A saída de Allan obrigou o técnico Abel Ferreira a encontrar uma nova solução para o lado direito do Palmeiras. A resposta apareceu em alto nível e com jogadas que levantaram a torcida no Nubank Parque, na quarta-feira. Sem o jogador negociado com o Manchester City, Jhon Arias assumiu o setor na vitória por 3 a 0 sobre o Santos, pela Copa do Brasil, e ajudou o time a construir uma atuação segura e dominante. O problema é que a alternativa durou apenas um jogo. Nesta quinta-feira, exames confirmaram uma lesão na parte posterior da coxa direita do colombiano.
A contusão é considerada leve, mas Arias está fora do duelo com o Mirassol, domingo, às 18h30, pelo Campeonato Brasileiro. E seu problema físico chega no pior momento possível para Abel: a reconstrução do setor direito após perder um dos jogadores que mais utilizou na temporada. Allan está a caminho do City. O negócio foi fechado por 40 milhões de euros (cerca de R$ 240 milhões, na cotação atual), entre valor fixo e bonificações. O cria da Academia, que foi homenageado antes de a bola rolar, deixa o clube depois de 96 partidas pelo profissional, nove gols e 12 assistências.

Solução caseira
Antes da negociação, o Palmeiras trabalhava com a possibilidade de não ir ao mercado atrás de uma reposição, por entender que o elenco oferecia alternativas. Arias encabeçava uma lista que incluía Felipe Anderson, Mauricio, Giay e Khellven. Abel, porém, já havia deixado aberta a cobrança por uma solução depois da venda.
Contra o Santos, o treinador optou pela volta à linha de quatro defensores e escalou Arias aberto pela direita, com Maurício mais pelo lado oposto e Vitor Roque e Flaco López na frente. Na posição que mais gosta de atuar, Arias fez a jogada mais bonita da partida, com dribles desconcertantes em Luas Peresne Lucas Veríssimo. Pena que nas assistências para Vitor Roque e depois para Piquerez, ambos perderam a chance de fechar o lance como uma obra de arte. Parecia uma primeira resposta à ausência de Allan. Menos de 24 horas depois, ela precisou ser revista.
Arias entrega muito para equipe
A importância de Arias para a solução imaginada por Abel não aparece apenas na posição em que o colombiano pode atuar. Os números desde sua estreia ajudam a dimensionar o tamanho do problema. Segundo levantamento do ‘Sofascore’, em 36 partidas pelo Palmeiras, Arias soma oito gols e seis assistências, participando de um gol a cada 179 minutos.
Desde que chegou ao clube, Arias lidera o Palmeiras tanto em grandes chances criadas quanto em desarmes. Foram dez chances claras construídas, além de 53 passes decisivos e 88% de aproveitamento nos passes. Ao mesmo tempo, venceu 169 duelos — média de 4,7 por jogo — e realizou 54 desarmes, 1,5 por partida. É essa combinação que torna sua ausência mais difícil de administrar: Abel perde ao mesmo tempo um jogador capaz de acelerar a construção, criar assistências, atacar espaços e participar da pressão para recuperar a bola.
Em resumo, o colombiano tem capacidade para receber aberto, conduzir em direção à área, aproximar-se dos atacantes e circular pelo meio do ataque. Sem a bola, sua produção nos duelos e desarmes permite que o Palmeiras mantenha intensidade na pressão sem recorrer a mais um jogador de características defensivas.
Força máxima é um alto risco
Arias não foi o único a deixar sinais de preocupação depois do clássico. Gustavo Gómez saiu no intervalo por sobrecarga muscular, enquanto Piquerez, que havia acabado de retornar de outro problema físico, apresentou um edema na coxa direita durante a reapresentação desta quinta-feira. No caso do capitão, a notícia foi melhor. Gómez passou por exames e nenhuma nova lesão foi constatada. A precaução se explica pelo histórico recente: no fim de julho, o paraguaio sofreu uma lesão muscular moderada na parte posterior da coxa direita e ficou afastado até iniciar a transição em agosto.
Piquerez inspira mais cuidados. O uruguaio tem grandes chances de ser preservado na visita ao Mirassol, neste domingo, às 18h30 (horário de Brasília). Os problemas aparecem um dia depois de Abel ser taxativo ao revelar como pretende administrar a disputa simultânea do Brasileiro, da Libertadores e da Copa do Brasil. “Não vou descansar ninguém. Vou apostar tudo em todas as competições. E no final ver o que nos toca”, afirmou o treinador.

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A promessa encontrará o seu primeiro teste. No estádio Campos Maia, o Palmeiras tentará manter a gordura na liderança do Brasileiro, com 51 pontos e seis de vantagem para o Flamengo. Três dias depois, vai à Vila enfrentar o Santos pela volta das quartas de final da Copa do Brasil. No dia 6 de setembro, visita o Botafogo pelo Brasileiro e, no dia 9, recebe a LDU pela Libertadores. São quatro partidas por três competições em apenas 11 dias.





