra o Benfica, pelos playoffs da Champions League. A Fifa faz as regras e precisa tomar providências. Ela não pode ser torcida. Nem ela nem a Uefa. Aplaudir os protocolos de campo, como fez o árbitro ao parar o jogo, e reforçar os discursos da luta contra o racismo ou qualquer outro tipo de preconceito é pouco.

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O que se cobra são menos denúncias e notas oficiais e mais ações e punições. Nunca há provas de atos racistas convincentes para a Fifa. A maior testemunha me parece ser Mbappé, que “partiu” para cima do jogador argentino do Benfica que xingou Vini e o condenou em campo e também depois, já em sua entrevista na zona mista. O jogador em questão é Prestianni. O regulamento prevê dez jogos de punição.

Vini Jr marcou um golaço na vitória do Real Madrid sobre o Benfica pela Champions League: festa e racismo / Real Madrid

Mbappé foi muito preciso ao dizer, depois de banho tomado e cabeça fria, que Prestianni xingou Vini de “mono” por cinco vezes. O atacante francês se deu ao trabalho de contar e registrar na memória quantas vezes o colega brasileiro foi ofendido. Isso é diferente de tudo o que já se viu e ouviu dos atos racistas contra Vini na Europa. Essa atrocidade já dura quatro anos. É ainda uma vergonha o que disse o técnico José Mourinho, ao dar as costas para o racismo e o racista do seu time e cobrar do brasileiro a comemoração do seu gol. Foi cretino com o que ele viu dentro de campo e estúpido como ser humano.

A decisão tem de ser rápida

Fifa e Uefa, cada uma na sua seara, precisam tomar uma decisão rápida contra o racismo de Prestianni. São dois jogadores do Real Madrid como testemunhas, no mínimo, o próprio Vini e Mbappé. Há uma enxurrada de apoio dos atletas do Real Madrid em apoio ao colega de profissão. O que mais a Fifa e a Uefa precisam para tomar a decisão, com ou sem imagens. Ou ela toma uma providência ou ela terá de assumir a normalização do racismo dentro de campo. Se isso acontecer, ela tem de parar de publicar notas oficiais sobre casos dessa natureza.

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A revolta de Mbappé precisa contagiar todos os jogadores das duas equipes, Benfica e Real Madrid, no mínimo. Mas os atletas não gostam de comentar sobre racismo ou comportamentos criminosos e inadequados de seus parceiros de vestiário. A razão precisa estar acima da mentira. O que fez Mourinho, um homem branco, rico e europeu, ajuda a deixar tudo como está. Ele deveria ser o primeiro a condenar o seu jogador e não fazer média com o presidente do clube e a torcida do Benfica.

Presidente da FIFA, Gianni Infantino

Fiquei chocado e triste ao ver o incidente de alegado racismo contra Vinícius Júnior na partida da Liga dos Campeões da UEFA entre SL Benfica e Real Madrid CF. Não há absolutamente nenhum espaço para racismo em nosso esporte e na sociedade – precisamos que todas as partes interessadas relevantes ajam e responsabilizem os culpados.

Na FIFA, por meio da Iniciativa Global contra o Racismo e do Painel de Voz dos Jogadores, estamos comprometidos em garantir que jogadores, árbitros e torcedores sejam respeitados e protegidos, e que as medidas apropriadas sejam tomadas quando incidentes ocorrerem. Parabenizo o árbitro François Letexier por ativar o protocolo antirracismo usando o gesto com o braço para interromper o jogo e lidar com a situação.

A FIFA e o futebol demonstram total solidariedade às vítimas de racismo e qualquer forma de discriminação. Continuarei reiterando sempre: Não ao racismo! Não a qualquer forma de discriminação!

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