Por Fernando Valeika de Barros
A Libertadores está de volta. O funil do mata-mata começa a definir o caminho do campeão de 2025. Dos dezesseis classificados que continuam na disputa, seis são brasileiros. Tem o Palmeiras e o São Paulo, que, respectivamente, duelam com o Universitario, do Peru, e o Atlético Nacional, da Colômbia. Tem o Botafogo, atual campeão, que encara a LDU de Quito. E todos na condição de favoritos. O Fortaleza terá parada dura contra o Vélez Sarsfield, ainda mais definindo a vaga na Argentina. Por fim, Flamengo e Internacional se enfrentarão com o jogo decisivo em Porto Alegre.
A menos que ocorram surpresas, é bastante provável que, pelo menos, quatro times brasileiros avancem para as quartas de final. Ou seja, são grandes as chances de que um clube da Série A dê a volta olímpica no estádio Monumental de Lima no dia 29 de novembro. Você sabe quando foi a última vez que isso não aconteceu?

Foi em dezembro de 2018, quando dois times argentinos, o River Plate e o Boca Juniors, disputaram uma final inédita em Madri, devido a problemas de segurança em Buenos Aires. O River ganhou por 3 a 1 e foi o último clube argentino a conquistar o torneio de futebol com mais prestígio do continente.
Palmeiras e Flamengo
Desde então, só deu Brasil: Palmeiras e Flamengo levantaram o troféu duas vezes, enquanto Fluminense e Botafogo conquistaram a competição uma vez cada. Assim como ocorreu no ano passado, em Buenos Aires, quando Botafogo e Atlético Mineiro decidiram o torneio, quatro das últimas cinco finais da Libertadores foram entre times brasileiros.
Dinheiro faz a diferença
Uma explicação para esse domínio verde-amarelo é a força da grana. Neste período, turbinadas por contratos mais vantajosos com as emissoras de TV, uma gestão eficiente das bilheterias de seus estádios e o licenciamento de produtos, as receitas dos principais clubes brasileiros subiram como um rojão.
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De acordo com a consultoria Sports Value, há seis anos o Flamengo arrecadou cerca de US$ 118 milhões. No ano de 2024, o resultado das receitas do clube somou US$ 231 milhões (aproximadamente R$ 1,43 bilhão), tornando-se o maior nesse quesito da América do Sul. No mesmo ano passado, o Palmeiras faturou US$ 220 milhões (cerca de R$ 1,36 bilhão). Só para comparar, seis anos atrás, o time alviverde arrecadava US$ 141 milhões (R$ 568 milhões).

Com mais dinheiro entrando nos cofres ficou mais fácil para planejar e reforçar os elencos. E é isso que os clubes brasileiros estão fazendo. A ponto de conseguirem repatriar bons jogadores que estavam atuando na Europa. Por outro lado, a Argentina, que durante anos foi a dona da bola entre os clubes da América do Sul, vive um tempo de turbulência econômica. Sua inflação ficou descontrolada e a pobreza aumentou no país. Tudo isso afetou os clubes. Para equilibrar as contas, eles precisaram vender seus talentos no exterior.
Mastantuono no Real Madrid
Nos últimos meses, a situação no país vizinho parece ter se estabilizado economicamente. Entretanto, até mesmo o River Plate, o clube argentino com a melhor situação financeira, precisou vender uma de suas joias, o atacante Franco Mastantuono – considerado o mais habilidoso jovem a sair das categorias de base da equipe de Buenos Aires nos últimos anos. Mastantuono foi para o Real Madrid pelo equivalente a R$ 289 milhões.
Isso representa quase R$ 70 milhões a menos do que o Palmeiras faturou com a transferência de Estêvão para o Chelsea, da Inglaterra. Em um momento no qual os brasileiros estão dando as cartas como nunca na Libertadores, esse dinheiro pode fazer uma enorme diferença.





