O Flamengo venceu o Estudiantes por 2 a 1, na noite de quinta-feira, no Maracanã, e largou em vantagem nas quartas de final da Libertadores. Mas o que deveria ser uma vitória tranquila, quase resolvida ainda no primeiro tempo, acabou se transformando em uma noite de revolta, em que o resultado ficou em segundo plano diante de mais uma atuação desastrosa da arbitragem.
O curioso é que o Flamengo, clube historicamente associado a benefícios em decisões controversas de árbitros, agora se coloca no papel de vítima. Isso não significa que exista alguma “lei da compensação” no futebol — não há. Ser “ajudado” no passado não justifica ser prejudicado no presente. O fato é que o Rubro-Negro experimentou na pele o que tantas vezes já denunciou: a incompetência (ou algo mais) de quem conduz o apito.

A expulsão de Plata aos 37 minutos do segundo tempo foi o estopim da revolta. A Conmebol reconheceu nesta sexta-feira que houve erro no lance, admitindo que o cartão vermelho foi equivocado. Mais do que uma falha de interpretação, o episódio deixou no ar uma sensação de improviso e amadorismo que insiste em sobreviver mesmo na era do VAR, com todos os recursos tecnológicos à disposição.
Boto mete o pau na arbitragem
O diretor de futebol José Boto não poupou palavras ao criticar a arbitragem, que classificou de “episódio escandaloso”. Assim, ele listou outros lances em que, segundo o Flamengo, a arbitragem pesou contra: um pênalti ignorado em Luiz Araújo, o toque de mão no lance do gol do Estudiantes, a falta dura sobre Arrascaeta sem cartão.
Para o clube, foi um roteiro de prejuízos que beirou o absurdo — agravado pela acusação, feita por jogadores, de que a equipe de arbitragem teria alertado o banco argentino sobre a situação de cartões de um atleta, quase como se orientasse a substituição para evitar expulsão. Se confirmado, trata-se de um gesto sem precedentes, que precisa ser investigado com lupa.

Nada disso, porém, muda o essencial: a arbitragem sul-americana continua sendo um dos maiores gargalos competitivos do continente. Se investe em cursos, treinamentos, novas tecnologias, mas as grandes decisões seguem sendo tomadas pela subjetividade — e muitas vezes pela desconfiança. O futebol evoluiu em todos os aspectos: preparo físico, análise de desempenho, estrutura de clubes. Só o árbitro continua à margem, sem profissionalização plena, preso a vícios e suspeitas que parecem eternas.
Decisão está aberta na Argentina
Ao Flamengo, resta um misto de revolta e autocrítica. Afinal, o time poderia ter matado o confronto ainda no primeiro tempo, quando abriu 2 a 0 em um piscar de olhos e empilhou chances para transformar a vitória em goleada. O gol sofrido nos acréscimos deixou tudo em aberto e dá ao jogo da volta, na Argentina, um peso ainda maior. A revolta com a arbitragem é legítima, mas não pode esconder o fato de que o próprio Flamengo deixou a porta entreaberta.
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No fim das contas, o Rubro-Negro apenas experimenta o que todos os clubes da América do Sul já viveram: a estranha sensação de que a bola não rola apenas dentro das quatro linhas. O que deveria ser decidido pelo talento e pelo esforço em campo continua sendo, demasiadas vezes, manipulado pela incompetência, pela arbitrariedade ou por interesses que escapam ao aspecto puramente esportivo.





