Depois de um primeiro tempo muito ruim e sem inspiração das duas equipes, Santos e Remo fizeram um segundo tempo bem mais emocionante, especialmente nos últimos 20 minutos, quando o placar finalmente se decidiu. No fim, prevaleceu a melhor qualidade do elenco santista, especialmente pela noite inspirada de Gabigol, que deu a assistência para Rony abrir o placar e depois fez o gol que garantiu a vitória por 2 a 1, neste sábado, em Belém do Pará.

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“Mais que jogar bem hoje a gente precisava ganhar depois da frustração da eliminação da Sul-Americana. Muita gente acha que é marra minha, soberba, mas sempre disse que se puder jogar num time que me dê condições eu vou fazer gols”, festejou Gabigol após a partida, feliz com o novo momento vivido pelo Peixe.

Santos Gabigol
Oportunista, Gabigol mostra o seu faro de artilheiro e decide na vitória do Peixe sobre o Remo, no Mangueirão / Santos FC

Santos sonha alto

O resultado confirma a correção de rota do Santos. São cinco vitórias e apenas um empate nos últimos seis jogos, sequência que tirou o time da zona de rebaixamento e já o coloca naquele bloco de equipes que brigam para alcançar a faixa de classificação para a Libertadores. Ou ao Menos sonhar com ela. O Remo, por outro lado, chegou a oito partidas sem vitória e aparece cada vez mais como um dos fortes candidatos ao rebaixamento.

Os primeiros 45 minutos foram de pouco futebol. Num cenário de muita tensão e nervosismo, o Remo até começou com maior controle do jogo e criou as melhores oportunidades. A principal delas veio aos 26 minutos, em cobrança de falta de Vitor Bueno, defendida por Diógenes. O goleiro santista voltaria a aparecer aos 45 minutos, após chute forte de Marcelinho. O Santos demorou a incomodar, mas levou algum perigo em finalizações de Rony e Bontempo de fora da área. Muito pouco para duas equipes que precisavam vencer a qualquer preço.

Lucas Veríssimo resumiu bem a dificuldade santista para se encontrar em campo. “Nosso time demorou a encaixar. Conforme foi passando o tempo, a gente conseguiu encaixar a marcação e colocar a bola no chão para jogar, aí começaram a aparecer espaços. É colocar a bola no chão, ter paciência, rodar de um lado para o outro que vai aparecer o espaço e sair o gol”.

E foi assim o que o roteiro do segundo tempo se desenhou, substituindo um jogo que até ali era arrastado, de pouca coragem das duas equipes para se lançarem efetivamente ao ataque. Muita bola trocada de intermediária à intermediária, poucas infiltrações e quase nenhuma jogada de área. Para o Santos, o empate em Belém não chegaria a ser um resultado ruim, ainda mais para uma equipe que faz campanha de recuperação e já começa a enxergar a zona de rebaixamento pelo retrovisor.

Peixe se agiganta com lei do ex

Para o Remo, porém, o empate seria desastroso. Sem vencer há sete jogos, desde julho, esperava-se mais ousadia na estreia do técnico Thiago Carpini, profissional com histórico de bons trabalhos anteriores, inclusive em clubes que lutavam contra o rebaixamento. A torcida protestou bastante contra a escalação conservadora, com três volantes, que dificultaram ainda mais a criação ofensiva.

Mesmo com a entrada de Alef Manga no segundo tempo, o Remo pouco chegou à área santista. A linha de três volantes só foi desfeita aos 28 minutos, quando Jaderson entrou no lugar de Picco e Pikachu ficou com a vaga de Zé Ricardo. Era a tentativa de Carpini de tornar o time mais agressivo, com um meia mais articulador e um jogador de velocidade pelas beiradas.

Só que o futebol não obedece a uma lógica tão simples. O que era uma floresta de volantes no meio-campo do Remo virou um vazio de marcação. E o que seria o tiro de misericórdia de Carpini acabou virando um tiro no próprio pé. Quem encontrou o caminho do gol foi o Santos, aos 32 minutos, num golaço que teve como ponto alto a tabelinha entre Gabigol e Rony. O atacante paraense, formado nas categorias de base do Remo, concluiu rasteiro e cruzado, sem chance para Rangel. A lei do ex apareceu em Belém.

O Santos, porém, falhou feio na defesa poucos minutos depois. Aos 37, Diógenes saiu muito mal num cruzamento da direita, não conseguiu segurar a bola e permitiu que Marllon, dentro da pequena área, aproveitasse a sobra para empatar. O Remo, que pouco havia produzido ofensivamente durante a partida, encontrava o gol justamente numa falha do adversário.

Gol cirúrgico

Mas o Santos tinha Gabigol em campo. E o atacante decidiu o jogo num lance de oportunismo e mérito de quem conhece como poucos aquele espaço da área. Num cruzamento da direita, Lucas Veríssimo escorou de cabeça e a bola sobrou limpa para Gabigol, que desviou com um toque sutil, tirando-a do alcance de Rangel.

Santos Rony
Rony celebra o seu gol, que abre o caminho para a conquista da quinta vitória seguida do Peixe no Brasileirão / Santos FC

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A vitória deixa o Remo afundado na vice-lanterna, com 23 pontos, e premia a fantástica recuperação do Santos, que chega aos 38 e já começa a mirar o bloco de frente da classificação. Com as contratações feitas na última janela, o time encorpou o elenco, reduziu a dependência de Neymar, e voltou a se reconhecer como um time grande. O fantasma do rebaixamento, que assustou a torcida santista durante boa parte da temporada, parece definitivamente mais distante. E, em Belém, Gabigol tratou de confirmar que o Santos já pode olhar para cima.

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