Foi um Gre-Nal com muita disposição para brigar pela bola e pouquíssima inspiração para jogar futebol. Internacional e Grêmio acumularam 43 faltas, discussões, interrupções e quase nenhuma chance realmente capaz de tirar o clássico do 0 a 0 no Beira-Rio. Se o primeiro duelo das quartas de final da Copa do Brasil ficou devendo tecnicamente, ao menos entregou uma eliminatória aberta e um contraste perfeito para a próxima quinta-feira: o Grêmio leva a decisão para uma Arena onde costuma castigar o rival, enquanto o Internacional desembarca sustentado por uma escrita que atravessa décadas — nunca foi eliminado pelo Tricolor nos grandes mata-matas nacionais ou internacionais.

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O primeiro tempo foi a síntese do clássico. Houve mais cartões, encontrões e reclamações do que futebol. Quando alguma jogada começava a ganhar velocidade, uma falta tratava de interrompê-la. O lance envolvendo Carlos Vinícius e Bruno Gomes elevou ainda mais a temperatura: já advertido, o centroavante gremista atingiu o adversário numa disputa pelo alto, o Inter pediu a expulsão, Ramon Abatti Abel manteve o atacante em campo e o VAR não recomendou revisão. Num jogo praticamente sem brilho, a discussão com a arbitragem acabou virando um dos principais acontecimentos da noite.

Gre-Nal, Paulinho, jogador do Colorado
Paulinho tenta dominar a bola durante o Gre-Nal no Beira-Rio; duelo retrata baixo nível técnico dos rivais / Internacional

Nervos exaltados

A discussão foi provavelmente o momento mais quente de uma etapa sem futebol. Mercado saiu para o intervalo indignado, questionou a arbitragem e lembrou que uma decisão poderia interferir diretamente no rumo da eliminatória. Em campo, porém, nenhum dos dois conseguiu fazer algo suficientemente contundente para reclamar uma vantagem.

O segundo tempo teve algum futebol a mais. Krovinovic obrigou Matheus Cunha a trabalhar logo no início, enquanto o Internacional avançou suas linhas e passou a controlar mais a posse. Paulo Pezzolano colocou Bruno Henrique e depois Alan Patrick, que começou no banco, para tentar aumentar a criatividade. Carbonero teve uma das melhores possibilidades coloradas, mas parou na defesa. Com o relógio correndo, o Grêmio reduziu os riscos e pareceu cada vez mais disposto a aceitar o empate para definir tudo em casa. E é aí que o 0 a 0 ganha outro significado.

Gre-Nal dos números

A Arena virou um território difícil para o Internacional desde sua inauguração. Antes da próxima decisão, foram 27 clássicos disputados no estádio, com apenas três vitórias coloradas. O Grêmio venceu dez e outros 14 terminaram empatados. O último confronto no local aumentou ainda mais o peso psicológico desse retrospecto: em março, o Tricolor fez 3 a 0 no rival na ida da final do Campeonato Gaúcho e encaminhou a conquista estadual. Portanto, levar a eliminatória sem desvantagem para casa era um resultado bastante conveniente para Luís Castro. Quinta-feira, qualquer vitória garante o Grêmio na semifinal. Outro empate, independentemente do placar, leva a definição para os pênaltis.

Só que existe uma escrita histórica capaz de equilibrar completamente esse favoritismo territorial. Esta é apenas a sexta vez que Grêmio e Internacional disputam um mata-mata válido por uma grande competição nacional ou internacional. Nas cinco anteriores, o Colorado avançou em todas: Campeonato Brasileiro de 1988, Copa do Brasil de 1992, Seletiva da Libertadores de 1999 e Copa Sul-Americana de 2004 e 2008. Nunca, portanto, o Grêmio eliminou o rival nesse recorte.

E a Copa do Brasil guarda uma lembrança incômoda aos gremistas. Em 1992, também pelas quartas de final, os rivais empataram os dois jogos por 1 a 1. Depois da igualdade no Olímpico e de novo empate no Beira-Rio, a classificação precisou ser decidida nos pênaltis. O Inter venceu por 3 a 0, avançou e conquistou o único título de sua história na competição na final contra o Fluminense. Trinta e quatro anos depois, a maior rivalidade do Rio Grande do Sul novamente chega ao segundo jogo das quartas da Copa do Brasil sem dono. Desta vez, com outra regra, outros protagonistas e um cenário invertido: é o Grêmio quem recebe a decisão.

Gre-Nal Mercado e Carlos Vinícius disputam espaço
Com mais força do que técnica, Mercado e Carlos Vinícius disputam a jogada no corpo a corpo no Beira-Rio / Reprodução

Luta contra o rebaixamento

Antes disso, os rivais ainda voltam suas atenções à luta para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. No domingo, o Grêmio recebe a Chapecoense, no duelo que começa às 18h30 (horário de Brasília). Pouco mais tarde, o Internacional é visitante em Salvador, diante do Bahia, às 19h30 (horário de Brasília). Depois, não há conta nem estratégia possível: na próxima quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), a Arena recebe mais 90 minutos — ou eventualmente pênaltis — para definir quem sobrevive.

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O Grêmio terá casa, torcida e um estádio no qual costuma impor dificuldades ao rival. O Inter carregará algo que não cabe nas arquibancadas: uma escrita de décadas. Depois de um primeiro Gre-Nal em que ambos optaram por não correrem riscos, a história aponta que o segundo não permitirá a mesma cautela.

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